quarta-feira, 5 de março de 2014

Trocas de olhares

Eu espero bem que já tenha acontecido isto a mais gente, caso contrário vou ficar a pensar que sou maluquinha. 
...
Bom, vou começar de novo, que há um pressuposto bastante errado no parágrafo anterior. Nunca vos aconteceu (e reparem que agora já me dirijo a vocês assim como se vos conhecesse, isto de ter chegado às 100 000 visitas subiu-me à cabeça e isto a partir de agora vai mudar e vai haver interpelações de chofre e agora já não sei que raio estava a dizer). Vou tentar começar de novo. Já vos aconteceu irem sossegaditos na vossa vidinha e de repente o vosso olhar cruza-se com o de outra pessoa? A mim já. Até porque eu passo a vida a observar os outros, não porque sou uma valente bisbilhoteira, mas porque sou uma estudiosa das pessoas, sempre numa perspetiva antropológico-científica. Ou para cuscar. Ou para as provocar e as incluir no meu rol de maluquinhos (velhaca). E eis que acontece uma troca de olhares casual. Quando é uma mulher do outro lado, a coisa passa. Agora, quando é um homem (com menos de 70 e mais de 15, vá) o caso muda de figura. Porque parece que o bicho homem está sempre à coca de vítimas. 

Então o que sucede? Primeira troca de olhares, absolutamente involuntária, mas logo a seguir há outra, desta vez do homem, para se certificar que aquele olhar não foi casual. E eu olho de novo, sem querer, e lá está ele, já com um olhar diferente, do género "já te topei, achas-me um gostoso". E, do meu lado, "olha-me agora este, está a olhar para onde?" E volto a olhar, só para me certificar que não estou a ser paranóica. Nessa altura já a criatura está a sorrir "a tipa está mesmo interessada, não tira os olhos de mim", e eu "Mas ca raio que o estafermo não desolha, catano, que irritação" e volto a olhar, mas desta feita já com cara de poucos amigos.

Mas a cara feia parece pôr ainda mais lenha na fogueira, pois já o gajo se está a aproximar "vou ver se ela é assim tão afoita quanto parece" e eu "Mas o que é que este quer, com cara de parvo a olhar e credo que está a vir nesta direção, oh pá mais um maluco era mesmo o que me faltava, vou mas é pirar-me de fininho para outro lado". "Então mas a gaja agora tá a fazer-se de esquisita, ainda agora tava toda sorrisinhos" (na cabecinha dele deve ser isto). "Pelo sim pelo não deixa-me afastar dele e fazer cara de má a ver se ele percebe" "Olha-m'a porca armada em fina tás no toca-e-foge é, sua maluca" e mais uns sorrisos engatatões. "Dasse que o homem não para de olhar" "Eu sei que tu gostas" "Vou fingir que estou a falar ao telefone" "Olha agora a fazer-se difícil a fingir que está a falar ao telefone" "Porra, é que não desarma, chatooooo! "Ui, olhou outra vez, está no papo" ...

Basicamente, agora estou com um pouco de miaúfa de encontrar o homem de novo nos barcos...

11 comentários:

  1. A mim nunca me aconteceu. Mas eu geralmente não olho segunda vez. Aliás, para não cair na tentação de isso acontecer agarro-me logo ao telemóvel para me distrair. :D

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    1. Eu olho sempre, naquela do "mas quem é que este pensa que é, a olhar para moi". E lixo-me.

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  2. De "estudiosa" para "estudiosa": entendo-te perfeitamente =P

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  3. mais de duas trocas de olhares e não olho mais...quem quer dizer alguma coisa só olha uma vez e dirige-se à pessoa...
    http://dcabanas.blogspot.pt/

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    1. Nem mais. Faltava uma opinião masculina. :)

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  4. Com essa profundidade nunca me aconteceu, mas já se deram casos parecidos. E aqueles casos em que estava a olhar para uma pessoa, achando eu que estava a olhar para o nada, e quando sou conta a pessoa já está a olhar para mim com cara de poucos amigos. Ups!

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  5. Por aqui já aconteceu uma muito boa:
    Tinha eu uns 17 ou 18 aninhos e combinei ir ao centro comercial com uma prima, na altura não havia carro, mas havia transportes públicos e como o terminal era o mesmo, era mesmo aí o ponto de encontro!
    Cheguei primeiro e lá me encostei a um lado qualquer à espera da prima, eis que surge uma gaja a olhar para mim fixamente e a sorrir e eu (a fazer cara de poucos amigos) pensei: "mas o que é que aquela tipa me quer, hein?", pronto... era a prima e nem estava a reconhecê-la.... ups!

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