sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O aspirador de nheca

O objeto supra deve ser daqueles que mais temo na vida e o único que me recuso terminantemente a usar. Para quem não sabe, é um instrumento do demo que serve para isso mesmo, aspirar o ranho do nariz dos bebés. Com a nossa boca. CANOJO, quem inventou isto devia ser uma pessoa com uma valente pancada.

Mas caaaaaaaaaalma!! Aquela cena tem um filtro que impede que passe o que quer que seja para a nossa boca. Muito mais descansados? Pois, imagino que não. Tal como eu, nunca fiando. E foi assim que, munida da chantagem "Tu nunca lhe cortaste as unhas", alegremente e sem remorsos passei essa bela tarefa de aspiração de muco nasal para Senhor meu Marido, que não é comichoso com absolutamente nada nesta vida. Não me entendam mal, no que às secreções filiais concerne não sou nada esquisitinha, pelo contrário, já mudei as fraldas mais nojentas à face desta Terra sem um ai, já fui condecorada com os mais variados esguichos vindos dos mais variados orifícios infantis lá de casa. Mas nada me turva mais os nervos do que o zingarelho ilustrado na foto no final do post. E se aquilo entope? Ou se atinge a capacidade máxima e eu alegremente aspiro uma golfada de nheca? E se eu tusso e aquilo entra a jacto (jato? credo, o que me aporrinha o novo acordo) de novo no nariz do miúdo?

Confesso que não fico propriamente descansada quando vejo o homem, conhecido por ter a delicadeza de uma manada de rinocerontes em fúria, a agarrar naquilo e ir direito ao miúdo. O desgraçado pisga-se logo a sete pés a gritar NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!!!! Esperto, o catraio, foge para a parte esconsa do quarto, onde só ele consegue caber de pé. Assim, garante logo uma marrada paterna no tecto (teto? credo que eu nunca me vou habituar a isto), que é uma espécie de pré-vingança pelos maus tratos que se avizinham. Quando o pai finalmente o agarra e o põe no colo, toda a operação é desesperante: o agarrar da cabeça para ele não se mexer, e das pernas e dos braços, que o cabrito esperneia que nem gente grande. Depois vem o meu maior medo: que senhor brutamontes (sr. general para os amigos) faça tanta força que lhe aspire o cérebro. Ou até os olhinhos, temo que o poder de sucção seja tal que os olhos do piqueno sejam sugados para dentro (até porque sugados para fora seria mais difícil, digo eu) e o homem os engula. Pois, já estou a parvejar, bem sei, mas é todo um cenário que me aflige. Mas não o suficiente para que assuma eu a tarefa. Na-na-na-na-não. O desgraçado se estiver apenas dependente desta mãe desnaturada há-de ficar entupido. Mas com umas unhas lindas, bem cortadinhas e limadas. Ao som de "Este é o dedo mindinho / Este é o seu vizinho / Este é o maior de todos / Este é o fura-bolos / Este é o mata-piolhos". No fundo isto é que é o mais importante, não?
Todos a repetir comigo, váláver: "BLHÉEEEEEC!!!!"


P.S. Devo informar que os bebés NUNCA ficam com o ar satisfeito deste petiz. Das duas uma, ou estava a drunfos, ou isto foi o segundo inicial da primeira vez que lhe fizeram isto. No segundo a seguir, e observem bem onde ele já está a posicionar o pézinho, tomou balanço e a mãe levou semelhante patada que a ranhoca regressou à base. Outra razão pela qual devem ser os paizinhos a tratar deste assunto. Não têm mamas. A grande maioria deles.

14 comentários:

  1. Cá em casa andam todos alegremente ranhosos. Não há cá esse instrumento de tortura (temos outros).

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    1. Quais? Quais? Quero saber tudo!!!

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  2. Ai Boneca, que ler isto a seguir ao almoço me deixou completamente mal disposta... ai jasus, o que vale é que lá por casa não há piquenos...

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    1. Opá, o título já avisava. Não me responsabilizo! ;)

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    2. Eu sei, mas armei-me em valentona e agora tou mal disposta, pronto! lol

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  3. Eu repito: grande blhéeeeeec! Não sabia que existia tal coisa. Ai ca nojo!!

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  4. Xiiii o que vai praqui de gente sensível! Vocês têm é de me agradecer por todo este mundo novo e nojento que vos dou a conhecer pá. :p

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    1. Muito agradecida, mas muito mal disposta, ehehehhehehe
      Não havia necessidade de tanto pormenor, lol

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    2. Ui e isto já foi muito filtrado...

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    3. Muitíssimo agradecida! Mas de futuro dispenso tamanha badalhoquice. Estou a brincar, claro. Acho até que devias criar uma rubrica nova. :)

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  5. Raparigas esquisitas que se enojam com pouco!
    Ora tomem lá nota:
    Não sei a idade do piqueno nem a quantidade de ranhoca que o narizito pode albergar, mas antes de utilizar o instrumento da tortura deve usar-se um spray de água salgada, adaptado à idade (p.e. Rhynomer passe a publicidade) ou soro fisiológico. Quando se aspira (se suga ) não pode ser com muita força pois pode originar sangramento dos vasos capilares do nariz. E se pensarem que o muco "narigal" se não for expelido pode originar otites gravíssimas, passa-vos logo o nojo! Perceberam? A chatice é muito maior do que a remota possibilidade de chuparem a ranhoca do filhote!
    mozi

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  6. Olá Boneca...já saí dessa idade dos bébés (tenho um filho com 29 anos) mas ao ler esta vossa aventura tive alguns flash do passado. obrigada por me fazer rir e não, não fiquei de todo mal-disposta. Quem é mãe fica imune a mta coisa.... :-)

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    1. Cria-se assim uma espécie de carapaça! Obrigada pelas palavras!

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