quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dos 10 anos

Neste mês de início do blogue faço 10 anos de casada. 10-anos-dez! Eu que até nem sinto o peso dos quase 37 anos, olho para esta data e sinto a passagem do tempo nos ossos. Mas também me sinto feliz. Porque tenho dois filhos para mostrar, uma vida preenchida e muito mimo acumulado. 

Tenho três homens em casa. Logo, há muito mimo. Mas também há berros, cenas de pugilato, tampas de sanita levantadas e pêlos no lavatório. Não há o devido respeito por cremes caros, pela diferença entre rosa, coral e salmão (que também pode ser uma cor) e por lágrima fácil. Os pincéis de maquilhagem servem para demarcar balizas, os colares fazem excelentes armadilhas anti-irmão mais novo (diz que aleija os pés), mas vai-se a ver até gosto do tumulto e já não passo sem ele.

Mas de volta aos 10 anos. 
Estar-se há 10 anos com uma pessoa é bom, mas bom-bom é haver uma pessoa que queira estar há 10 anos connosco.

Tenho um marido sui generis. Não tendo sido abençoado com o dom do romantismo e da fofurice, que não, é capaz de algumas demonstrações peculiares de afecto. Como aceder a fazer uma tatuagem igual à minha aquando do nascimento do nosso primeiro filho mesmo não achando grande piada a tatuagens, como comer um peixe nojento que fiz numa das minhas primeiras incursões à cozinha, em que não pus sal nem tirei as escamas ao dito ("até nem está mau, sabe a mar!"), enfim, pequenas coisas que às vezes me fazem pensar que o romantismo é sobrevalorizado. O romantismo está na intenção de quem faz algo apenas para agradar ao outro, o que for, nem que seja conter-se quando a vontade é seguramente de gritar "MAIS UNS SAPATOS?!". Pequenos nadas, como ficar a rebentar bolhas no computador ao meu lado enquanto eu estou a trabalhar até tarde, ou permitir que lhe interrompa o raciocínio para lhe corrigir o português. Ou como não me dizer directamente quando estou com mau hálito, mas sair-se com um "já não comes há algum tempo, não é?". Na verdade, ele acolchoa-me o coração e faz com que os anos passem sem que eu dê por eles. Obviamente nem tudo são rosas, mas posso afirmar com convicção que são - vá - gerberas, o que também é boooom!

Agora, mau-mau é uma pessoa atingir o marco de 10 anos de casamento e descobrir que faz "bodas de estanho ou zinco". É que francamente! Assim mesmo que se quisesse invocar o romantismo, convenhamos! Não havia nada mais nobrezinho, hein? Posto isto, resolvemos rebaptizar a porcaria das bodas e chamar-lhes "bodas de gomas de melancia", que é bem mais giro e presta a devida homenagem aos quilos que já consumimos nestes anos. 

Não sabendo se chegaremos vivos às Bodas de Ouro, haveremos de ter direito a bodas bem mais honradas, como as de Cristal aos 15 anos, as de Porcelana aos 20, e antes de chegarmos às famosas de Prata, passamos pelas Bodas de Palha aos 23 anos (p'lamordedeus, é burro quem atinge este marco?!), sempre almejando chegar às tão aguardadas "Bodas de Crisoprásio", no caminho para as afamadas "Bodas de Heliotrópio".

Credo.  


9 comentários:

  1. "permitir que lhe interrompa o raciocínio para lhe corrigir o português" estou a ver que é de familia..ahahah eu irei para as bodas de..não sei, o que se faz aos 2 anos de casamento? É que não ligo nada a essas coisas...

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    1. 2 anos: Bodas de Algodão. Podia ser pior... ;)

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    2. Para mim é terrível que atenho assim um medo a roçar o pânico de bolas de algodão...eu sei, é ridículo, mas aos 29 anos ainda não consegui ultrapassar!!

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  2. muito bom... já mandei umas gargalhadas... só tu mesmo...
    adorei a do peixe com escamas... Ele sofre...

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  3. Não são só 4 pessoas que vão ler este blogue, ó boneca! Esta tua coleguinha tb está aqui, gostou do que leu e vai passar por aqui diariamente, ou quase, ou sempre que possa pronto!

    Alex

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  4. "SABE A MAR"... hahahaha fucking brilliant, é o que é!

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    1. Adorei o cognome, pá, já fico menos zangada, prontosssss! (Alguém anda a ler posts velhos?)

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    2. agora que não escrevo, tenho tempo de ler tudo de trás para a frente

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    3. VAI MAS É ESCREVER, CATANO!

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