terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os nomes das pessoas

Senhor meu marido é uma pessoa que gosta de agradar ao próximo. E uma particularidade que acha importante nesta demanda é utilizar sempre os nomes próprios das pessoas. Mesmo que nunca as tenha visto mais gordas, como por exemplo nas lojas. Lê as placas que ostentam o nome e trata-as imediatamente como se fossem comadres e compadres "Olá, Ana, podia mostrar-me aqueles ténis?". Ou ao telefone, "Boa tarde, está a falar com o Manuel" "Olá, Manuel, preciso de uma informação sua". É coisa que me complica um pouco os nervos, mas enfim, é lá com ele e até agora nunca ninguém lhe deu uma resposta torta do tipo "Oiça lá, mas você conhece-me de algum lado para me estar a tratar pelo nome?!"

Acontece que, se queremos ser fofinhos e simpáticos e tratar as pessoas pelo nome convém atentar num pormenor importantíssimo: acertar no nome. Ora, Senhor meu marido tem um factor contra ele que, digo eu, faz toda a diferença. Ele tende a esquecer-se do nome de toda a gente. E é assim que, tentando ser amiguinho dos vizinhos lá do prédio, troca os nomes de todos "Bom dia João Jorge!" "Errr, eu sou o José Jorge". "Olá Maria" "Joana..." e assim sucessivamente.

Eu já lhe disse "Homem, ninguém vai levar a mal se apenas disseres boa tarde, ou mesmo, boa tarde vizinho, não achas melhor do que chamares às pessoas nomes que não são os delas?!". O desgraçado do homem da horta em frente a casa onde nos vamos abastecer anda há pelo menos dois anos a ser tratado por Celestino, quando a mãezinha dele lhe deu o belo nome de Diamantino. Mas foi educado, nunca lhe disse nada. Só quando o meu marido ouviu a mulher chamar-lhe o nome de baptismo é que comentou comigo "Olha, ando a chamar-lhe um nome diferente há anos e ele nunca se queixou. Tás a ver?"

Pois sim, estou a ver. E é que nem assim ele me dá razão. Raça do homem. 

5 comentários:

  1. sabes que um padre casou uma amiga minha com um Rafael, quando o noivo se chamava Gabriel?
    Tás a imaginar o fartote?

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  2. Pois como eu compreendo o Sr. Seu Marido... Eu sofro do mesmo. Gosto de tratamento personalizado, o que e' que se pode fazer? Ale'm do mais sempre achei muito mais u'til e fa'cil chamar um colaborador de um restaurante pelo nome do que andar a tentar estabelecer eye contact como uma stalker carente.
    E se ha' coisa que gosto e' de cracha's com o nome da pessoa escarrapachado no lado esquerdo da farda... Que alegria! E' so' ler, nao tenho que perguntar.

    Ah! And by the way... muito me orgulho do cracha' que eu uso (por motivos profissionais entenda-se - nao sou uma louca que anda com o nome ao peito pela rua) e quando me esqueco dele sinto-me mais uma, em vez da M.

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    1. Mas M, e o belo "oh amigo!" "Oh coisinha!", ou o maravilhoso "Grande chefe!" (Como diz senhor meu pai, que me tira do sério)? E quando podíamos utilizar estas pérolas, hein?! ;)

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