quarta-feira, 30 de abril de 2014

Palavras/expressões que se volto a ouvir, mordo

- programa cautelar
- detox
- troika
- volante bimassas (tenho o do meu carro estragado e espera-me uma conta de oficina a rondar os €2000...)
- com a maior urgência possível
- Fitch
- colesterol elevado
- juros da dívida 
- supervisão bancária 
- selfie
- demonstração grátis em sua casa
- bimbólico
- carga fiscal

Sintam-se à vontade para juntar mais algumas de que eu não me lembre. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Diz-me o que comes, dir-te-ei quão machão és

Ora váláver, temos que o assunto comida é coisa que desperta em mim alegria no geral e contentamento em particular. Até bato palminhas. Sou uma lontra assumida, gosto de comer bem (em qualidade e, se me agrada, em quantidade), mas hoje decidi analisar a coisa numa perspetiva diferente: o que diz a comida sobre quem a come.

- Salmão. Peixinho cor de rosa muito amaricado. Homens que têm a coragem de o consumir em público serão seguramente muito bem resolvidos, sem problemas de maior no campo da masculinidade. Atenção, sushi não conta. Comer aquilo cru é do mais machão que existe, o equivalente a agarrar-se uma mulher contra a parede e … bom, adiante. Pela mesma ordem de ideias, vinho rosé. Vinho de cor assim entalada entre o coral e o fuchsia, portanto. Se não és gaja e bebes rosé, tens um problema. Trata disso. Exceção feita ao paizinho, que gosta do seu Mateus Rosé por alturas do verão. E ai de quem gozar com ele.

- Filetes. Hum… é de desconfiar. Homem que é homem come postas grandes, gordas e feias. Cá filetinho para o bebé, não mesmo.

- Gelatina. Gostais de mulheres flácidas com tudo a abanar, senhores? Então não tenho mais nada a dizer.

- Bananas. Desafio um homem a comer aquilo de forma respeitosa.

- Celerac, Nestum, Chocapic e afins. Se tens mais de 10 anos e te apetece papas, só se tiveres um problema que te provocou a queda de todos os dentinhos. Papas de homem? De sarrabulho, obviamente.

- Qualquer tipo de aves. Homem que se preze come vaca ou porco. De preferência ainda a fazer MUUU ou OOOOINC.

- Espargos. São o paradigma da totozice. E o cheiro depois quando se vai à casa de banho? Ai, se os meus rinzinhos estiverem a funcionar bem o xixi depois de se consumir os ditos vai tresandar. Isto é lá vegetal de gente normal??!

- Vinagre balsâmico. A sério? O de vinho é muito agressivo, é? Com certeza, sôdôna. E é para temperar o quê mesmo? Pois, a rúculazinha. Devo dizer que não há virilidade que resista a rúcula. Já o repolho é do mais másculo. Desde que não seja do frisado, aí apanisga outra vez.

- Risotto. Opá, deixa-te de merdas e pede arroz. E carrrrrega bem nos rrr quando o fizeres.

- Bagas goji? Sementes chia? Linhaça? Granola? É que nem comento. Oh Boneca, mas eu sofro de prisão de ventre! Talo de repolho embebido em azeite e cá vai disto. É de homem resolvido.

- Sumos verdes, detox e o camandro? É de machão sim. Cof cof cof.

- Água. Do piorio. Água, como ouvi a um trolha fofinho em tempos, serve apenas para tomar banho. E uma vez por semana, para não passar o efeito grosa do corpo.

Uma última achega. Gajo de pelo no peito (e de preferência a assomar por cima da gola) não admite nunca que cozinhou na Bimby. E jamais se refere a si próprio como bimbólico, OK? 

Não têm nada que agradecer. Cá beijinho.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Curiosidades sobre mim #12 (faz de conta que tem interesse)

- A parte do meu corpo com mais mimo é o cabelo, logo seguido da cara. Depois vêm os pés e as mãos. Tudo o resto depende da paciência;
- No entanto, detesto que me mexam no cabelo: festinhas, cafuné, o catano, deslarguem-me a trunfa;
- Nem na barriga, yéc. Odeio;
- Sou capaz de passar um fim de semana inteiro a ver séries. E Senhor meu Marido acompanha (os filhos, esses terão de estar nos avós);
- Sou a criatura mais ciumenta à face da terra;
- Tenho nojo do poste onde as pessoas se seguram no metro;
- Nunca achei grande piada ao 007 até há relativamente pouco tempo. Culpa do Danielzinho Craig yammi, ande cá à sua Boneca que eu não o aleijo;
- A minha pizzaria preferida de todo o mundo é o Casanova em frente a S. Apolónia;
- Se quiserem apedrejem-me, mas até agora nada do que tenha comido do Avillez me surpreendeu. Nada de especial, tudo muito nhonhó;
- Tive um Blackberry durante anos: rendi-me aos "i" apenas recentemente. Agora não vivo sem o meu iPhone e o meu iPad;
- O meu marido é um gajo munta bonito;
- Já eu, sem maquilhagem, sou absolutamente pavorosa;
- E, em pessoa, sou muito pouco interessante. Só consigo ter (alguma) piada (discutível) em sede de blogue;
- A falar, enrrrrrrolo os "r" e, segundo fontes próximas, pronuncio os "s" de uma forma peculiar (e não, não é sopinha de massa);
- Tive um piercing no umbigo durante muitos anos, até a gravidez e a gravidade escangalharem a área. Decidi em Janeiro fazer um na cartilagem da orelha e desde então não consigo dormir para esse lado. Catano.

