segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Reflexões numa segunda-feira de outono que, afinal, vai-se a ver, e é de verão

Na próxima vez que acharem bem gira e estilosa e confiançuda uma mulher de macacão:



lembrem-se que ela perderá toda a compostura mais cedo ou mais tarde, pois terá de ir à casa de banho, e terá de se despir toda para fazer o seu chichizinho, tentando acrobaticamente não tocar com o tecido no chão, contorcendo-se para tirar as mangas, fazendo um rolo de tudo o que está dependurado, maldizendo o mafarrico que inventou a peça. Todavia, tal como as dores de parto, rapidamente tudo é esquecido e se vai ao segundo. Macacão. Ou filho, consoante o caso.


domingo, 1 de outubro de 2017

Mãe sofre #118

Máinovo - Mãe, adoro-te do fundo dos meus pés!
Eu - Hã???
Máinovo - É mais longe do que do coração, pois é?

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Janeiro, fevereiro, março...

Máinovo chega super contente a casa, pelo facto de a Avó lhe ter ensinado os meses do ano. Começa por aí afora todo lampeiro, mas, chegando a setembro, trava:
"Setembro.......... oitembro..."

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Conversas parvas comócatano #32

Mãezinha e Paizinho ao telefone, ela em casa, ele na horta:
- Olha, tu vai aos dióspiros do Arménio. Arranca-os, que já estão maduros!

Peço para ela me passar o telefone:
- Pai, tu manuseia os dióspiros do Arménio com cuidado, hein? Olha que o senhor já tem uma certa idade!
- A tua mãe é maluca, eu aqui com uns dióspiros tão bons e ela agora quer que eu vá para não sei aonde aos do velho, ela que nem pense.

Nota da redação: só uma pessoa na conversa tinha maldade na cabeça porca. E a conversa era sobre roubar fruta a um vizinho. (Sendo que os roubos por aquelas bandas são mútuos e consensuais.)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Da série “flagelos de dimensão relativamente jeitosa para a humanidade"

De volta aos temas fraturantes, meus caros. E este está ali taco a taco com a problemática das pessoas que vão de fones e dão puns ou do flagelo das páginas conjuntas no Facebook.

É que eu não faço por menos: se é para discutirmos assuntos sérios, que escolhamos os verdadeiramente importantes. 

E é assim que surgem as portas das garagens que chiam muito.

(Solta o som do disco a riscar e um concomitante UATAFÂQUE)

Meus caros, vós nem imaginais o quanto este assunto pode aporrinhar uma pessoa de coração (e tímpanos) fraco(s): uma porta de garagem mal oleada provoca uma sensação de estar a ser esfregada no ouvido interno com um martelo pneumático descontrolado. E a nossa, em particular, alia ao som a parte física: eu tenho de praticamente fazer uma placagem em voo usando todo o meu peso para fazer que a dita deslize e ainda assim aquilo vai aos solavancos, por vezes travando a meio, projectando-me de dentes ao metal. Foram já várias as vezes que temi pela minha cremalheira.

Ora sucede que Senhor meu Marido, à falta de ideias melhores para utilizar um boião de vaselina industrial, resolveu, sem me avisar, barrar à bruta toda a porta da garagem com aquela gorduranga. Não satisfeito, decidiu esfregar aquilo também na calha do chão.

Sendo assim, agora deixo à votação do mui prezado leitor o que de seguida se passou:
a) Boneca Maria de Deus ensaiou o mesmo movimento de sempre e jogou-se em voo feita louca contra uma porta que deslizou que nem manteiga, e espetou-se, juntamente com a porta em concertina, contra a parede, tendo sentido os dentes a bater dentro do cerebelo;
b) Alínea acima + mandou um slide na vaselina da calha do chão;
c) Ambas as alíneas acima + agarrou-se na pega da porta sem chegar a cair, apenas levando a cabo um bailado frenético da cintura para baixo, assim como quem se atira para cima de uma passadeira já a bombar nos 13. De patins;
d) Todas as alíneas acima, mas com a imensa graciosidade que lhe é característica, consegue manter o equilíbrio e ainda faz um plié e um pas de deux, para disfarçar ante o vizinho espanhol que está especado a ver se acontece estropiamento.

Agora faites vos jeux e dizei de vossa justiça. Uma coisa vos afianço: depois de ter passado com as rodas do carro por cima daquela nheca, juro que fiz toda a viagem com medo que o bólide se me derrapasse assim de ladecos e capotasse, semelhante a oleosidade. Pior que a cabeça do Ronaldo antes de usar o Linic.

domingo, 24 de setembro de 2017

Van Gogh Alive em imagens










Esta exposição (bem catita, por sinal) estará patente na Cordoaria Nacional até 22 de outubro. Ide e aproveitai!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Atchim, ranhoca e um polvo

Se há atividade que considero incompatível com a boa convivência em transportes públicos é o ataque de espirros. Este fenómeno com origem no Paleolítico, altura em que os nossos antepassados roçavam bastante seus focinhos nas paredes cheias de musgo das cavernas mal arejadas, perturba, incomoda e, no limite, prega valentes cagaços aos demais.

