quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A minha lagartixa de quase-estimação

Disclaimer: amiguinhos dos animais, afastai-vos deste post. Vai haver violência gratuita. Depois não digam que não vos avisei.

Era uma vez uma lagartixa que resolveu que o melhor sítio para viver seria no friso da porta da minha garagem. No friso, ou seja, naquele sítio onde a porta encosta ao coiso (epá eu sei lá o nome daquilo) para fechar. Quer isto dizer que enquanto o bicho lá estivesse eu não podia fechar a porta. Bom, pensava eu, porque só mais tarde percebi que aquilo tinha um buraquinho de folga que era onde a criaturinha se enfiava.

Mas até descobrir, penei. Primeiro, tentando convencer o bicho a sair. Ora eu sou uma pessoa que tem nojo de lagartixas. Por isso, tentei convencê-la a sair assim de longe. Tipo, xô daqui bicho gosmento. Depois a bater o pé no chão e a agitar os braços. E a lagartixa "Ya, filha, deves ter sorte, deves, até me está a dar um certo gozo ver-te a fazer figura de totó e estares já a suar com medo de perder o barco e teres de dizer à chefe Ah e tal foi uma lagartixa". Depois passei-me dos carretos e foi à vassourada. E o bicho ficou preso na vassoura AAAAARGH CA NOJO. Pronto, raspei-a (viva!) na relva e fui tirar o carro. Saio do carro para voltar a fechar a porta da garagem e a criatura já estava em frente a uma roda. Olha, passo-te a ferro, Deus me perdoe e acaba-se com isto, que já estou atrasada. E arranquei assim meio de olhos fechados, à espera de ouvir o barulhinho de ossos de lagartixa a partirem-se. Mas nada.

Ora quando voltei à tarde lá estava a cabrona, juro que a vi a rir-se para mim e a pensar "Olá, querida, welcome hoooooome", e desta vez não houve nada que eu fizesse para a demover. Até a baptizei - Henriqueta - para o diálogo ser mais intimista, mas nada. Lá estava ela, dentro do friso da porta. E eu pensei, não tenho vida para isto, vou fechar a porta, esborracho-a e peço a Senhor meu Marido para vir cá fazer-lhe o elogio fúnebre. Bumba, atirei-lhe com a porta nos queixos. E, obviamente, o homem não se dignou a ir recolher o cadáver, grandessíssimo insensível.

Ao outro dia "RELOU! Tá-se, Boneca?!" %%#£$¥+<# Catano que já me estava a passar com o bicho! Aí percebi que de facto havia ali uma folga e eu cheia de remorsos que tinha escangalhado a Henriqueta e ela toda lampeira escondida. Não estive de modas, por isso, levou um biqueiro que nem sei onde fui buscar a coragem, só parou na estrada, agarrei no produto das formigas e fumiguei-lhe o T1. E o que é certo é que nunca mais vi a Henriqueta. Nem o rabinho para contar história. Não sei se comeu o pózinho e lhe deu uma diarreia, se o snifou e ficou ganzada, se ficou ofendida com a acção de despejo, mas devo confessar que ando sempre a ver se a vejo. Será saudades?

8 comentários:

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    1. Tive uma gata que durou 19 anos e meio... acho que foi por causa do sobor das ditas, é que nuuuuuuunquinha mais ouve lagartixas a rondar a porta, hehehehehe.
      (Queres uma gata, Boneca, queres???)

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    2. Tive uma siamesa 12 anos que também achava as lagartixas um pitéu :)

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  2. Aqui no meu burgo (trabalho), apareceu uma que baptizei de Geraldina.
    A Geraldina todos os dias dava o "ar da sua graça", ou atrás duma porta, ou no meio das pastas de arquivo...enfim.
    Atendendo á berraria da mulherada cada vez que a bicha aparecia, um colega entra no escritório de vassoura em riste, e eu nunca mais a vi :(
    Eu acho que são saudades :)

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    1. Valha-me Deus que assassinaram a Geraldina à vassourada!

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  3. Adorei eu e meu marido até choramos de rir com o seu texto,kkkkkk

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    1. Boneca Maria, a unir casais desde 2013! ;)

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