quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O cagaço da Julieta

Não sei se já disse, mas sou uma criatura maléfica. Feiosa mesmo. E nada me dá mais gozo do que pregar valentes cagaços a quem me rodeia. Então se encontro vítimas perfeitas, ou seja, daquelas que basta um "bu" ao de leve que dão pulos de metro e meio, tanto melhor. 

E é aqui que entra a Julieta, colega de trabalho, amiga, vítima. Daquelas que basta entrar em vôo no gabinete dela sem dizer absolutamente nada (bom, na verdade, entrar em vôo faz um poucochinho de barulho) que apanha sustos daqueles de ficar agarrada ao coração para ele não saltar pelo peito. Perfeita, portanto.

Ora houve um daqueles raros, raríssimos, dias que me deu para a parvoíce, em que decidi que podia pregar um valente cagaço à senhora. Não, não foi porque sim, isso seria parvo. Teria de haver uma justificação. E então foi, porque era terça-feira. Isso. Esperei que ela fosse à casa-de-banho e fui para debaixo da secretária dela. Raça da mulher que demorou uma eternidade na casa-de-banho, já me estavam a doer as costas (castigo divino por antecipação quiçá), mas finalmente lá lhe ouvi os passinhos. 

Pensei: saio daqui em vôo, mando um berro estridente e mato a mulher que já não vai para nova e depois sou processada e ainda tenho de pagar uma indemnização ao viúvo. Epá, mas agora já não consigo sair daqui de baixo sem ela dar conta. Como lhe vou explicar o que estava aqui a fazer? Ai perdi a borracha, que viajou do meu gabinete, atravessou o corredor e veio aqui parar. Não, ai que ela já aí vem, não me pode apanhar e se decido pregar-lhe o cagaço noutro dia ela já vai saber que eu me enfio aqui e vai sempre olhar para baixo antes de se sentar, olha seja o que Deus quiser.

Resolvi fazer a coisa de mansinho. Ela sentou-se e eu juro que só lhe agarrei a perna assim ao de leve e disse "oláaaaaaaaaa!"

Hei-de viver 100 anos e não vou conseguir descrever a cara da senhora quando sentiu uma mão a agarrar-lhe a perna debaixo da mesa. Assim um misto de WTF?! a tentar processar a minha cara de parva a olhar para ela e a cumprimentá-la como se fosse a coisa mais normal do mundo, com um valente susto, com um jogo-te um pontapé na testa cabrona que eu tenho idade para ser tua mãe e tu aqui a ver se me matas de ataque cardíaco. Enfim, houve um belo grito, claro, as colegas das mesas ao lado (que já estavam a fazer um esforço para não se rirem e não me furarem o esquema há uns bons minutos) a rirem-se que nem umas perdidas, eu quase em apneia à gargalhada, tudo em bom. Aposto como terá havido umas pinguinhas na cueca, mas não pude confirmar.

O que sei é que ela não aprende. Ainda a semana passada me ligou e disse "Podes dar aqui um salto ao meu gabinete?" Ui que estás mesmo a pedi-las mulher, eu até nem queria, mas tu estás mesmo a provocar-me! É que veio de bandeja. E aqui acho que não é preciso contar mais nada. Digo apenas que envolveu uma viagem de ida muito silenciosa em bicos de pés, o tal salto que tinha sido solicitado (com salto alto fica uma sonoridade supimpa para cagaços) e um valente berro. Sou uma fofinha, eu. Cá beijinho a si própria, Boneca Maria, sua velhaca.

7 comentários:

  1. Olha Boneca eu que sou fã da nossa Julieta não posso deixar de te disser que a maldade te está nas veias! Então tu numa singela história destas, com requintes de malvadez em todo o lado, ainda tens a coragem de dizer e passo a citar "eu tenho idade para ser tua mãe" e "mato a mulher que já não vai para nova" a propósito da nossa Julieta! Então quer-se dizer tu quase a matas e ainda a chamas de velha?! Não tá certo, Boneca Maria tu és má!

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    1. Eu sou fofinha e quando estou de férias a Julieta pede a outras pessoas que lhe preguem cagaços, tamanhas as saudades que tem de mim!

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  2. huuuuum não acredito! a nossa Julieta tem qualquer coisa de louca, mas não tanto assim!

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  3. Boneca, nós somos irmãs e fomos separadas à nascença, pah! hehehehee

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  4. Opá, parti-me a rir! Ainda hoje espetei um cagaço à minha mãe que ela ia batendo no teto :) Ahaha

    Joana

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