segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A Boneca no circo

Fui ao circo. Pois fui. Como tenho ido todos os Natais desde há 8 anos.

Credo, que aquilo é só a coisa mais deprimente à face da terra, mas os putos adoram, por isso, lá vou eu a rosnar.

Passo a explicar, eu até nem desgosto de circo. Agora, neste espectáculo em particular os intervenientes usam as mesmas roupas (decadentes) há uma década, e alguém já devia ter aconselhado a apresentadora, uma senhora gordalhufa, a trocar as roupas (ou a alargá-las), visto que, de ano para ano, estas estão a ficar cada vez mais apertadas, todos os anos eu aguardo ansiosamente pelo momento em que as baínhas esgaçam e os botões saltam e a mulher faz um número de strip para a criançada. Já agora, alguém faça também o obséquio de dizer à senhora que não se diz "COLISEU DO RECREIOOOOOOS". Nem "Moulin Ruxe de Parixe". Ou "OuvisteSS Batatolas?". Ou ainda "E agora o artista vai fazer o próximo truque só com a sua força dental!"

E a parte em que trazem um filhote de leão ou tigre para tirar fotos a preços exorbitantes com as crianças? O bicho cheira a caca que tresanda e leva valentes apertões no pescoço para ficar quieto, o desgraçado. Para não falar dos vários artistas, que vão mudando de roupa, nome e nacionalidade consoante o que fazem. Acontece que são sempre os mesmos, meia dúzia deles, que se vão revezando, e que depois são rebaptizados e renacionalizados uma série de vezes, para estarmos assim a modos que perante uma trupe de artistas internacionais. 

E agora pergunto eu: por que razão 80% das artistas vem com as nalgas de fora? Rodopiavam menos na corda com o rabo tapado? O nalguedo coberto não faz atrito suficiente na barra do trapézio? É que aquilo distrai uma pessoa! Quer dizer, agora que reflicto sobre o assunto, acredito que sirva de chamariz aos adultos, que assim vão um pouco menos contrariados ao circo, ante a perspectiva da visão do fiofó rijo e bem tonificado da Katiuska.

E em que terra é que caniches cor-de rosa têm piada? Hein? Imagino o esfreganço para tirarem aquele tarro do pêlo aos bichos, deve ser mais ou menos aquilo que eu passo para tirar a tinta da caneta de feltro de dentro das narinas do Máinovo. Ele até guincha.

E pombas a passarem por dentro de argolas? Uuuuh c'aganda maluqueira! E uma moça (de nalgas de fora, claro) que atira bolas para uma parede de acrílico, estas fazem ricochete e ela apanha-as?! Ui, que ideia soberba. No meio daquilo tudo, safaram-se os acrobatas, cujo nome, na dicção perfeita da apresentadora soou a algo como "Os Absolonganz Brazzazzzz", e os palhaços, que embora eu não lhes ache grande piada, agradam à miudagem. 

Outra ideia supimpa que tivemos foi entupir os miúdos com pipocas e gomas e outras cenas carregadas de açúcar, que lhes deram semelhante speed que ficaram insuportáveis durante horas.

Aguenta que é Natal! 

1 comentário:

  1. Não Boneca, eu vou contar-te porque tu não sabes... eles sofrem todos de dupla, tripla, quadrupla e por aí fora nacionalidade, por isso é que eles pensam que têm muitos artistas (?), mas na verdade não têm...
    (pipocas e gomas é bem, eu também gosto muito)

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