quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Eu cá não gostava de estar na pele do meu vizinho de baixo

O meu vizinho de baixo já ganhou um lugarzinho no céu, à sombra da nuvem mais fofa e cintilante que lá houver. E isto pelo simples facto de ser... o meu vizinho de baixo. Basicamente, a geografia já lhe garantiu o Paraíso, nada mau para quem vive em S. Francisco de Alcochete.

Efectivamente não deve ser nada fácil morar por baixo de mim (salvo seja) e da minha prole. Eu própria às vezes tenho dificuldade em viver connosco, fará uma pessoa que não é obrigada a tal pelas leis da natureza. É que Máinovo e Máivelho começam o dia às 8h, o que não é muito cedo bem sei, mas fazem uma entrada em grande: berros escada abaixo só porque sim, regra geral um porque não quer vestir o uniforme da escola, preferia ir de pijama e o outro porque tenta levar o pijama por baixo, disfarçado debaixo do uniforme e leva logo um calduço. Chegados ao andar de baixo, uma corridinha de Popocar logo pela fresquinha para despertar os sentidos. Com todas as onomatopeias automobilísticas a que têm direito. E mais berros, só porque sim. Seguidamente, mais uns quantos, enquanto lavam os dentes, e aqui a culpa é minha, que ensinei o Máinovo a abrir a boca ao som do "a-e-i-o-u", que ele grita como se fosse uma ambulância em marcha de urgência. Depois, mais berros só porque sim. Depois, berros plenamente justificados, ou por não se querer vestir o casaco, ou se querer calçar uma bota num pé e um sapato no outro e ir sem meias, ou mesmo porque queremos levar a caneca onde bebemos o leite para a escola. Ou a vassoura. Ou duas pedras. Ou porque o piaçaba não cabe no bolso. Ou porque temos comichão no rabo. Ou porque queremos descer as escadas do prédio de triciclo. Por isso, mais berros, escada abaixo, que é para acordar também os restantes vizinhos. Ou então vamos escada abaixo a gritar canções, porque para estes lados as canções não se cantam, isso é coisa de maricas. Rua a fora, mais berros só porque sim ou porque há lagartixas ao pé da garagem. Ou porque um apanhou mais molas da roupa caídas na rua do que o outro. Ou porque um quer levar uma lagartixa no bolso para a escola. Ou cocó de cão.

Tenho pena do meu vizinho de baixo. E dos restantes vizinhos do bairro. E se tivesse vizinho de cima, também teria pena dele.

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