quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

À atenção dos serviços de limpeza da Transtejo

É sobejamente conhecida a minha relação de amor-ódio com o meu meio de transporte diário, o barco. Acho a viagem agradável e a paisagem é linda, por um lado, por outro no Inverno aquilo transforma-se numa arca frigorífica e alguns comparsas de viagem têm valentes pancadas e acabam sempre por me azucrinar (óptimo material para posts "Eu atraio maluquinhos", pelo menos).

Ora desta feita a queixa prende-se mesmo com o nível de higiene do dito. E faço desde já a ressalva que a situação se deu às 8h30 da manhã, altura em que se esperaria que o barco estivesse limpo, ainda. 

Boneca Maria de Deus vai a ler uma revista, sossegadita de sua vida, tralalá, e muda de página. Ora o acto de mudar de página com luvas não é lá muito fácil. Só com uma mão, menos ainda. Se a outra mão está a agarrar um termo de chá a ferver, pior. Obviamente, a revista caiu ao chão, aberta, e eis se não quando, ao bater no chão, salta de um lado um rolhão de nheca*, e de outro um molho de cabelos, que aterraram estrategicamente nas bainhas das calças bonecais.

Primeiro impulso - conter o vómito: check
Segundo impulso - tirar aquela trampa das calças só abanando a patinha tipo cão com pulgas: check
A nheca não despega: check
Acaba-se por tirar aquilo com a mão (devidamente enluvada): check
Conter o vómito de novo: check
Verter quase todo o conteúdo do frasco de desinfectante com álcool para as mãos nas luvas: check
Olhar com ar ameaçador para o senhor do lado, quase a rebentar para não se rir: check
Apanhar a revista e esfregá-la com o desinfectante: check
Insultar mentalmente a mãe do responsável pela limpeza da Transtejo: check
Admitir que culpa possa ser dos badalhocos dos passageiros: check

Proponho assim a distribuição de toucas à entrada dos barcos e o recurso a detectores de porcaria. São sucedâneos dos detectores de metais, mas que apitam quando a pessoa está mal lavada. Li num estudo que a sua utilização é já generalizada em muitos países civilizados. Ou então sonhei esta última parte, agora não sei bem. 

* cena gosmenta de cheiro neutro composta, reza a lenda, por cotão, outros detritos, ácaros, restos de pele morta de montijense, macacos do nariz de alcochetano, eventualmente alguns cabelos, lixo em geral e porcaria em particular

3 comentários:

  1. Já andava a desconfiar, mas constato que tu és doida varrida... não são os outros que são maluquinhos, mas TU.
    eu tb gozava como o sr que estava ao teu lado, TU tb gozavas se visses umas doida como tu.
    já pareces uma colega minha que qd veio para o departemento depois de mudaças, saca de umas luvas de latex e um espanador cor de rosa... muito bom

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  2. Tens razão...mas os transportes públicos são a maior badalhoqueira possível...e agora até há quem os limpe com águas residuais tratadas...blhackkkk

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