domingo, 1 de dezembro de 2013

O jantar dos tochas

Este sábado tive um jantar "old school". Ou seja, juntou-se uma cambada de gente saudosa dos tempos de adolescência (quando tínhamos 15-17 anos, alguns um pouco mais velhos). No meu caso, não via a grande maioria deles há… cof cof … 20 anos. E tinha muuuuuuuuuitas saudades.

Pois que a malta se juntou para um jantar de Natal, e apareceu o grupo praticamente todo, alguns com as respectivas proles. Ora eu, que sou uma mãe e mulher desnaturada, resolvi deixar o agregado familiar em casa. Não me arrependo, pelo simples facto de, se os tivesse levado, não ter podido ter uma única conversa sossegada. Que as tive, e pareceu que nos tínhamos visto na semana anterior, como se não tivesse passado uma vida inteira entretanto, com tudo o que isso implica. Acabei por perceber que, umas gorduras a mais e uns cabelos a menos, estamos todos exactamente iguais, e as afinidades que nos juntaram há duas décadas vieram muito facilmente ao de cima. Isto porque nem todos andavam juntos na escola. Basicamente eram vários grupos de teens que "paravam" na Baixa de Setúbal, em vários spots. Deliciosa a frase que ouvi "Tu eras do grupo que parava na Praça do Bocage ao pé da igreja, não eras?" ou "Nós ficávamos mais ao pé do Bulldog!". Relembrei que nos sentávamos sempre no mesmo banco de jardim, que estava pregado ao chão, de tal forma que se soltou e então nós moviamo-lo praça a fora, consoante os apetites.  

Curiosa também a forma como o cérebro funciona: vieram à memória histórias que nunca pensei lembrar-me e outras de que toda a gente se lembrava e eu népia. Ou do tipo "lembras-te de fulano?" "não", "era o que andava sempre bêbado pá!" "aaaaah, claro, e isso também explica por que ele olhou para mim como se não se lembrasse". 

Foi bom saber que "estás na mesma", a variante "eu acho que ela está pior" (que também me dá um certo gozo), ou "estive a ler o teu blog e estás igual", e de olhar para todos eles e voltar atrás no tempo a uma altura em que era feliz, despreocupada e parva. Ah, espera, isso ainda sou.

Tenho a agradecer ao Facebook por mais esta reunião (que já tinha permitido juntar-me com os meus colegas de 10º e 11º há uns tempos atrás), e espero não perder esta malta de vista por outros vinte anos. É que não me está nada a apetecer ir de arrastadeira e algália para um jantar de convívio e ter de tirar a dentadura para comer.

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