quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Brangelina, Jolitt e afins

Agora que já estou um pouco mais refeita do trauma e já me convenci de que a notícia não é uma brincadeira de mau gosto, posso rastejar de baixo do edredão e partilhar as minhas dores com o mundo cá fora. Nunca escondi a minha valente pancada por estes dois. Sem medos, tanto por ele como por ela. Várias foram as vezes em que afirmei que se me virasse para o outro lado seria com a senhora Jolie. E o senhor Pitt marchava a seguir. E depois a senhora. E assim sucessivamente tipo comboiinho. Mas adiante. O casal perfeito já não o é, e com isso a minha fé nos contos de fadas (já de si bastante diminuta) esboroou-se por completo. Não mais voltarei a vomitar unicórnios ao pensar no amor eterno, porque aqueles dois já não estão juntos. As nuvens deixaram de me parecer de algodão doce feitas, sendo agora apenas aquele algodão com que se limpa as feridas, e daquele branco que vem enrolado tipo acordeão, nem é sequer aquelas bolinhas de cores variadas. 

Posto isto, tenho várias coisas para dizer à Angie:
- Se roubas o homem da outra, 'mori, isso mais tarde ou mais cedo vai-se voltar contra ti, ou, traduzindo uma belíssima expressão anglo-saxónica, «mais tarde ou mais cedo isso volta para te arrefinfar uma dentadona nas nalgas»;
- Se casas com o homem mais lindo do mundo, obviamente o que acontece a cada solstício é o degolamento de galinhas e a oferenda de cabras em sacrifício juntamente com poções de raspas de piaçaba e genitália de lagartixa com bagas goji por esse planeta afora em cerimónias satânicas para vos separar;
- Se casas com o homem mais giro do mundo toda gostosona mas depois ficas de tal forma lingrinhas que o gajo no dia de folga da vietnamita que vos limpa a casa agarra em ti e vai varrer a garagem, olha, não te queixes;
- Se casas com o homem mais gostoso à face da Terra e depois andas sempre atracada ao Guterres e aos refugiados sem deixares tempo na agenda para a trungalhunguice, olha, não te queixes;
- Se quando finalmente arranjas um tempinho para a trungalhunguice e consegues enxotar os 340 filhos do quarto, quando estão a proceder ao amor lhe espetas o cúbito numa vista, arranha-lo com uma falangeta, deslocas uma anca, saltam-te dois dedos do pé direito e fazes uma entorse derivado de seres fraquinha e teres osteoporose, olha, sabes uma coisa, filha? Bem feita. 

Eu desde já me chego à frente para consolar os dois. Tenho uns quilinhos jeitosos e, aliás, o mesmo nome da filha n.º 236, por isso imagino que estejam habituados a gritar por mim. 

Vinde cá à vossa Boneca, que não vos aleija, vamos constituir uma amálgama de nomes gostosa do tipo Viviad, Bradiane, Pittiane ou Jolivivi. 

#jolieviviandacáaqui
#jolieviviorachegateaqui
#jolievivisótequeroati

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A minha visão

Meus caros, 
Apraz-me dar-vos a conhecer a nova plataforma onde escrevo. Abracei este novo projeto com alguma miaúfa bastante respeito, muito sentido de responsabilidade e, sobretudo, uma grande satisfação. Sou desde hoje a nova colunista da Visão online, onde escreverei na coluna intitulada "Penso, logo desisto". Na primeira crónica, descrevo a luta que travo diariamente contra as obras de Lisboa, situadas sensivelmente, vá, mais coisa menos coisa, de uma ponta à outra. Se me quiserem ler, é aqui mesmo



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sexy, again

Máinovo continua nesta marmelada de chamar sexy a tudo (vide post abaixo). Desta vez a conversa foi com a avó:

- Avó tu és mesmo sexy! A mãe já me explicou que sexy quer dizer gira.
- Tu também és muito giro, querido.
- Nem quero acreditar que tu e o avô estão quase a ir para o céu!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sexy mama

Máinovo aprendeu uma nova palavra. Espetacular, a escola nova já está a dar frutos. Uau, e que palavra é essa, que aos 5 anos do rapaz ainda é nova, nossa doce, perguntam vocês? Será "amortização"? "Inexorabilidade"? Ou algo mais bucólico como "bucólico?" Nada disso. Explicou-me Máivelho que a dita palavra foi adquirida aquando de um jogo de PlayStation e quanto mais ele diz ao irmão para não estar sempre a repeti-la... é que nem vale a pena acabar a frase porque é óbvio que a criança não se cala. A palavra é "sexy". Pausa para explicar que os miúdos não andam a jogar nada que seja badalhoco, que eu já fui verificar. 