domingo, 27 de abril de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Conversas parvas comócatano #4

(Senhor meu Marido manda mensagem a dizer que está a regressar no barco do costume e eu decido desabafar os meus problemas)

- Eu estou doente.
- O que tens?
- Vontade de arrumar a minha roupa. Não estou nada bem...
- Isso não é doença, é vergonha.

Criatura má e insensível.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Considerações escolares

Ontem foi a reunião de avaliação do Máivelho. A reter: é uma criança dócil, meiga, muito educada e com bons valores. Coisa mái linda de sua mãe, que em casa és um piqueno monstro peidorrento e pleno de respostas tortas. Citando Caco Antibes, eu devo ter jogado pedras na cruz. 

A reter também a minha vergonha quando percebi que já não me lembro do que é o grau superlativo relativo absoluto sintético, ou seja, não tive moral para ralhar com ele por ter errado na resposta (sobretudo tive cagunfa que ele me perguntasse "então qual era a resposta certa?").

Bela resposta foi a dada no teste de Estudo do Meio: "O que eu entendo por primeiros socorros é quando uma pessoa se magoa e nós pomos soro nas compressas e limpamos, pomos betadine, isso são os primeiros socorros. A importância dos primeiros socorros é que sem eles as pessoas estavam sempre a sangrar e cheios de feridas mas com eles estão desinfetadas." E é isto. Puto chanfrado, todavia fofucho. Cá beijinho.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Presenciei um assalto à beira da estrada!

Tás a ver, Boneca Maria, que a margem sul é perigosa?! Calma, filhotes, não se enervem. Então, tu presencias um assalto e estás com essa tranquilidade toda???!! Bom, querem calar-se para eu contar? Está bem, conta lá, vá.

(Agora vamos todos fingir que esta introdução não foi esquizofrénica, e que estão perante uma rapariga normal, que não está em casa a congeminar dialogozinhos com leitores imaginários)

Ora ia eu toda contente da vida tralala, estrada a fora, pelos campos verdejantes de S. Francisco, Alcochete, quando reparo num carro em sentido contrário a travar bruscamente e um meliante a sair lá de dentro a correr e a atravessar a estrada. E eu, pronto já foste, vai proceder-te a um carjacking, arreia-te uma traulitada e ficas aqui estendida e ninguém te acode, felizmente não tens os teus filhos, pelo menos morres só tu, adeus mundo cruel. Nevertheless, o bandido passa por mim numa grande bisga, entra por uma horta a dentro, arranca um molho de cebolas, desata a correr, entra no carro e arranca com os pneus a chiar, assim mesmo à filme.

Bem sei, ca'ganda anti-clímax, mas o que queriam, no meio do campo pá? Ou bem que era isto ou alhos franceses, ou assim, na loucura, uma abóbora. Só vos digo que o gajo tinha braços buéda grandes, o que fez com que procedesse ao roubo de praí umas 20 cebolas. Com rama! Grande velhaco, que hás de comer salada à pala, mas vais ficar com um mau hálito desgraçado, que é para aprenderes. E hás de chorar a cortá-la! Gatuno!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Curiosidades sobre mim #11 (faz de conta que tem interesse)

