sábado, 31 de agosto de 2013

Eu, que recorro ao leque na óptica do utilizador, me assumo

É verdade. Assumo. Eu uso leque.

(Pausa para gargalhadas)

Tudo começou com os calores da gravidez, que subiam por mim acima a uma velocidade estonteante (até porque subirem por mim abaixo presumo fosse mais complicado). E foi ao dar por mim a olhar com inveja para uma velhota a abanar-se freneticamente com um leque que pensei "Que se lixe, Boneca Maria, tu vais arranjar um leque e é já". Posto isto, lancei-me à procura de um que, pelo menos, fosse giro, estiloso, que quando sacasse dele o primeiro pensamento não fosse "Olham'aquela gorda armada em velha", e sim "Uau, grávida giraça, deve ser arraçada de sevilhana". Pois que comprei um giríssimo no Corte Inglês, mesmo como o das sevilhanas, de madeira, com as cores-fetiche preto e vermelho às bolinhas, tudo a que tinha direito. Acontece que a raça do leque - tal como os originais - sendo de madeira, fazia um estardalhaço descomunal cada vez que se abria e fechava. Fazia efectivamente aquele efeito maravilhoso de abrir e fechar num segundo, mas caramba, era um verdadeiro cagaçal!

Resultado: lá despercebida não passava eu. Tentava, que tentava, sacava bem devagarinho do dito, assim em câmara lenta, a olhar para todos os lados a ver se ninguém notava e ouvia-se um
TRRRRRRRRRRÁAAAAAAAA!!!!!!!

E TODAS as cabeças se voltavam a olhar para mim. É que nem durante o processo de abanicanço a porcaria do leque conseguia ser discreto. Mas aqui falta-me a onomatopeia para ilustrar. Lamento.

Depois de "desengravidar" continuei fiel ao leque, já era praticamente uma imagem de marca do meu Verão, até o meu filho ter pegado nele e arrancado duas varetas (ou lá como se chamam os pauzinhos). O som nunca mais foi o mesmo... e nem o aspecto, parecia um velho desdentado... um desconsolo.

E assim começou a procura de um novo leque, desta feita com uma única característica em mente: o silêncio. Tinha de ser um leque silencioso. Lá o encontrei, por acaso, na exposição da Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda. Parece feito de um lenço de namorados, gostei bastante dele. O rapaz que estava ao balcão é que ficou a olhar para mim como se fosse louca quando lhe perguntei se sabia se o leque fazia barulho. "Barulho?! Como assim, barulho?! Minha senhora, é um leque..." Sim, criatura, eu sei que não é um pífaro, pl'amordedeus. Enfim, lá o trouxe comigo.

Mas agora chateia-me que ninguém olhe para mim a abanicar-me. Caraças.


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