sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Traças, ácaros e afins

Epá, dêem-me gafanhotos, joguem-me melgas em cima, atirem-me com formigas e eu não levo a mal (quer dizer, estou aqui a tentar ser metafórica, sim?! Váláver hein?!). Agora se há bicheza que me tira do sério e que ganha batalhas constantes lá em casa é a p&ta da traça. E o ácaro. Comecemos por este último, que parte logo com uma vantagem com a qual eu não consigo competir, a invisibilidade. Já alguém reparou quão difícil é arrear uma traulitada num bicho invisível? Ah pois é. A gente a ver se lhe acerta na cabeça e na volta está apenas a cutucar-lhe o cotovelo. A minha luta com os ácaros já vem de longe e nem vou voltar a repetir que meteu vacinas diárias e tudo. O que interessa foi que ganhei a guerra.

Vou debruçar-me agora sobre as traças. Não literalmente, porque assim de repente não estou a ver nenhuma. Mas este bicho nojento, gosmento e carregado de patas vive em todas as casas onde já habitei. Não sei se é típico da margem sul, uma vez que Senhor meu Marido, menino da linha, nunca tinha visto semelhante espécie até eu lha ter apresentado quando ele passou a ponte e nunca mais regressou (o apelo da margem sul é tramado). Esta é outra criatura que está à partida em vantagem: o seu tamanho permite esconder-se nos rodapés, ou então fugir para tão perto deles que só um sapatinho daqueles que já não me apanham morta a usá-los as consegue esborrachar. E o bicho fica ali a olhar para nós com ar de troça, as minhas como são de Alcochete chegam a dizer "Eh touro lindo!!!" E a gozar-me, pois com pézinho de Cinderela e sapatos com ponta redonda apenas lhes faço cócegas.

Enquanto as gajas lá andavam por casa e só assustavam os miúdos e a malta acabava por conseguir esborrachá-las, até convivíamos de forma relativamente pacífica: tu apareces, eu grito, tu ris-te, eu corro atrás de ti, tu encostas-te a um rodapé, eu praguejo, vou buscar um papel e bumba, patê de traça. Mas, quiçá por represália a tantos parentes mortos às minhas mãos, as bichas começaram a comer a roupa. Pequenos furos assim como quem não quer a coisa a aparecer na roupa e eu sem perceber bem se eram elas ou a minha inépcia para as lides domésticas. Isto até ao dia da Declaração de Guerra. As p&tas das traças roeram o fato de casamento de Senhor meu Marido!!! Minhas amigas, isto agora é guerra aberta, não pararei enquanto não exterminar a última de vós, não ficará nem uma mini-traça para contar história. E foi assim que enchi tudo quanto é armário de todas as mezinhas possíveis e imagináveis contra a bicheza. Grãos de pimenta provaram ser muito eficazes e o que menos enche a roupa de pivete, ainda que me arrisque a parecer maluca por estar a temperar os armários e tema que o Máinovo decida dar uma trinca naquelas bolinhas giras que vão aparecendo em todos os cantos da casa. Atirei umas quantas para o respiradouro da casa de banho, onde eu acho que elas também acampam, mas ouvi uma pedir alho, sal e coentros também, que assim-como-assim ainda temperava bifes para o jantar. Mas escusam de vir agora acenar com a bandeira branca, minhas caras. Se quisessem ser amiguinhas, tinham roído os fatos de treino e o blusão de penas com riscas amarelas na manga de Senhor meu Marido. Agora o fato do casamento com todo o simbolismo inerente? Ide-vos catar, pá! É guerra, é guerra.

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