Esta vossa Serva até nem é muito propensa aos ditos, daí que não saiba bem como lidar com eles, sobretudo dada a preocupação de manter uma postura discreta nas viagens fluviais. Ora, se há coisa que não é discreta é um valente ataque de espirros. Até porque a pessoa não vai para nova e não convém fazer aquele número do apertar o nariz para eles não saírem, não vão os bandidos resolver arranjar problemas mais a Sul. Bom, adiante: fui acometida de semelhante achaque espirral que houve gente que achou que um passageiro tinha levado um caniche histérico na viagem. Foram 23-espirros-vinte e três, acompanhados de espasmos involuntários, que tentei em vão conter, mas que o ato de contenção tornou o evento numa espécie de dança de um polvo com epilepsia. Toda eu era tentáculos escorregadios. Apertava de um lado, o espasmo fugia-se-me por outro. Agora pergunto eu: o que devemos controlar primordialmente? O som ou o espasmo? Será melhor um esguicho de ranhoca pelo nariz ou um jato de cuspo pela boca? Decisões, decisões. Deixei-me ir, então, concentrando-me em contar os ditos para depois fazer pirraça a Paizinho, campeão ibérico desta modalidade, que une aos 300 espirros à hora uma berraria capaz de fazer levantar um defunto com 50 anos de tumba. 

Aguentei estoicamente os olhares dos compinchas de barco, posso jurar que vi alguns a tentarem não se rir, terei sentido alguma reprovação quando não consegui controlar um "dasse, car&$%o mais os espirros filhos da..." que soltei (embora baixinho!), e assim se passou um momento agradável. Pelo sim, pelo não, nos próximos dias será melhor apanhar o barco meia hora mais tarde, não vão as pessoas lembrar-se aqui do polvo-caniche.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Borregos, sexo e Transtejo, uma carta aberta a quem de direito

Caros responsáveis pelo transporte por vias navegáveis interiores do Montijo para o Cais do Sodré e de novo para o Montijo,

venho por este meio começar por vos agradecer pelas horas de contemplação fluvial ao longo destes 15 anos. Ora, fazendo nós parte de um país à beira-mar plantado, congratulo-me pelo facto de, num exemplo ímpar de respeito pela alma lusa, terem percebido que muitos dos que para Olissipo viajam pouca comunhão com o rio possuem, em claro desrespeito pelas raízes e cultura da cidade. E foi por esse amor ao Tejo e numa tentativa de nos unir a esse elemento fulcral da história da capital e do país que chamaram a vós a nobre empreitada de nos fazer, a nós utentes, encetar num bonito e prolongado exercício quase-constante de contemplação do rio. 

Achásteis vós, portanto, que o mui nobre povo do eixo Montijo/Alcochete-sem-esquecer-o-Samouco seria o representante indicado para este projeto à escala regional. É sabido que são gentes que, ao se prestarem a atravessar o bravo Tejo numa base diária, estariam com certeza dispostos a assumir tão importante desígnio de se tornarem unos com o rio, abraçá-lo em seu esplendor, amá-lo como ele merece.

Caras pessoas da Transtejo, eu ontem cheguei ao cais de embarque às 8h15 e o barco só partiu às 9h38. Mais um dia de avaria na trampa do catamarã. Mais um dia em que chego ao trabalho mais de uma hora atrasada por vossa culpa. Mais uma camada de nervos que não há afaganço de meigos gatos peludos que apazigüe. A isto eu digo "Basta!", não mais quero apreciar o rio durante horas, não mais quero ir ensalsichada (ou "ensalchichada" como a maioria das pessoas diria, para meu gáudio) com outras centenas de pessoas em desespero, não mais quero fazer parte deste vosso projeto de amor ao rio Tejo. Sabeis que mais? Antes prefiro fazer o amor físico com um borrego sujo. Preferiria, com toda a sinceridade, uma suruba com ásperos e mal lavados borregos. E de caminho até os iria lavar às águas que vocês insistem em me impingir. 

Estimo bem, portanto, que sejais todos acometidos de uma desinteria fulminante que vos faça cagar à pistola todos os dias em que houver peripécias como a de ontem, em que inclusivamente o barco não partiu apenas porque havia 6-pessoas-seis a mais, de pé. (Sendo que o Mestre tem 230 quilos, o que, pelas minhas contas, ocupa três ou quatro lugares de passageiros.) Em suma, ide-vos, todos, com o respeito que me merecem, fecundar. Se precisardes, os borregos são por minha conta.

Com os melhores cumprimentos,
Boneca Maria de Deus.