quinta-feira, 20 de março de 2014

Dos esticões a dormir

Hoje vou dedicar-me a um flagelo da nossa sociedade atual, responsável por lares desfeitos, violência doméstica e, no limite, o incremento da taxa de divórcio.

Estou a falar dos esticões que os cônjuges dão a dormir, até porque sou uma trampa a fazer suspense, ao escarrapachar o assunto logo no título. Por este caminho, nunca alcançarei o estrelato bloguístico, não me sei vender. 

Mas adiante. Qual dos prezados leitores que dorme acompanhado já não levou um valente pontapé nos costados ou um cotovelo numa orelha devido a este problema absolutamente terrível que grassa pelos lares portugueses? Não? Então mas é só Senhor meu Marido que me arreia? Oh Diabo… E pelo menos sabem do que se trata? Passo a explicar: trata-se de uns violentos espasmos que acometem a criatura aqui de casa sensivelmente 2 segundos e meio depois de deitar a cabeça na almofada e estar perdido para toda e qualquer conversa normal de adultos. Ora mal o homem ensaia o movimento de encostar a cabeçorra na almofada desata aos esticões, como se estivesse com os dedos enfiados numa tomada. E zinga, vá de arrefinfar pontapés, cotoveladas e a ocasional chapada na desgraçada do lado, que ainda gostaria de acabar de ver o que quer que estava a dar na TV. Ocasionalmente os ditos esticões são tão fortes que o homem acorda assarapantado, fita-me com olhos de boga como quem diz "O que é que foi, oh?!" e eu ainda pergunto "Tás a olhar para mim, tu é que tás praí aos esticões feito parvo" e o gajo vira-se para o lado e adormece quase automaticamente. Até ao próximo esticão. E está nisto uma boa meia hora até entrar em coma profundo.

Ora isto é coisa que cansa. Não mata, mas mói sobremaneira. Perturba, chateia e acagaça, porque há momentos em que está tudo em silêncio e o homem manda um esticão e um salto de meio metro e um grito e quase que crava os chavelhos na parede e, como sempre, fica a olhar para mim com ar de parvo como se a culpa fosse minha. Vou tentar reproduzir o melhor possível, uma vez que não posso recorrer a imagens:

- AAAARGGGHH!! POING zinga (= grito, seguido de esticão e pulo de meio metro, com chapada em mim incluída)
Cara de esgroviado a olhar para mim com os olhos muito esbugalhados:
- O que é que foi pá? Eu é que levei uma chapada numa orelha, ainda tás a olhar para mim?
- Hã? Grunf. (E vira-se para o lado e aterra)
4 segundos e meio depois:
Tau! Prás!
- O que é que foi??! O que é que foi??! Os miúdos??! Hã?!
- Epá tá sossegado, porra, já me arreaste uma canelada e ainda por cima… 
Já ele está a dormir ferrado nem ouve.

E é assim todas as noites, não há sossego. Nódoas negras, essas há, aos pontapés. Literalmente. 

3 comentários:

  1. ele finge que dorme.... tu precisas de levar umas quantas....
    tadinho do teu esposo...

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  2. Ai boneca maria, que só tu pra me pores a chorar a rir numa tarde cinzenta :P

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