segunda-feira, 3 de março de 2014

Posso desancar no Carnaval, posso, posso?

Irra que há poucas épocas que me irritem mais do que o Carnaval. Só o Halloween, vá. Este ano foi o primeiro que mascarei o Máinovo, não porque ele me tenha pedido, sabe lá ele, mas porque imaginei que todos os miúdos da sala dele iriam mascarados e a pressão dos pares é tramada. Enfiei-lhe um pijama onesie de urso (era o que faltava ir gastar dinheiro com um fato para uma criaturinha de 2 anos), que ele insistiu que era de ovelha, e lá foi ele. Mal chegou à escola e viu o alvoroço e os mais diversos monstros, abriu a goela, desatou a berrar e não houve quem o calasse. Ante a visão da educadora mascarada de Minnie, o berreiro agudizou-se com ele agarrado tipo lapa a mim aos gritos "NÃO QUERO A ESCOLIIIIIIIIINHAAAAAAA!!!!!!" Ui, que maravilha. Pelo caminho, ainda me cruzei com alguns pais mascarados (oi?), e vou abster-me de fazer comentários sobre a razão pela qual um adulto, vacinado, trabalhador, normal, se mascara numa sexta de manhã para levar os filhos à escola (assustando os filhos dos outros e - fantasticamente - também os seus próprios filhos).

Lá o deixei, mais o irmão, entre serpentinas e cornetas irritantes nos ouvidos e fui à minha vidinha. Chegada a Lisboa, já havia foliões no Terreiro do Paço, essa Marquês de Sapucaí da nossa capital, onde estava ameno para se sambar. Oh se estava.

De regresso a casa, passo outra vez pelo sambódromo da Baixa, onde a multidão (de adolescentes) se adensava, eles e as suas cervejas. Eu já ia bem dispostinha, eu que adoro Carnaval (nesta altura levo sempre invariavelmente com balões de água na tola e o trauma ficou), quando se cruza comigo um miúdo mascarado de Mel Gibson no Braveheart, mas com orelhas de Minnie e calças. Deveras perturbador. Ora eu já à defesa, em posição de gato assanhado, a imaginar que ia levar com um balão de água no cabelo que tinha levado 43 minutos a esticar, solto logo um "aviso-te já puto, atiras-me alguma coisa, racho-te a cabeça ao meio com um calhau!!!!", ao que ele me mostra o que tem na mão. E o quê, perguntam vocês, com que objeto maléfico ia ele proceder a violência contra a tua pessoa fofinha? Com confettis, o bandido!!! Vocês têm noção do tempo que leva a tirar aquelas porcarias da cabeça? E quando se enfiam nos olhos e na boca? A par do arroz que nos atiram quando casamos, os confettis são o verdadeiro flagelo dos arremessos. 

Bom, o miúdo lá foi à vida dele e eu à minha. E ainda há mais uns dias pela frente em que eu terei medo da minha própria sombra, sempre à espera do tal balão de água que acaba sempre por encontrar o caminho em direção ao meu cucuruto.


P.S. O meu irmão que está no Brasil fugiu nestes dias para o Chile para não aturar a confusão, portanto esta patologia deve ser de família.

4 comentários:

  1. Também não gosto do Carnaval, não sei porque é que as pessoas insistem num dia em que apenas aproveitam para serem o que sempre desejaram ser (o que me leva a suspeitar muito das matrafonas...), ainda por cima numa época do ano que no nosso país tanto pode estar bom tempo, como um temporal, que foi mais o caso.
    No limite, o Carnaval é para as crianças. Adultos mascarados, é estranho...e parvo, vá.

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  2. Aqui nas redondezas a coisa esteve tão bera que qualquer estalo que oiça é, para mim, uma bombinha carnavalesca. Há-de alguém levar com dois balázios, sem silenciador (ando a ver muitos filmes) e eu a atribuir a coisa ao mau gosto da época, vais ver. Quer dizer, não vais, mas podes imaginar o drama do prognóstico, quando se me assomou.

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    1. Mulher, eu ando de tal forma "on edge" nestes dias que qualquer traque mais sonoro que oiça me jogo para debaixo do sofá.

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    2. Ah, e falta acrescentar que tenho filhos particularmente profícuos nessa área...

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