- Quando tinha 7 anos atirei-me em voo para cima do meu avô que andava a aspirar o chão de gatas. O objetivo era fazer dele cavalo, mas acabei por aterrar em cima de uma mesa de vidro que se partiu toda e me cortou uma coxa. Resultado: 8 pontos e a certeza de que, com este defeito, nunca poderia concorrer a miss nem arranjar marido. Tenho uma cicatriz feia, mas afinal arranjei um maluco que me atura. Só nunca concorri a miss;
- No entanto, no secundário passei por Miss Escola durante alguns meses, porque quem ganhou o concurso tinha o mesmo nome que eu, bastante invulgar (muito mais naquela altura), e muitos pensaram que tinha sido eu. E eu não desmenti, soube-me bem a atenção;
- Sou extremamente pontual e muito pouco tolerante com faltas de pontualidade alheias. Para meu azar tenho duas ou três pessoas na minha vida que sofrem deste mal e que me testam com regularidade;
- Gosto muuuuuito de comer, só não suporto fígado. E não morro de amores por favas. De resto, marcha tudo! Sobretudo sushi e bacalhau à Brás. Ou espiritual;
- Percebi que havia uma grande possibilidade de estar grávida quando, ao ver no cinema o "Million Dollar Baby", na cena em que partem o nariz à Hillary Swank fiquei de tal maneira mal-disposta que ia vomitando;
- Não consegui anunciar esta gravidez (a primeira) no meu trabalho: contei a uns poucos amigos mais próximos e um deles (uma), à hora de café, resolveu anunciá-lo aos gritos aos colegas. O que ganhou: na minha segunda gravidez foi a última a saber;
- Desde que fui mãe que me dói até à alma filmes em que se maltrata, rapta ou algo que envolva crianças. Ativa-se-me um qualquer interruptor e arrisco a dizer que me dói fisicamente;
- Há coisas que adoro fazer sozinha, ir às compras é uma delas. Outras há que nunca seria capaz, como ir ao cinema;
- Tive Eletrotecnia e Mecanotecnia no liceu. Era uma absoluta nódoa, mas tive boas notas porque era uma miúda simpática e os rapazes ajudavam-me;
- A minha primeira grande paixão foi aos 13 anos. Ele tinha 16, o que aos olhos dos pares dele era uma diferença abissal. Ele gostava de mim, mas tinha vergonha disso. Namorámos escondidos uns meses até ele me assumir. Foi um boost inacreditável na minha auto-estima, aquele rapaz giro, mais velho e popular estar comigo. Fomos muito felizes enquanto durou. Morreu num acidente de carro uns anos depois, tinha 18 anos apenas (já não namorávamos). Penso nele muitas vezes, como seria hoje, se seríamos amigos;
- Confesso que, quando foi a maluqueira dos livros de etiqueta da Paula Bobone, os comprei e li a todos (e já me auto-flagelei por isso): a única coisa que retive - por ter achado uma valente estupidez - foi a de que não há necessidade de cumprimentar as pessoas quando se entra num elevador cheio. Continuo a fazê-lo e irrita-me profundamente quando alguém entra no elevador e não diz bom dia;
- Faço o que, na opinião de alguns experts na matéria, é uma grandessíssima possidonice: molho o pão / a torrada com manteiga no galão. É que não me sabe bem de nenhuma outra forma. Felizmente só tenho oportunidade de o fazer em casa, aos fins de semana. Assim ninguém passa vergonha.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Eu atraio maluquinhos #15

Numa loja de coisos. E que também vende toalhas.

- Estou à procura de toalhas de rosto, daquelas para usar na desmaquilhagem da cara.
- Tenho estas.
(E mostra-me toalhas de bidé)
- Mas estas não são de rosto. São de ... 
- Pachacha.

Não as comprei. Não gosto cá de misturas esquisitas.

domingo, 20 de abril de 2014

Pensamento de fim de semana #41

Aaaaaah, a maternidade. Quando um filho percorre a casa toda, aos gritos, a chamar-te, para te entregar … um macaco que tirou do nariz.

sábado, 19 de abril de 2014

Gente com valentes pancadonas #6

E de novo na senda das buscas estranhas que cá vieram parar ao barraco.

Categoria "até tem uma certa lógica, mas não deixa de ser uma busca parva":
Conversas parvas (sim, é o que há mais neste blogue, só não entendo o que se pretende ao se fazer uma busca destas na net…)
Dou esticoes mal começo a dormir (pois, senhor meu marido também, como deve ter descoberto)
- Boneca de trapo no montijo (não sei onde há)
- rampa barco montijo (isso sei)
Quem boca do meu filho beija (blagh)
quem adoça a boca do meu adoça a minha (oi? isso não está aí qualquer coisa trocada?)

Categoria "este blogue tem tanta parvoíce que qualquer frase estronça vem cá ter":
As tronbas da dia (eeeerrr. pois.)
4a feira de casinhas de boneca (não sei, aqui é todos os dias)
sexo masculino (qual o objetivo desta busca mesmo?)

Categoria "OOOOOi??!":
rejoice quem quer casar (OPÁ OUTRA VEZ ESTA CONVERSA??!)
despachar no ginásio (isto é aquilo que eu estou a pensar, ou eu sou uma grande porca?)

Categoria "vou escrever várias palavras juntas sem qualquer nexo e ver onde vou parar":  
Como fazer a boneca valente de eva (começa-se por se procurar o boneco valente de adão, digo eu)

Categoria "devia estar atrás das grades, mas em vez disso ando para aqui a fazer buscas taradas num computador e assustei a Boneca que agora verifica sempre se as portas e janelas estão trancadas":
- sexo na casinha de boneca (!!!!!!!!!!)
- fotos de mulheres q dao o cu (????!!!!!!!!)
imagens de miúdos com pichas (!!!!?????!!!!)