Bom, estava eu a contar que agora para o pinchavelho mais pequeno tudo é sexy, os cereais do pequeno-almoço "estão muito sexys mãe", o creme que lhe ponho nos cotovelos de pele atópica é "fresquinho e sexy", a trotinete é "bueda sexy". Até aqui tudo bem, o pior é quando avançamos para conversas do tipo "o pai é mesmo sexy, pois é mãe?" Eeerrrr, eu cá também acho, filho, mas se calhar não vamos andar a repeti-lo aos gritos pelo distrito de Setúbal, porque já não tenho idade para andar a partir rótulas como há 10 anos.

Foi assim que resolvi perguntar-lhe se sabia o que a palavra significava (obviamente não) e convencê-lo que seria muito mais fixe ele usar a palavra "giro", que assim toda a gente percebia.
- Ah, mas eu tinha razão. O pai é sexy. E tu também és muito sexy, mãe.
- Obrigada filho, mas olha, diz que o pai e a mãe são giros, que nós gostamos mais.
- Está bem, mãe sexy.

Não sei se isto vai correr bem, temo que na escola nos achem uma família tresloucada e incestuosa, mas não sei que mais lhe hei de dizer. Sobretudo quando, antes de sair de casa para ir para escola, a criatura berrou nas escadas do prédio, fazendo um eco que se propagou até ao Parque das Nações:

ATÉ LOGO, MAMÃ SEXYZONA!!!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conversas parvas comócatano #28

- Bora lá ao Celeiro comprar daquelas tâmaras maravilhosas!
- Bora!
- Uma tâmara aqui do município de Lisboa pode ser chamada "tâmara municipal", pois pode?


E o tamanho destas bichas, hein?
(das unhas também, eu sei...)

domingo, 18 de setembro de 2016

Dos recomeços

Este não é o texto tradicional sobre o primeiro dia de aulas, porque este ano fui sujeita a um turbilhão de emoções absolutamente fora do comum. Tudo porque os rapazes mudaram de escola, cada um para a sua, numa outra cidade (a minha querida Setúbal), sendo que o que para Máinovo era uma alegria, uma antecipação carregada de emoções felizes, para Máivelho era apenas ansiedade e receio. Foi difícil para mim, obviamente, lidar com o que era basicamente felicidade de um lado e tristeza de outro.

No primeiro dia começámos logo pela fresquinha com as apresentações na escola do Máinovo, que foi imediatamente largado com um bando de crianças desconhecidas e se enturmou como só ele. Aliás, a única preocupação verbalizada durante todo o processo foi "Quem é que me vai limpar o rabo?" Meu rico filho. A única frustração que demostrou no final foi não poder passar o dia todo na escola, porque ainda lhe faltava explorar o campo de futebol. Bom sinal. Objetivo cumprido.

Tempo de passar à parte mais angustiante do dia, a da escola de Máivelho. Nem o McDonald's lhe mitigou a preocupação e o ar dele era de dar dó. Por várias vezes tive de me conter e disfarçar as lágrimas, numa escola que há 30 anos foi minha e da qual tenho as melhores recordações. Não obstante, vê-lo a um canto, cabisbaixo, afastado de uma vintena de miúdos que já se conheciam do ano anterior doeu como nunca pensei ser possível. Vim a saber que o isolamento continuou por imposição dele, que não se quis dar a conhecer e que, afinal, tenho um filho bem mais tímido do que julgava. Foi por isso com alívio que saímos da escola, onde só decorreriam nesse primeiro dia as apresentações.

