quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Frases que eu nunca pensei fossem sair desta boca

Houve frases durante a minha infância e adolescência que, quando proferidas por mãezinha de mi corazón, me tiravam do sério, me faziam sentir tremendamente injustiçada, com vontade de me matar, ou então apenas de fugir de casa. Cheguei a tentar, decidi passar a noite na garagem, mas depois cheguei à conclusão que não havia televisão lá e isso não dava lá muito jeito. Durou mais ou menos uma hora e meia esta aventura doidona.

Mas adiante. Hoje em dia dou por mim a repetir ipsis verbis as ditas frases. E a ver o meu Máivelho espumar de raiva por ouvi-las, tal qual euzinha há umas décadas. Só espero que ele não decida fugir para a garagem, que a minha até é confortável e quentinha e tem um belo sofá-cama.

Passo a enumerar os exemplos (não sei se se nota mas eu gosto muito de listas):
- "Porque sim!": frase que mais me tirava do sério e que ouvia, em média, 10 vezes por dia. Serve, sobretudo, para quando acabam os argumentos e queremos apenas servir-nos da nossa autoridade e significa exactamente "cala-te puto, já não te posso ouvir, estou aqui a controlar-me para não te dar semelhante vergastada nesse rabo, por isso desiste enquanto é tempo, para teu bem";
- "Eu é que sei!": frase que não quer dizer absolutamente nada, mas que também se usa quando os argumentos esgotam bem como a paciência;
- "Porque quem manda sou eu!": outra que tira uma criança do sério, mais ainda uma adolescente com pêlo na venta;
- "Não somos iguais pois não?": responde à pergunta "Mas por que é que tu podes ficar a ver televisão e eu tenho de ir para a cama???", ou a quinhentas outras comparações em que o adulto faz exactamente aquilo que diz ao desgraçado mais novo que ele não pode fazer;
- "Por acaso sou tua criada?": dito 43549 vezes por dia, sobretudo depois de se arrumar pela enésima vez os mesmos carrinhos;
- "Estas cuecas são de quem?": OK, a minha mãe não me dizia esta, mas eu passo os meus dias a apanhar cuecas do chão;
- "Julgas que estás a falar com quem?": precede invariavelmente a frase "Sou tua mãe não sou um dos teus coleguinhas!"
- "Escusas de me olhar com esses olhos de vinagre que não me metes medo": esta deixava-me bastante raivosa, aliás, nem sequer percebia o que eram olhos de vinagre. Continuo sem perceber lá muito bem, mas digo-a aos meus filhos;
- "Olha para mim quando falo contigo", ou "Não me revires os olhos", imensas frases na temática ocular, vá-se lá saber porquê;
- "Já só faltam duas colheradas", e depois dar mais 17 ao miúdo e ir sempre dizendo "vá, esta é que é a última", "só mais uma", "só mais esta": irritava-me a mim, agora irrita-os a eles. A isto se chama passar o legado.

Com orgulho afirmo que inventei uma frase de que a minha mãe nunca se lembrou, para minha sorte, senão tinham sido belas temporadas passadas no WC: "Agora vais um tempinho para a casa-de-banho pensar na vida e só sais de lá quando eu disser!" Será, portanto, um orgulho, se o meu filho daqui a uns anos (muitos, espero eu) atormentar os meus netos com esta bela ideia.

5 comentários:

  1. Nunca usaste a "tás aqui, tás a levar uma bolacha"? (isto era o meu pai, a ameaçar dar uma palmada... e durante todo o tempo só me deu uma "bolacha", que eu respondi "também não doeu!!!" e pronto, fiquei a saber como era a doer, seguido da pergunta "e agora, já doeu?".... e foi uma lição para a vida!)

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    1. Sim, já ouvi muitas vezes a resposta "não doeu"... Respondo "AI QUERES QUE DOA É??!" :) É um processo difícil...

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  2. eu fugi com uma mochila verde para casa dos meus avós....mas depois os meus avós convenceram-me a voltar...não me lembro porquê....

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  3. ahahahahahahahaha
    obrigada!

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    1. :) sempre às ordens! É das que ouviu as ditas frases ou agora as diz?

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