E a pesquisa que acho que deu origem a um comentário ao meu post sobre o restaurante do Paulo Duarte (vénia) pelo próprio: "castella do paulo fechado"

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Mãe sofre #16

(Máivelho, ao apanhar, e comer, um bocado de gordura na carne)
- Blagh, comi uma porcaria!
- Porcaria? Isso é comida, Tiago. Um dia destes arranjo mesmo um bocado de porcaria e dou-to a comer, para ver se vês a diferença!
- Desde que não o tires do rabo.

(É assustador constatar a quem sai este miúdo...)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Conversa fofa comócatano

Não, não é uma rubrica nova. Mas não tive coragem de chamar parva a esta converseta do Máinovo, que faz 3 anos hoje, coisa mái linda de sua mãe, que se te agarro esbeijoco-te até te saltarem os olhinhos. Vou abster-me de reproduzir tal e qual as palavras como ele as disse, o que, embora tornasse o diálogo mais verosímil, demoraria o triplo do tempo a ler e outro tanto a compreender. Sugiro apenas que se leia a parte dele não dizendo os r, os l, substituindo os c por t e com sotaque de Bijeu. Lá de xima, portanto.

- Filhote canta uma música para a mamã ouvir.
- Não. Tou jangadu (perdão, não resisti, prometo que não se vai repetir).
- Vá lá, canta o "Papagaio louro"!
- Não.
- Então qual é a música que queres cantar?
- Ninguém.
- E por que é que estás descalço?
- Porque o mano bateu aqui na minha testa. 
- Apanha as meias do chão se faz favor.
- Não consigo. Sou mais pesado.
- Consegues, consegues.
- Não consego, não consego.
- Aiaiai Gui.
- Eu não sou o Gui. Sou o senhor Gui.
- Aiaiai senhor Gui.
- Aiaiai senhor mãe.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mensagem aos automobilistas que teimam em encostar-se à nossa traseira

Queridos Trolls,
Como explicar isto sem grunhidos e de forma básica o suficiente para me compreenderem? Ora váláver, talvez através de uma simples equação matemática:

Encostanço à traseira do veículo da frente = roçanço nojento e tarado na traseira da senhora que vai a conduzir 

Ai não? Permitam-me que discorde. Tudo o que acontece atrás de um volante mimetiza a própria vida, logo, vocês, ao virem despudoradamente encostadinhos ao para-choques do meu veículo, estão a abusar da mesma forma como se estivessem a encostar-se ao meu próprio para-choques if you know what I mean

Ah, Boneca, não te sintas ofendida, não é por mal, é apenas para aproveitar o cone de ar criado pela tua velocidade estonteante na estrada Montijo-Alcochete e assim proceder a uma grande bisga.

Sim, sim, o catano. Ide mazé encostar-vos à bilha da vossa mãe.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sou uma má mãe

(Depois de o Máivelho ter levado um tiro de Paintball num braço e ter saído do jogo a chorar)

- Então, filho, o que aconteceu?
- Caí num charco e ainda por cima levei um tiro no braço que dói bué!! O que é que podia ter corrido pior?!
- Então, podias ter caído num charco e teres levado dois tiros no braço que doíam bué!!
- É isso que tens para dizer para eu me sentir melhor, mãe??! É?! 

Nota mental: não fazer humor com uma criança em sofrimento. Mesmo que estejas morta de riso com o gajo coberto de tinta.

Aniversário de velhos vs. aniversário de novos

Fim de semana de aniversários. No sábado, de 35 anos, no domingo, de 9. E apetece-me agora proceder a uma análise exaustiva das diferenças entre as duas festarolas. Ou então apenas mandar um ou dois bitaites, que é para isso que me pagam. Ai, espera aí, não pagam. Credo, sou mesmo jumenta, em vez de estar a fazer coisas produtivas que me rendam dinheiro. Enfim.

Festa de "velhos" (desculpa, minha badalhoca que fizeste apenas 35, mas já estás a entrar na curva descendente da vida):
- Já existe a denominada mesa das crianças: ora haverá cena mais deprimente e que nos faça sentir uns repolhos caquéticos que uma mesa para os putos, onde há batatas fritas, Coca-cola e iPads? (e onde nos apetece estar sentados?!);
- Há cheiro a cocó: não, as pessoas da minha idade (ainda) não se borram, mas os bebés que levam para estes aniversários de adultos sim;
- Já não és tu o centro das atenções por uma eventual bebedeira que apanhes: é o teu Máinovo, que decide gritar Benfiiiiica a plenos pulmões no final dos parabéns e lamber uma parede, pondo toda a gente a rir e a ti a pensar se a criatura terá bebido sem teres dado conta;
- À meia noite grande parte das pessoas tinha sono: tirei uma foto em que estão três adultos a abrir a boca e quatro crianças elétricas;
- No regresso a casa de carro (à 1 da manhã uuuuh sua maluca), eu adormeci e os miúdos não;

Festa de crianças:
- Paintball (acho que já não precisava de acrescentar nada, né? Apenas o farei a bem da justiça do confronto);
- Batatas fritas e refrigerantes para todos, ninguém a obrigar-me a beber vinho;
- Criaturas aos gritos e super divertidas sem terem consumido uma pinga de álcool;
- Tiros com tinta, head shots e outras cenas bué curtidas;
- Invariavelmente acaba alguém a chorar, mas é coisa que passa em 2 minutos. A não ser que se seja o mariquinhas do meu Máivelho, que admitiu que um tiro de Paintball lhe doeu mais do que uma palmada minha, informação que - ele nem imagina - vai servir para o chantagear nos próximos 5 anos: Ai doeu?! Preferes um balázio com tinta, é?!

