terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Os Scorpions e os bovinos

Já aqui disse, e repito, que os Scorpions (apesar de já terem falecido e ninguém os ter avisado) são a melhor banda de todos os tempos. E ai de quem diga o contrário, que eu desatarracho a prótese do vocalista e dou com ela na cabeça ao herege.

Bom, na altura em que iniciei a minha vida de fã, tinha eu 13 aninhos, já os gajos me pareciam velhos. Credo, bem vistas as coisas isto não é muito normal. Mas adiante. Pareceu-me um sinal do destino eu ser Escorpião, e eles serem Escorpiões e estava escrito nas estrelas. Não foi despiciendo o facto de TODOS os meus amigos gostarem deles. Still loving you (só a melhor balada de todos os tempos), Rock You Like a Hurricane e tantas outras, portanto, tornaram-se a banda sonora da minha adolescência.

E o que mais quer uma adolescente borbulhosa de aparelho nos dentes fã de uma determinada banda? Poooois, que a banda venha dar um concerto ao vivo! E aqui devo fazer uma chamada de atenção: não os havia à pázada como há hoje, eram raríssimos, não havia cá pavilhões atlânticos ou meos arenas ou parques da bela vista, ah poi'não!

E foi assim que agarrei em mais duas alminhas fãzonas como eu e lá fomos sozinhas as três de comboio para Cascais. Sim, porque o concerto seria nesse belo recinto: a Praça de Touros. Uuuuuuh Scorpions seus gandas malucos, que queriam era tourada. Sendo eu minorca e tendo medo de tudo quanto mexesse, decidi levar amuletos, certa que estava de que me protegeriam. Levei uns santinhos e o denominado "arranca-olhos", que era basicamente uma porcaria redonda com bicos na ponta (estou neste momento a receber a informação de que poderá ter sido um transístor, não faço ideia) que encontrei na caixa de ferramentas do meu pai e que me pareceu que serviria para me defender. Ora se me atacassem, furaria os olhos ao patife com aquela cena, do tamanho da cabeça de um dedo. Pois. Levei também as famosas sandes de ovo de mãezinha, cujo cheiro a ânus serviu para afugentar mais as pessoas do que qualquer arranca-olhos.

Chegadas ao local do espectáculo, depressa percebemos que não íamos ver nada, porque tínhamos meio metro e os latagões que gostavam de Scorpions (com um aspecto seriamente duvidoso) obstruíam completamente a vista. 

E lá vieram os Escorpiões de mi corazón: ao primeiro vislumbre desatámos aos gritos histéricos e abrimos as comportas. Começámos a chorar ao primeiro segundo, passámos o concerto inteirinho a chorar e só fechámos a goela quando os homens se foram embora. Mas atenção, o choro não era de tristeza, mas assim um misto de felicidade com histeria e excitação, um "ai que os gajos existem mesmo" "aiaiai ele é tão lindo e parece mesmo que está a cantar para mim" e "Klaus faz-me um filho" (bom, também não exageremos...). Só sei que às tantas um gandulo qualquer com mau aspecto olhou para baixo e reparou em mim, para ali largada, ranhosa e a fungar e agarra em mim (e eu "pronto, já foste, o maluco vai-te arremessar daqui sabe-se lá para onde e não sabes voltar para casa") e põe-me aos ombros. E foi assim que se fez luz, ou seja, de repente passei a ver tudo e a gritar "KLAAAAAAAAAAAUS" "RUDOOOOOOOOOLF" "MATHIIIIIIIIIIIIIIIIIAS", juro que um deles olhou para mim e se riu. Na altura pareceu-me um sorriso de amor. Hoje, em retrospectiva, percebo que foi do género "rais'parta a gaiata que não se cala". Cheguei a apanhar um coiso daqueles de tocar a guitarra (palheta?), mas agora pergunto-me se o gajo não me jogou com aquilo à cabeça para ver se eu fechava a matraca.

Ainda hoje guardo o coiso. E as recordações. E entretanto já fui a uma catrefada de concertos deles, um acústico inclusivamente com a mãezinha, em Faro, com uma orquestra filarmónica (de Lisboa, terá sido? credo que a minha memória já não é o que era). Só me falhou o famoso concerto no Convento do Beato, e ainda hoje me chicoteio por isso. De resto, papei-os a todos. Os concertos, obviamente.

SCOOOOOOOOOOORPIOOOOOOOOONS!!!!!!!

1 comentário:

  1. ca nojo....
    que mau gosto...
    mas eu compreendo.. pena tenho eu que nenhuma gadelhudo me colocasse ao colo/ombros, para eu gritar Madonne linda... ou outras manifestações amorosas à diva... (é o meu calcanhar de Aquiles confesso)

    ResponderEliminar