domingo, 25 de agosto de 2013

Das pessoas que nos emigram ou o meu mano zuca

O meu único irmão, mais novo do que eu quase uma década, emigrou para o Brasil há um par de anos. Engenheiro de formação, não hesitou em agarrar uma oportunidade de emprego atractiva e rumou até São Paulo com a mulher. Baba e ranho na despedida, coração apertadinho, todos os clichés possíveis e imagináveis.

Custou-nos a todos, mas sobretudo à minha mãe, que viu o cordão umbilical que ainda nos liga a ela tipo carrapatos esticar-se ainda mais (já chegava a Alcochete), desta feita por cima do Atlântico. Obviamente, agora tudo é mais fácil, com Facebook, Skype e afins, onde nos vamos mantendo a par das novidades e ele vai vendo as parvoíces dos sobrinhos. 


E onde vamos percebendo o processo de "abrasileiramento" do bicho. Um destes dias, em amena cavaqueira connosco, quando se deu conta das horas saiu-se com um "Já me ferrei, perdi o ónibus", mas com o sotaque mais lisboeta que se possa imaginar. O miúdo está-me a ficar ridículo. Não bastava ter sido brindado - premonitoriamente, digo eu - com o belo nome brasileiro de Mauro, pois que já se está a dar uma preocupante metamorfose e eu temo que ele nunca mais seja o mesmo. Não tarda, está a responder a tudo com "Oi?" ou com palavreado assim do género "Moçooo, não corta o meu barato vai! Oh qui linda essa suéta márron, olha só o paletó que tá na vitrine por tráis do orelhão ao pé do cáuçádão, e hoje é o meu niver e é muito legáu, eu tô indo prá Marquéis dji Sapucaí!" ou algo semelhante.

O meu irmão emigrou há um par de anos e isso entristece-me. Porque praticamente só o vejo no Natal, porque ele está a perder o crescimento dos sobrinhos que o adoram, porque os nossos pais não vão para novos, mas sobretudo porque me dá nojo um país onde se voltou atrás uns valentes anos e os jovens são forçados a sair em busca de uma vida melhor.

Entretanto, emigrou também a madrinha do meu filho mais velho e família para a Irlanda e, agora recentemente, outros bons amigos com a respectiva prole, para o Canadá. E sim, eu sei que vão ter uma vida melhor, tenho a certeza que serão felizes, a ideia de haver umas casinhas pelo mundo fora onde possamos ser recebidos agrada-me (ainda não consegui ir ao Brasil...), mas somos cada vez menos nas festas e jantares que até há pouco tempo iam aumentando de quórum com o nascimento dos filhos. 


E isso entristece-me.

2 comentários:

  1. Pois é, e para quando a visita ao Brasil? Alugamos um apê em Copacabana... ;)

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    1. Andamos todos cheiinhos de vontade...

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