Concluo, com algum pesar, que os putos de idades compreendidas entre os 7 e os 11 se estão positivamente a borrifar para nós: não há mesa de adultos.


sábado, 12 de abril de 2014

Mãe sofre #15

- Para de tirar macacos do nariz Tiago, que badalhoco!
- Olha, se calhar devias pôr os óculos, porque eu estou apenas a coçar um olho.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A jeitosona

Ah, quer isto dizer que hoje vais falar-nos sobre ti, sua Boneca gostosa? Não, pá, sois fofinhos por alvitrar tal hipótese, mas não é sobre mim o naco de prosa de hoje.

É sobre uma senhora que vem no mesmo barco que eu (lamento, mas o meu microcosmos é fluvial e nada a fazer). Ora digo senhora porque se trata de um ser daqueles que por trás parece que tem uma determinada idade e depois vai-se a ver e apanhamos um valente susto quando a dita se vira de frente e lhe vemos as fronhas. Passo a explicar. A senhora, de costas, manda umas trancas do mais jeitoso, usa roupa justa (até um pouco demais talvez) que lhe evidencia as curvas, salto alto, tudo assim em sexy. E aparenta estar na casa dos 25/30. Depois olhando com mais atenção percebe-se que o cabelo não é louro, mas branco. E o maior erro: ver-lhe a cara. Eu cá falo por mim: sou uma mulher que aprecia outras sem qualquer pudor. Não me entendais mal: sempre numa perspetiva antropológica, nada de badalhoquices, que sou imensamente hetero. Gosto de ver uma mulher bem vestida, gostosona, e esta parece particularmente rija, o que me desperta um ciúme saudável. Ora decidi ver a cara da jeitosona e ia tendo uma síncope cardíaca. A criatura deve ter praí uns 60 anos bem tirados. Raisparta a velha como é que ela me atira com aquele corpaço, hein? "De certeza que não tem filhos" é o primeiro pensamento. "P&ta da genética que é f#dida", o segundo. 

Ora dediquei-me a observar-lhe os hábitos fluviais e não aparenta fazer nada de especial, a não ser respirar e coiso. Raça da velha, que inveja, parece toda rija ali nada abana, os braços mais fininhos do que os meus, ordinarona.

Calhou a senhora sentar-se à minha frente um destes dias. E, embora munida de um corpanzil que valhamedeus, a criatura é cega que nem uma toupeira (incha velhadas), pois verifiquei que as mensagens escritas que ia a trocar tinham letras gigantescas e ela ia a olhar para o telefone com este praticamente encostado ao nariz (opá não me lixem, aquilo era um telemóvel velho com um ecrã gigantesco e letras correspondentes a Arial 24, não havia como não ver!) 

E que troca de mensagens era essa, Boneca? Ai, desculpa esta pergunta ofensiva, claro que tu não leste o que a senhora estava a escrever pois isso configura uma valente malcriadice.

Eeerrrr. 

Pronto, tendo já passado este momento de vergonha e tendo-me ministrado sete vergastadas no lombo em jeito de penitência por ler as mensagens em carateres gigantescos que uma velha cegueta porém gostosa ia praticamente a enfiar-me pelos olhos adentro, vou relatar o que bisbilhotei li e as conclusões a que cheguei:
- JÁ TOU NO BARCO, TOU A XEGAR!
(Perceberam o tamanho, né? Pronto, agora vou pôr isto normal, uma vez que já provei a minha inocência)
- Ai qd eu t apanhar...
- Então, o k m vais fazer? (De notar com agrado porém estupefação que a malta idosa também sabe abreviaturas modernaças!)
- Vou-te comer!
Aqui já estou a suster a respiração e com um sorrisinho matreiro a pensar "Olham'a porca da velha, hein?"
- Ai vais? És o lobo mau?
Uuuuiiii que isto está a aquecer. E é então que a gaja resolve fazer uma chamada, porque estas coisas é melhor serem faladas, digo eu, e levanta-se para mais falar mais à vontade e para privar - a velhaca - os companheiros de barco da bela pornografia que estava a decorrer. Buuuuu má velha.

