sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A primeira massagem aos pés que foi a última

Este podia bem ser um post sobre uma tentativa de massagem por senhor meu marido, portador de uma inabilidade inata, a qual, aliada à falta de noção da força que possui, resultaria num metatarso meu partido.

Mas não. É mesmo sobre a primeira massagem que euzinha, esposa dedicada, tentei dar-lhe. Nos pés. 

Munida da maior das boas-vontades, pensei, se eu gosto tanto de massagens nos pés e se ele nunca experimentou uma, por que não pôr em prática o ensinamento da catequese "faz aos outros o que gostarias que te fizessem aqui" (se bem que o gajo nunca percebeu a indirecta...)? Ainda por cima, tendo eu tido o privilégio de experimentar, há bem pouco tempo, umas massagens maravilhosas de reflexologia, pensava estar na posse de todo um manancial de conhecimento podal.

E deitei mãos à obra. Munida de todo o material de tratar pés (embora ache que uma rebarbadora tinha dado jeito), atirei-me aos presuntos conjugais como se tivesse baixado em mim o espírito da podóloga.

A coisa até correu bem, pequeno presunto ficou macio-macio, peles mortas nem vê-las e a massagem, diz ele, agradou-lhe bastante. Ora acontece que uma pessoa não faz massagem a seco, não é verdade? Pois que lhe junta um óleozinho cheiroso e, no caso, um creme bem gorduroso para ver se trazia alguma alegria aos pedaços de xisto que esposo afectuosamente chama de sola dos pés. Juro que se me passasse os pés pelas costas, me fariam sulcos na pele de tão ásperos. Assim sendo, vá de besuntá-los bem com gorduranga, quer dizer, com um bom creme gordo para hidratar pézinhos. 

Ai maravilha, sinto-me mais leve, isto afinal é bom, até percebo por que as gajas gostam disto e... o homem desaparece-me atrás do sofá. É que deixei de o ver. Só tive tempo de vislumbrar uma perna alçada no ar, dois chinelos a voar, e o som dos costados do homem a bater no chão (ou dos ossos dele a partirem-se, na altura não soube distinguir). Pois que o senhor, não habituado às lides estéticas, não limpa a sola dos pés a nada, bota as havaianas e dá (ou tenta dar, vá) um passo em frente, todo contente com os pés novos. Com os ditos carregados de creme. Do mais gordo, gorduroso, um abuso (aquilo estava mesmo áspero...). E mandou um tralho à desenho animado como eu nunca tinha presenciado: uma perna para cada lado e um sonoro impropério acabado em ALHO e ficou-se para ali estendido no chão não sei agora precisar durante quanto tempo. Isto porque eu pus-me na alheta, nunca fiando.

Diz que foi a última massagem que lhe fizeram.

8 comentários:

  1. wow consegui escrever primeiro que o carteira vazia!!!!!

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  2. Eu tenho tanta, mas tanta pena do teu marido!

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    1. Não tenhas, eu sou muito fofinha!

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  3. O que eu me ri, ai-oh-pah!!!! (Ainda para mais hoje... que estava a precisar tanto disso... Muito obrigado!)

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    1. Não sei quem és, mas ainda bem que pude ajudar! ;)

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  4. Boneca tenho a dizer-te q és fantástica!! O q eu me ri agora mesmo com o espalhanço do teu marido. Estava eu ansiosa p ver no q ia dar a tua massagem e de repente parto-me a rir com "perna alçada no ar, dois chinelos a voar..." Foi simplesmente fantástico, é q eu imaginei mesmo a cena e pronto, tive q me rir!!
    Parabéns pela maneira como escreves e obrigada por me pores bem disposta.
    Bem hajas e um bj da Tânia.

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    1. Tânia, obrigada pela simpatia, folgo em saber que as nossas parvoíces servem para animar outras pessoas que não apenas nós. Sim, porque nós somos os primeiros a rir! ;)

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