quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mãe sofre #106

Máivelho observa-me a teclar furiosamente no computador, e noto que está verdadeiramente atónito com a velocidade a que escrevo. Está em modo de observação há uns bons minutos quando decide abordar-me:

- Tu não estás a escrever mesmo palavras, pois não? Estás só aí a clicar nas teclas ao calhas?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Gente com valentes pancadonas #24

E cá estamos nós, de volta ao mundo dos maluquinhos das pesquisas trolaró em sede de googlanço, cuja peneira fininha do meu blogue apanha, qual pá de plástico que apanha cocó e chichi de gato em areia aglomerante, ou de como as metáforas estão a bater forte cá dentro. Trocado por miúdos, mais uma supimpona compilação de frases que certas alminhas botaram num motor de busca e as fez vir parar a este antro de justaposições e outros eleutérios.

- bordas de cu: pimbas. Assim logo de chofre, para inaugurar a lista. Ora o que leva uma pessoa a fazer uma busca sobre esta parte específica da anatomia, tão vilmente descurada dos manuais de Estudo do Meio? Talvez uma qualquer maleita, da qual seguramente conseguiu tratar após visita a este blogue clínico-anestésico, pleno de textos com efeito placebo e ocasionalmente ortopédico. Não faço ideia a que post terá ido parar, mas seguramente saiu daqui muito mais esclarecido.
- miaúfa: isto tive eu a ver a pesquisa ali de cima. Assim de repente, posso imaginar que tenha sido a mesma pessoa, numa variante de "quem tem cu, tem medo". Quiçá.
- bonecas goji: reza a lenda que na Idade Média o vodu se fazia com bonecas enchidas com umas bagas de cor avermelhada. Um dia, uma bruxa tropeçou enquanto fazia lá as suas cenas, afocinhou na boneca e provou o enchimento. Terá afirmado "isto deve ser bio" e a partir daí foi o sucesso à escala mundial e a exportação para as lojas Celeiro, onde também há belíssimas tâmaras israelitas, que eu consumo como se a minha vida dependesse disto. Esclarecido? Então vá.
- localidades começadas com al: ai, senhores, que sou mais que vosso GPS. Cá vai: Almugeide, Albuzeigue, Alzoendre, Alcoizandre, Alcagoindre. Hã? Não existem? Pobres e mal-agradecidos, pá.
- mulheres com canalizadores: mas "com" em que sentido? Bíblico, do tipo "anda cá e desentope-me o cano", ou "oh pra esta fuga mesmo boa para tu consertares"? Sem mais info, não posso ajudar, lamento.
- lagartija da relva: este espécime vive nas calhas de garagens de Alcochete, co-habitando em harmonia com as lagartixas da relva, espécie mais evoluída, porque sabe pronunciar o seu próprio nome. Apesar das diferenças de QI, dão-se bem, embora as lagartijas, pelos motivos expostos, tenham um certo sentimento de inferioridade que se traduz em ocuparem a parte mais baixa da calha, levando a que caiam com mais facilidade no chão, pregando sustos de morte a uma certa moça proprietária da garagem, ou sendo vilmente esborrachadas pelas rodas do veículo do cônjuge da dita moça.
- mensagens badalhocas: não vieste propriamente parar ao sítio certo, pessoa, mas se fores ao Facebook daqui do pardieiro, poderás vislumbrar exemplos como este abaixo. Diz lá quem é uma manipuladorazona gostosona, hein?


- wc uso exclusivo de clientes: foste parar a este post, de certezinha.
- como ensultar namorado que pos foto: vou partir do princípio que ensultar significa fazer-lhe uma omolete com pedaços de vidro lá dentro em vez de cebolinho, então esse grandíssimo fdp a pôr assim fotos da menina? Ensulta-o, filha, com aqueles vidros verdes das garrafas mais grossas, que diz que são os que arranham mais à saída o ilhó e a pesquisa feita no número 1 desta lista. O sacripanta!
- existe a palavra berlaitada/calao?: se não existe, estou feita, sou capaz de recorrer a ela numa base bisemanal, porque "trungalhunguice" dá mais trabalho a pronunciar, por exemplo, com três Margaritas no bucho. Isto na situação hipotética de eu as beber e depois assediar Senhor meu Marido.
- molho tuga h3 bimby: eeerrrr, não sei bem como ajudar este amiguinho, mas vou dar o meu melhor: beldroegas, funcho e muito alho, Varoma com colher inversa a 100 graus. Sal q.b., azeitonas a gosto, óleo de coco desidratado. Três colheres de sopa de polvilho, mas do salgado. Deixar levedar de um dia para o outro. Servir morno, acompanhado de puré sedoso de couve galega e pastinaca. De nada.
- lenços para banco traseiro carro: eh lá, que isto me soa a cowboyada da boa! Como te poderei ajudar? Toma, lê isto e não digas que vais daqui. Cá beijinho. Hã? Não tem nada a ver? Temos pena, só sei que foi um texto que me deu uma trabalheira desgraçada, por isso lê e cala-te.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Máinovo e as conjugações verbais

