terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dos amigos que nos morrem

Nota prévia: considero-me uma pessoa nova.

Logo, tendo em conta a nota prévia, acho contra-natura haver tanta gente à minha volta que já morreu. E não estou a falar de avós, tios velhotes, mas de malta nova, 20, 30 anos, na flor da vida. 

Tudo começou com o meu primeiro namorado, uma morte estúpida por acidente, tinha eu 16 anos e ele 18. Já não namorávamos na altura, senão teria sido bem mais traumatizante, mas tinha ainda um grande carinho por ele. O que mais me magoou foi não ter podido ir ao funeral, pois como estava na viagem de finalistas, a minha família optou por não me contar o que tinha acontecido e quando cheguei já havia passado algum tempo.

Depois duas mortes por doença, de amigas que tinham sido da minha turma de 10º ano: uma com um tumor na cabeça, na casa dos 20 (acompanhei tudo de perto até ao fim), a outra com uma infecção no fígado, na casa dos 30 anos. Filhos pequenos deixados.

Vieram depois os suicídios, dois quase de uma assentada. Um choque, duas grandes amigas, uma como se fosse da família. Esta custou-me horrores. Acho que não passa um dia que não pense nela e que não "lhe" pergunte porquê. Resta-me a consolação de acreditar que a tenho como meu anjo da guarda. A outra amiga deixou um filho pequeno, entregue ao pai que motivou o suicídio. O que mais me custou? Vê-lo no funeral, muito combalido, como se não tivesse sido ele o causador da desgraça. A gota que fez transbordar o copo foi quando ele agarrou no caixão para ajudar a carregá-lo. Foi aí que não aguentei e me dirigi a ele, não podia permitir aquilo que para mim era uma afronta à memória da minha amiga. Apenas me saiu um "Mas não tens vergonha?!", mas foi o suficiente para que, pelo menos, ele não tivesse levado a sua avante.

E a morte de um filho? Inenarrável, acompanhei um casal amigo na cremação da filha de dias, e é algo que nunca vou esquecer.

O meu padrinho de casamento entretanto também se foi, com cancro, tal como uma colega muito querida de todos no trabalho.

São demasiados funerais, detesto-os, acredito que não haja ninguém que goste, obviamente. Acontece que o que se passa comigo é que eu, egoisticamente, não me sinto só triste pela pessoa que morreu e respectiva família: não consigo evitar pôr-me na posição de quem cá fica e chorar, muito, pensando que um dia inevitavelmente estarei eu naquele lugar. O de alguém que perde uma pessoa insubstituível.



(E o arrepiante que é ainda ver a página de algumas destas pessoas no Facebook...?)


1 comentário:

  1. a morte em qualquer altura da vida é uma situação péssima. Não fomos feitos para sofrer dessa maneira e acho injusto tambem dizer-se que aquela pessoa merecia morrer, epah, isso é estupido. Não sou pai, mas gostava, mas perder-se um filho é perder-se tudo. tenho casais amigos que isso aconteceu e foi horrivel. a vida deles acaba ali por assim dizer... nem há palavras...

    http://ocarteiravazia.blogspot.com/

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