segunda-feira, 10 de março de 2014

O mui nobre ato de coçar a cabeça por dentro

Vulgo, escarafunchar o nariz. Tirar macacos. Pescar burriés.

E pronto, parece que estou a imaginar a mãezinha a deitar as mãos à cabeça com outro post com badalhoquices e a ligar-me daqui a 5 minutos para me perguntar quando é que eu cresço, que já devia ser uma mulherzinha, e a tentar incutir-me algum juízo nesta cabeça. Desiste, mulher.

Há, todavia, uma razão muito forte para eu me dedicar hoje à temática macacal. Vim a observar no barco um excelso compincha da margem sul que levou todos os 24 minutos de viagem a proceder à limpeza das fossas nasais. Uma coisa posso afirmar: se metade da população se empenhasse da mesma forma no seu trabalho que a criatura dedicou a escarafunchar a penca, meus amigos, a produtividade nacional disparava para níveis semelhantes aos da Finlândia. O afinco com que o senhor chegou a enfiar em simultâneo um dedo em cada narina para cutucar respetivos símios, pensei a certa altura que os dedos lhe iam sair pelas orelhas, semelhante as investidas para cima e para baixo. Zinga-zinga-zinga, credo que até fiquei cansada. 

É uma atividade como qualquer outra, bem sei, mas antes observar o acasalamento das gaivotas do que passar a viagem inteira Montijo-Terreiro do Paço nisto. Mas isso sou eu, que limpo o nariz com o piaçaba. Just kidding, é com uma escova de dentes. 

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