sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Senhor meu Marido e as danças

Nunca o desgraçado do homem andou tão envergonhado e irado na vida do que na altura em que tinha danças folclóricas e ginástica rítmica na faculdade. Talvez aqui deva explicar que o homem tem dois pés esquerdos. Não, é pior, é perneta e a única perna que tem é esquerda. Bem, dito assim, soa mal. Adiante, é a pessoa com menos apetência para as danças que eu já conheci na vida (embora até seja muitíssimo coordenado a dar aulas de Body Combat e Attack, o que me parece uma enorme contradição). É penoso vê-lo tentar dançar, parece um totem gigantesco prestes a ruir e só dá vontade de fugirmos para não levarmos com ele em cima. E ainda assim não sei se consegui veicular o quão desajeitado o homem é para o bailarico.

Apresentado o enquadramento, repito: o homem, no curso de desporto na faculdade, tinha uma cadeira de danças folclóricas e outra de ginástica rítmica. 

Pausa para gargalhadas.

É que já não era suficientemente ridículo o desgraçado treinar uma coreografia ao som do senhor Vinho, de dedos no colete, ia também haver um solo de ginástica. De bola (seria pior de fita ou arco, digo eu…)

Pausa para gargalhadas.

Aqui também devo fazer um ponto prévio a explicar que o homem é muito cioso da sua masculinidade, daqueles que não põe creme que isso é coisa de gaja, gosta é de porrada, de tropa, engenharia mecânica e cenas à macho. É imaginá-lo, portanto, a tentar resgatar uma ínfima réstia de dignidade e masculinidade a atirar uma bolinha ao ar, dar uma voltinha em rodopio e apanhá-la de novo. E a pose? Assim nos antípodas da graciosidade?! A criatura parecia o primo (mais elegante) da Popota, a correr tapete a fora, como se tivesse algo entalado no rabo a querer sair. Nunca a ginástica rítmica testemunhou tantas palavras acabadas em "alho" e "ões" como no ano em que Senhor meu Marido frequentou a FMH.

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