Ora, o que daqui se conclui? 
- Que se tivermos um corpanzil de fazer parar o trânsito mas uma cara cheia de rugas e o cabelo branco, devemos andar na rua de marcha atrás. E talvez pintar o cabelo, digo eu, para manter o mistério por mais uns minutos. E pensar em investir numa máscara de cirurgião para pôr à frente da cara para não assustar as pessoas. 
- Que as nossas conversas badalhocas no barco são para ser partilhadas, pois podemos falecer a qualquer momento e pode haver uma pessoa atrás de nós que tenha um blogue e que esteja na disposição de nos imortalizar e assim nos prestar uma bonita homenagem.
- Que rambóia pós-50 não deve ser assim tão mau.
- Que eu não gostaria de estar na pele dos homens que se metem com ela e depois constatam a cara. Mas gostaria de assistir ao momento. Apenas para o imortalizar no blogue.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

De como não sei lidar muito bem com esta coisa de toda a gente agora mandar mensagens escritas porque são grátis

Uma coisa que me aporrinha é não saber quando terminar uma conversa escrita. Seja chat, SMS, Messenger, whatever. O primeiro receio é ofender. O segundo é parecer desinteressada. O terceiro é ser chata. O quarto não existe.

Acaba-se com um smile? Tendo a optar, quando são amigos com os quais estou à vontade, por um "fui" e vou à minha vida. Mas depois há situações com as quais não sei bem lidar: se alguém acaba com uma piada deverei revidar com um lol? Ou um hahaha? Convém agradecer sempre? Tenho amigos que não param nunca e mais um smile e mais um lol e mais um bonequinho qualquer e eu - que sou uma fofa e nunca quero ofender - vou retorquindo na mesma moeda e quando dou conta gastei os bonecos todos da lista, aquele cagalhão com olhos a sorrir inclusive, que, confesso, é o "emoticon" que mais utilizo vá-se lá saber porquê. A par da beringela, numa técnica inovadora que desenvolvi quando não me ocorre mais nada para dizer, ou nada de interessante. Bumba, uma beringela. De uma assentada, desarmo o interlocutor, que fica sem saber se estou a mandar-lhe o vegetal numa atitude descarada devido ao aspeto fálico do dito, ou se o meu cérebro é de tal forma complexo que o ultrapassa. Esta estratégia cai por terra quando do outro lado temos um Nokia dos antigos que recebe pontos finais ou vírgulas em vez de bonequinhos. Eu toda satisfeita a mandar beringelas e a pessoa a pensar que eu sou só parva (coisa que nunca aconteceria com uma beringela ou o cagalhão com olhos a sorrir). 

Tanta conversa e não se chega a conclusão nenhuma não é verdade? Pois é, porque não a há. Continuo sem saber bem o que fazer e como não parecer rude. Tenho amigos que se estão positivamente a borrifar e levam 2 dias a responder a mensagens, quando respondem. Outros há que, ante um "depois diz qq coisa ok?" não dizem nada. Devem fazer um sim com a cabeça e achar que eu vejo lá de onde esteja. Ou então o problema é meu que faço perguntas retóricas, sei lá. 

Alguém que me mande um guia de redação oficial de mensagens escritas, que serei eternamente grata. Sim? OK? ;)  [cagalhão com olhos a sorrir] + [beringela] LOOOOL WTF 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Eu atraio maluquinhos #14

Não vou dizer o nome da loja onde isto se passou, apenas que começa em Calze e acaba em dónia, onde as moças são sobejamente conhecidas por quererem vender até as prateleiras das lojas, os cortinados dos provadores e a mãe. Credo que são tãaaaao chatas, bem sei que estão a fazer o que lhes mandam, mas reservo-me o direito de as achar uns carrapatos. Só lá vou pelo leve 5 pelo preço de 4, não fora isso e fugia da loja como o diabo da cruz.

Depois de já ter escolhido as meias que queria, no âmbito da tal promoção, acompanhada do compadre, que tinha ido à procura de meias para as miúdas dele:
- Então é só isto hoje?
- Sim, é tudo.
- Nao pretende ver mais nada?
- Não, obrigada.
- Não precisa de mais nada?
- Não, não preciso.
- Collants para si?
- Não, obrigada.
- Meias para as meninas? (OK, a miúda pensa que ele é o meu marido, já estamos habituados)
- Não.
- Biquínis?
- Não.
- Um pareo?
- Não.
- Então e este saco giríssimo para levar para a praia?
(Responde o compadre, já morto de riso e, com certeza por estranhar eu ainda não ter avacalhado, resolve tomar ele a iniciativa)
- Não, que ela tem medo de praia.
- Tem medo?!
- Sim, da areia.
- Então para a piscina, pronto.
- Ela também tem medo de piscina.
- A sério??!
- Sim, ela tem medo de azulejos.
- Mas tem aqui o seu cavaleiro protetor!
- Quem eu?! Eu não protejo ninguém!
- Aaaaah, então leve este panfleto: traz o seu biquini antigo para reciclar e recebe 5 euros, não é pelo biquini, mas pelo gesto, para darmos o nosso contributo! 
- ... Sim... OK...
- Aliás, pode trazer qualquer peça de roupa velha e não é por receber o dinheiro, é para reciclarmos, para sermos amigos do planeta!
(Compadre: - Não tarda vai dizer que é por um mundo melhor...)
- E serve para juntos fazermos um mundo melhor!
- ...
E de repente, passa-se da marmita e desata aos gritos histéricos absolutamente excitadona, como se estivesse sob o efeito de uma cena esquisita:

- E PORTUGAL FICOU EM PRIMEIRO LUGAR NA RECICLAGEEEEEEM!!!!!! IU-HUUUUU!!!!!

