segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Do fim dos livros, ou a apologia de Gabriel Allon

Uma das coisas que mais me custa é a sensação de vazio ao terminar um livro. Pior ainda quando se trata de um ciclo completo de livros.
Senti isso quando cheguei ao fim da Guerra dos Tronos, mas por sorte a série televisiva sempre deu para matar saudades. O mesmo aconteceu com os calhamaços do Ken Follett que também deram origem a séries, para meu gáudio. Mais recentemente, passou-se com o romancista norte-americano Daniel Silva e os seus livros dedicados ao espião israelita ao serviço da Mossad, Gabriel Allon.

Sou uma pessoa que quando gosta de um determinado autor não descansa enquanto não lê tudo dele. Neste caso bastou um livro para ficar rendida ao personagem principal. E como todos os livros seguintes, embora com tramas estanques, estão interligados pela evolução da vida pessoal de Gabriel, depressa fiquei absolutamente dependente. Ele era Gabriel nos transportes, Gabriel na depilação, Gabriel numa mão, colher de sopa à boca da criança na outra.
Terminei hoje a série, 13 livros depois. Tê-la-ia acabado há mais tempo não fora o Daniel S., esse grande querido, ter decidido fintar-me publicando mais um livro em meados de Julho. Eu, convencida que estava que iria acabar a saga e ir de férias sem pensar no conflito Israel-Palestina. 

Acabei de ler o dito no cabeleireiro, que não é propriamente um sítio dado à tertúlia literária (quer dizer é, mas da Lux). Eu ali a precisar de um ombro amigo que me consolasse na tristeza de fim de livro e nada! Eu de ar carente, a querer dizer à miúda das madeixas "Oh rapariga, tu tás a ver que isto se me acabou? E agora pá?" Nadinha, nem um pingo de compaixão! E agora? O que faço? Seguia estas personagens há meio ano!!!! Acompanhei-lhes o percurso, as peripécias, pois que chorei, confesso, irritei-me muito, e agora sinto-me órfã de livros. Na última página (e por saber que, até ver, não há mais) juro que até me arrepiei, de feliz que fiquei pelo que aconteceu às minhas personagens favoritas. São meus amigos que raio! Vieram de barco comigo todas as manhãs! (Grande Gabriel Allon por ali a fora, Montijo-Cais do Sodré) E agora, pergunto eu, para onde vão eles? De licença sabática?! O autor não pensa neles quando vai de férias? Estarão bem de saúde? Toda uma série de dúvidas que me atormenta.

Não me sinto capaz de começar outro livro, muito menos de considerar a possibilidade de descartar já este herói. Com a agravante de tudo ter ficado em aberto: é óbvio pelo final do livro que a saga é para continuar. Mas e agora a raça do homem demorará quanto tempo até cuspir outro destes cá para fora?! Não tenho vida para isto, sou uma pessoa que se enerva. Por isso, Daniel, filho, se me estás a ouvir, que eu sei que tu aqui vens como anónimo à casinha da Boneca, LEVANTA O RABO DE ONDE QUER QUE ESTEJA ABOLASTRADO E ALA PRO COMPUTADOR MEU MENINO! 

(E já agora dá lá uma palavrinha ao George R. R. Martin que já está em boa hora de vir à cena mais um da Guerra dos Tronos!)

Pronto, agora que desabafei já me sinto mais calminha.

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