sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Querido Professor Urbano

"Na cadeira de Produção Textual do Curso de Pós-Graduação em Tradução da Faculdade de Letras de Lisboa, que dirijo há vários anos, combinando alguns conhecimentos teóricos de narratologia e poética com exercícios de escrita criativa, propus, numa manhã de Primavera, aos alunos que desenvolvessem, cada qual a seu modo, o início de um conto preparado por mim, expressamente ambíguo para deixar abertas várias pistas de leitura e efabulação.
    Desse grupo de alunos, todos eles já licenciados e de origens académicas diferentes, com boas provas dadas durante o ano, saíram textos diferentes uns dos outros o suficiente para tornarem o conjunto deveras interessante e, ao mesmo tempo, com semelhanças geracionais, de cultura e sensibilidade. (...)
São efectivamente treze contos obrigados a mote e mais um, o que eu acabei por escrever também. Encantado com o resultado da experiência, desejei (desejámos) partilhá-la com outros leitores e escreventes.
    Passam agora estes contos do espaço universitário, onde nasceram, para a banca das livrarias.
    Ao público, a todos os públicos, obviamente, cumpre ajuizar do seu valor.
    Pessoalmente, arrisco a previsão de que alguns destes jovens serão amanhã não só tradutores, mas também escritores." 
                                                        Urbano Tavares Rodrigues

Tive a honra de fazer o discurso de lançamento do livro, corria o ano de 2003. 

Quanto à previsão arriscada, no meu caso será que conta ter começado um blogue 10 anos depois? Uma coisa é certa, foi com o Professor Urbano que o prazer da escrita e o meu gosto pela produção criativa foram reavivados. Sendo eu tradutora, muitos são os dias em que me entristece reescrever textos alheios, não ter algo original que possa chamar de meu. E o Professor veio alterar isso. 

De tiragem numerada, o livro - pasme-se - não foi um best seller (aliás, desconfio que a minha mãe terá comprado 80% dos exemplares...). Mas aliou o meu nome (e o dos meus colegas co-autores) a uma personalidade incontornável do nosso panorama das Letras, o que é motivo de um enorme orgulho. E isso ninguém me tira.

RIP UTR (Dez. 1923 - Ago. 2013)





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