- Queria for eu a deitar fogo de artifício, mas isso é só para os crescidos.
- Queria "ser" eu.
- Pois queria, mas só posso quando eu ser grande.
- Quando eu "for".
- Tu és complicada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Diário felino #2

Pequenos pompons crescem a olhos vistos, não tarda vão para a panela. Só ainda estou a pensar de que forma não ficar com pelos na caldeirada. Por falar em comida, Máivelho decidiu provar a ração dos gatos e nem a achou má de todo: escusado será dizer que agora é chantageado sem dó nem piedade ("Ai não queres a sopa? Vou buscar a comida dos teus irmãos peludos!", "Não gostas do peixe? Preferes Royal Canin?!"). Os meus banhos, por seu turno, nunca mais foram os mesmos: criaturas felinas têm uma fixação doentia com banheiras no geral e com a minha em particular, jogando-se em voo quando lá estou procedendo ao lavamento de corpitxo bonecal, derrapando que nem loucos e fugindo logo de seguida quando sentem a água nas patas. Acabou o sossego. Tenho ideia que ando menos lavada desde que adotei esta malta. 

De resto, apenas uma nota para as frases idiotas que agora se ouvem no agregado familiar, como "Onde estão os gatos? Na gaveta.", "Não beijes o bicho!", ou "Ele está a pisar-me o cabelo." Outras há que bem que poderiam ser referentes a nós enquanto casal mas que agora são atribuídas aos gatos, como  "A sacana mordeu-me o rabo!", ou "Que belo pêlo lustroso, vou afagá-lo!", ou mesmo "Quem é que anda a passear pelas minhas partes baixas?"

Nota mental: verificar se o seguro dos animais cobre
tratamentos estéticos para donos.
Podia ser pior: podíamos estar no verão...
Aqui estava presa nas escadas a pedir socorro,
não tinha coragem de a acordar.
Não se largam um segundo.
Nem a mim. 

Tendo em conta que não terei meninas,
congratulo-me por esta.
Miúdos deitados + Netflix + gatos em cima de um de nós (ou dos dois):
resumo dos serões em agregado bonecal. 
Os Máinovos da casa ❤
Os ajustes de filtro que tenho de fazer para se conseguir
vislumbrar o gajo.
Cachucho Miguel e Ginjinha Sofia
Yin e Yang

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Ser mulher é tramado

E há dias em que o sinto particularmente na pele. Na Visão online, desta feita "dissertei" sobre a minha dificuldade em escrever uma crónica. E Senhor meu Marido não ajudou, propriamente. Estafermo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Máivelho, pizza e mamas

Máivelho tem como foto de capa do telemóvel uma fatia de pizza. De pepperoni. Um amigo nosso, depois de ver aquilo, virou-se para ele com ar indignado:
Devias era ter uma gaja com umas grandes mamas, pá!

Ele, com o ar mais surpreso que se pode imaginar, responde:
Mas eu gosto mesmo é de pizza.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Isso, filho, envergonha esta tua mãe

Máinovo entra comigo numa loja de roupa bastante seleta da nossa capital, não sem antes ter sido advertido de que deveria portar-se bem e não mexer em nada. De facto, andou atrás de mim como um cachorrinho amestrado e não abriu a boca. Até que, já à porta a sairmos da loja, ele larga-me a mão, com ar de quem já não aguenta, entra a correr, vai direito a uma zona de camisas aos quadrados e berra: "MÃEEEE, ESTA CAMISA MESMO FEIA É IGUAL AO BIBE DA MINHA SALAAAAA!!!!!"