segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O pior que podem fazer a um macho alfa

É porem ao lado dele num semáforo uma mulher com um carro melhor. Ainda que nesse carro, uma carrinha familiar por sinal, haja duas cadeirinhas de criança, e as ditas sentadas nelas. 

Mas isso não interessa. O macho alfa, ferido no seu orgulho machístico-automobilístico, cego de raiva, apenas vê uma fêmea com um meio de transporte mais veloz. E, possuído pelo espírito do Velocidade Furiosa #87 ou do Faísca McQueen, começa a espumar com a antecipação de dar semelhante arranque que vai deixar a estrada com marcas de borracha queimada e a fêmea a comer pó. Nesse belo circuito automobilístico que é a estrada do Montijo em frente à fábrica de salsichas. Onde o cheiro a porco com certeza se sobreporá ao de pneu queimado.

Mas a antecipação do arranque e consequente humilhação da fêmea é mais forte. E é nesse momento que machão alfa imagina como seria bom viver num daqueles países fixes para os machos alfa, em que há sinal amarelo antes do verde, assim numa espécie de acenar da bandeira para dar início à corrida, o sinal amarelo antes do verde que parece dizer "Vá, gostosão, começa a acelerar que vem aí o verdaço!". E ele acelera, acelera e o carro ondula para a frente e para trás e a fêmea positivamente a borrifar-se e a demonstrá-lo e ele ainda a sentir-se mais picado e até o Máivelho percebe e diz "Oh mãe acho que aquele senhor quer fazer corridas connosco!", e os roncos das acelerações e a fumarada e a fêmea já a rir-se e ele ainda mais irritado e ...
SINAL VERDEEEEEEE!!!!!

E ficou para trás a comer a minha poeira, porque posso ser mãe de família, mas o meu bólide dava 5 a 0 ao Fiat Punto chungoso todo quitado do totó e Boneca Maria de Deus não se ia ficar atrás. Dei-lhe uma bela aceleradela do alto dos meus 2000 cm3 e bye bye! Confesso que acenei, shame on me, e o miúdo gritou "Toma-toma-toma seu cagalhão fedorento!".

Fez-me bem ao ego, admito.

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