O segundo dia traria um novo fôlego. Máinovo basicamente irrompeu sala adentro, disse-nos um "txau mãe, txau pai, txau mano, txau avós" (sim, fomos todos, somos esse tipo de pessoas) e foi à sua vida. Fomos informados que seria nesse dia responsável pela tartaruga e, confesso, comecei a preparar o discurso das exéquias fúnebres de piquena Caretta caretta, que com certeza iria falecer às mãos desta criança (que manifestou desde logo a intenção de dar colo ao bicho)*. Quanto a Máivelho, vim a saber pelos avós que o levaram à escola, continuava tristonho. Escusado será dizer como estava o meu estado de espírito no trabalho. A coisa só melhorou com o telefonema dele no final das aulas da manhã, já com uma voz diferente, um tom apressado e entusiasmado, dando-me a entender que só queria tranquilizar-me, mas rápido, porque queria despachar-se para voltar para a escola. Oi? Mas o que se tinha passado? Tinha-se passado os amigos novos, tinha-se passado as miúdas que engraçaram com ele, e sobretudo tinha-se passado um furo providencial de uma hora que lhe deu oportunidade de se enturmar e de, assim, dar início àquele que, espero, seja um ano de novas oportunidades, novos desafios e novas pessoas na sua vida. 

E foi assim que o camião de pedras que me estava a pesar no peito meteu a primeira, arrancou e não mais apareceu. Caramba, ser mãe custa.


* SOBREVIVEU!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os sanitários são para uso exclusivo da clientela

É minha firme convicção que os responsáveis pela administração da maioria dos estabelecimentos que servem refeições ensandeceram de vez no que toca à proteção das respetivas instalações sanitárias. O que começou por ser apenas uma medida de dissuasão de abusadores depressa se transformou numa cruzada "estabelecimento vs. mijonas", em que o vencedor é geralmente quem está atrás do balcão e faz sua cruzada impedir o esvaziamento das bexigas ou intestinos da clientela. Concedo, acho bem que apenas permitam a utilização dos lavabos aos clientes, senão rapidamente a coisa descambava para sanitário público, mas é com alguma apreensão que constato termos chegado a um ponto de não retorno.

Estou obviamente a referir-me aos pinchavelhos acoplados às chaves dos WC de certos bares/restaurantes. Não quero nomear nenhum, mas um sítio que eu costumo frequentar que começa em Pa e acaba em Guesa, com as letras daria e Portu no meio, entrega, a quem pretenda aliviar-se, um bacamarte gigantesco em forma de tijolo. E, meus amigos, só quem faça regularmente Body Pump com 3,5 Kg no mínimo na faixa de bícipede é que conseguirá transportar o catramolho que lhe passam para a mão e não fazer um xixi logo ali no chão devido ao esforço de arrastar aquele peso monstro.

O que começou, portanto, por ser um porta-chaves normalzinho foi crescendo, crescendo, crescendo, e eu temo pelo dia em que teremos de arrastar uma carcaça de búfalo, uma mesa de snooker ou a ajudante da cozinheira.

Caríssimos, AS 'SSOAS SÓ QUEREM FAZER AS SUAS NECESSIDADES! Não querem contrabandear estupefacientes, nem montar um matadouro ilegal naquele espaço exíguo. Com certeza que também não fazem tenção de pintar hieróglifos na parede com as próprias fezes enquanto entoam cânticos de aleluia a Satã, por isso, não lhes dificultem tanto a vida. Seguramente a sensação que possuem já será desconfortável o bastante sem terem ainda de lhe juntar um catrapázio* com duas toneladas. Tende sensibilidade.

Para terminar, vai daqui uma valente beijoca de solidariedade para a querida senhora, claramente aflitinha e quiçá já soltando umas pinguinhas, que levou agarrada à chave da casa de banho algo do tamanho de uma tenda de campismo com capacidade para 4 adultos e 3 crianças. Pense positivo, Tia Emília, pois se pretendia privacidade, era só enfiar-se na tenda. Talvez para a próxima se lembrem de atracar um Petromax à chave e terá a experiência completa, escusa de ir para uma roulote no Inatel.



* diz que a palavra correta é catarpácio, mas não acho que tenha o impacto que pretendo, lamento.