segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As festas da freguesia

A época das festas da freguesia de S. Francisco em Alcochete deve ser a única altura do ano em que maldigo a minha vida, penso em mudar de casa e tenho alucinações em que agarro numa motoserra e esventro uma série de gente. Às vezes, essas visões chegam a envolver catanas.

São 4 dias verdadeiramente demoníacos, em que não há respeito pela hora do descanso das pessoas, e em que dá uma travadinha aos nativos, que saem à rua, eles dizem que é para se divertirem, eu digo que é para enfernizar a vida de quem não gosta particularmente de bailaricos. É que a freguesia é um sítio pequeno, tem uma rua principal (onde eu moro) e pouco mais. Logo, tudo o que se passa, todo o barulho, sobretudo o dos concertos que começam às 22 e acabam sabe Deus a que horas, é amplificado e ouve-se em absolutamente toda a parte. E estamos a falar de festas que começam numa quarta e acabam no domingo seguinte. Ou seja, de entremeio, há dias de escola para os miúdos, que sofrem com a barulheira infernal dos cantores pimba convidados para animar a festarola. Garanto que ouvir a Romana numa quinta-feira à 1 da manhã é coisa para desaustinar a criatura mais pacata, fará um mau-feitio como eu.

E como se não bastasse animarem-nos a noite, as festas da freguesia animam-nos as manhãs. Houve uma alminha esperta que se lembrou que se devia assinalar a alvorada com lançamento de foguetes todos os dias das festas às 8 da manhã. Ou seja, houve berraria de cantores de qualidade duvidosa até às 2 da matina e às 8 tomem lá uma saraivada de foguetes para acordarem fresquinhos, fresquinhos! O apogeu da festa é o seu encerramento no domingo às tantas da noite, com um arraial de fogo de artifício mesmo bom para pregar cagaços de morte às crianças que, ao outro dia, começam uma nova semana de escola.

Confesso que há pormenores que me agradam bastante, como a parte dos comes e bebes, claro. O belo do pão com chouriço, o churro de chocolate, a fartura e, confesso, a bela da sandes de coirato cozido e de entremeada é paparoca que degusto praticamente todos os 4 dias das festas, sem qualquer pudor. E também os miúdos adoram ir aos carrosséis e enfrascar-se em algodão doce. Mas bem pesadas as coisas, aqueles 4 dias do demo (houve tempos em que eram só 3, mas a mesma criatura deve ter achado que era pouco) dão-me cabo do juízo e ando com os nervos em frangalhos, e também não ajuda nada os foliões cheios de minis no bucho irem mijá-las todas as noites à porta da minha garagem. 

No dia em que haja um atentado à bomba no meio das festividades, vou ser a primeira suspeita. Desde já digo em minha defesa que eu cá só explodia o coreto onde as criaturas cantadeiras vão balir. O resto pode ficar que eu não me importo.

4 comentários:

  1. Como eu te compreendo, Boneca....

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  2. eu adoro essas festas... o que me divirto a ver essa gente a dançar nos bailaricos...
    porque n me convidaste?
    por norma vou às do Barreiro, por causa da musica, pelo menos não é só pimbalhada.

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    1. Para a próxima não te safas. It's a date.

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