Eu e o compadre, obviamente, demos corda aos sapatinhos:
- Epá, vamos fugir daqui e é já, que a miúda fumou alguma cena.
- Mas o que é que acabou de acontecer?
- Material para post?
:)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Boneca disserta sobre mais um tema fraturante

Hoje sinto-me na obrigação moral de partilhar uma angústia que me assola desde há anos e que regressa para me assombrar precisamente nesta altura em que o tempo fica mais ameno, o céu está azul e os passarinhos cantam.

Falo, como já devem ter adivinhado, não porque sois espertos (eu já disse o que achava do facto de virem aqui ler esta porcaria, mas vós insistis), mas porque eu fiz uma belíssima alocução introdutória, do facto de eu não suportar fazer refeições em esplanadas com pessoas que insistem em manter os óculos escuros e estes são espelhados.

Hã? Oi? 

Sim, é esse mesmo o meu flagelo desde há anos a esta parte: não suporto fazer refeições em esplanadas com pessoas que insistem em manter os óculos escuros e estes são espelhados. 

E pronto, já perdi meia dúzia deles. Pois, só quereis rambóia e parvoíce, não é? Quanto toca a falar de coisas sérias, temas mais eruditos e complexos, ala para outro blogue mais blasézinho! Tsss tssss. Bom, mas para os que ainda resistem, ávidos de conhecimento e cultura particular, faço desde já a ressalva de que esta problemática não se coloca quando se trata de óculos sem ser espelhados. 

E pronto, já perdi outra meia dúzia. Paciência, não posso agradar a todos os 36.

Sucede que, chegou a primavera, o tempo aquece, piu piu piu os passarinhos e está bom é para se esplanadar, não é verdade? Assim sendo, juntam-se amigos/colegas/pessoas desocupadas e almoça-se numa bela esplanada, solzinho na tromba a derreter a base que é o que se quer. O que não se quer é a cara engelhada e os olhos franzidos, sendo que aqui reside o verdadeiro problema: obviamente que a solução passa por fazer a refeição de óculos escuros, nada contra, que eu sou pessoa solidária com quem não quer rugas e pés de galinha, eu própria mantenho os óculos postos por isso mesmo, e também para não ser reconhecida (pshiu!). Mas a porca torce o rabo com as pessoas que usam óculos espelhados: ora não me costuma apetecer almoçar comigo própria, é prática que não me interessa, o meu narcisismo não vai além de umas quantas selfies no ginásio (fora do balneário, atenção) e de beijos nas montras quando passo por uma mais lavadinha e estou particularmente gira. Ah, e também já lambi o meu próprio sovaco, mas isso assim de repente não vem ao caso. Agora passar perto de duas horas a falar comigo própria e a comer à minha própria frente é coisa para configurar uma espécie de cena kinky connosco próprios. E eu não gosto cá dessas maluqueiras. Um-para-um com eu, mim e Boneca é badalhoco, um ato a roçar o masturbatório que dispenso, obrigadinhas. E um atentado à sanidade mental, porque conversa com uma pessoa de óculos espelhados depressa se torna num monólogo de maluquinhos: fazemos uma pergunta, no fundo para nós próprios, ficamos a olhar-nos calados a ouvir uma resposta, a aquiescermos com a cabeça e assim sucessivamente. E pancada já eu tenho, não preciso de agentes exógenos para a piorar. Eu e mim é suficiente.


Estou aqui a pensar e o próximo tema fraturante será uma dissertação sobre o facto de os casacos amarelos a três quartos se sujarem muito na zona do rabo. Depois não digam que não vos avisei.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Balanço de um dia no campo

No fim de semana tivemos uma festa de aniversário numa aldeia hípica perto de Oeiras e apresento agora algumas considerações, após uma manhã muito bem passada, apesar do tempo farrusco:

- Andar no campo é coisa que suja: se calhar é melhor não levar botas giras;
- Crianças no campo = bosta no tapete do carro;
- Crianças no campo = bosta nas mãos e nos joelhos;

