terça-feira, 17 de setembro de 2013

O peso da palavra desculpa

Ultimamente tenho-me dado conta, com algum pesar, que dou demasiada importância a uma palavrinha que está, cada vez mais, a cair em desuso. 

Para mim, embora seja pequena, é uma palavra que resume uma pluralidade de outras, como "lamento muito ter feito o que fiz, prometo que vou tentar que não se repita". Significa um reconhecer do erro ao mesmo tempo que uma tentativa de reconciliação. Mas o ponto fulcral é que seja sincera, um "desculpa" só porque sim não só não tem qualquer valor, como para mim é ofensivo, transmite algo como "estou positivamente a borrifar-me para ti e para o facto de poder ter feito algo que não te agradou" e isso deixa-me por vezes mais magoada do que o acto que lhe está na génese.

Será assim tão difícil dizê-la, custa assim tanto pronunciá-la, dará um sinal de fragilidade, o que se passa? Palavra de honra que não consigo perceber. Para mim é límpido, cometo um erro, peço desculpa, esbarro com alguém, peço desculpa, chego atrasada e deixo pessoas à minha espera, peço desculpa, faço algo que até nem percebo bem o que foi, mas percebo que deixei alguém aborrecido comigo, pois que peço desculpa. Caramba, será assim tão complicado?!

"As desculpas não se pedem, evitam-se" já ouvi inúmeras vezes. Mas tenho para mim que isto só servirá quando efectivamente se evita algo. Quando o mal está feito, resta-nos dar o braço a torcer e admitir que errámos. E de que melhor forma poderemos reconhecê-lo do que com a palavrinha mágica, hein? Façamos um exercício de concentração colectiva. Com esforço, a convivência poderá vir a ser muito mais saudável.

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