- Os cavalos têm pilas gigantescas: num minuto estão escondidas, no outro desatam a crescer tipo bomba de bicicleta e só param em valhamedeus;
- O primeiro beijo na boca do meu Máinovo (além de a mim) foi a uma cabra. Mas ele foi um cavalheiro: ajoelhou-se e agarrou-lhe com as duas mãos nas orelhas (ver o momento imediatamente antes aqui);
- As cabras gostam de comer urtigas: e quem lhes tentar dar outra erva enquanto suas excelências estão a almoçar leva uma marrada;
- Os cavalos fazem cocó em qualquer circunstância, até quando estão a ser carinhosamente penteados por 26 crianças;
- As ovelhas são parvas, já as cabras respondem a um MÉEEEEE bem pronunciado;
- Depois de lhe ter explicado que aquele porco pretinho e fofinho era um monte de bifes, o Máivelho recusa-se a comê-los;
- As cabras gostam de saltar para dentro do prato onde comem (ver foto abaixo);
- O Máinovo conhece os animais da quinta todos e ficou muito desiludido por não haver lá galinhas;
- Não há limite de vezes em que uma criança pode cair na lama e em poças;
- Os porcos não fazem RONC, fazem HOOOONNN;
- Já falei do tamanho das pilas dos cavalos?
- Andar de trator requer um soutien de alto impacto;
- Andar de trator só não dói no rabo a quem usa fraldas;
- Se forem andar de trator sem óculos poderão ficar sem olhos;
- Vergastadas de ramos nos olhos dói pra chuchu;
- Quem tem nariz entupido é feliz num estábulo. Ou quem está habituado a mudar fraldas. Ou a própria criança que usa as fraldas;
- Os ares do campo soltam os intestinos das crianças com menos de 3 anos;
- Quando chegámos a casa estive quase-quase para enfiar os putos na máquina e fazer-lhes um programa de centrifugação;
- No dia a seguir a ter andado no campo as crianças dormem até às 11h40. Conclusão: todas as sextas e sábados vai haver disto, ou eu não me chame Boneca Maria de Deus!


Quer um crédito, Sôdôna Boneca? Quer, quer, queeeeer?

[Disclaimer: bem sei que os funcionários dos call centres estão a fazer o seu trabalho, mas há trabalhar e há melgar, e na minha terra não se telefona para casa de potenciais clientes à noite e pronto.]

Número anónimo liga 43668 vezes num dia. Não tenho por hábito atender números anónimos, mas, à 43669ª tentativa e por serem 21h30 e ter os miúdos a dormir, decido atender. É do call centre de um banco de que não sou cliente.
- Boa noite, é a Sra. D. Boneca Maria de Deus?
- Sim, a própria.
- Boa noite, Sra. D. Boneca Maria de Deus. A Sra. D. Boneca Maria de Deus* tem 5 minutos que me dispense?
- Diga lá.
(O senhor respira fundo, antes de abrir a comporta a todo um chorrilho de palavras, lidas, que consegue debitar em tempo record, sem nunca parar para tomar fôlego. Reproduzo apenas o essencial.) 
- Sra. D. Boneca Maria de Deus, temos uma oferta fantástica para si (blablablabla), que é um crédito de 15 000 euros sem qualquer perguntas, (blablablabla) basta dizer que quer este valor pelo telefone e ser-lhe-á de imediato creditado na conta, Sra. D. Boneca Maria de Deus!!
- Não, muito obrigada!
(Pausa) 
- Como não, Sra. D. Boneca Maria de Deus?
- Eeeerrr, não quero. Não estou interessada num crédito.
- Porquê??
- Porquê??! Deve ter grande coisa a ver com isso.
- Mas são 15 000 euros Sra. D. BMD!!! Quem é que não precisa de 15 000 euros? Toda a gente precisa de 15 000 euros, Sra. D. BMD! 
- Pois, neste momento não preciso, obrigada.
- Não há uma viagem que queira fazer, Sra. D. BMD?! Comprar aquela mala de que tanto gosta? Aqueles sapatos?
(Ah velhaco, a tocar nos meus pontos fracos, golpezinho baixo, hein?)
- Bom, assim postas as coisas eu até preciso. Não quero é juros, sim?
- Eeeerrr, Sra. D. BMD, sabe que se trata de um crédito, tem uma taxa de juro associada...
- Aaaaaah, então assim não quero, obrigada.
- Mas Sra. D. BMD, continuamos a falar de uma quantia muito simpática!
- Não obrigada, agradeço a atenção mas não estou interessada e agradecia que retirasse o meu nome da vossa base de dados, porque não sou vossa cliente, não sei como obtiveram o meu contacto, e não quero voltar a ser contactada com propostas de crédito.
- Vou tentar passar essa informação Sra. D. BMD, mas não posso garantir nada.
- Ai não garante? Então depois não se queixem.

Meia dúzia de dias depois voltaram a ligar-me do dito banco, para me oferecer o mesmo crédito. Digamos que já não fui lá muito cordial.

* Entre nomes próprios e apelidos, tenho 5, que eram repetidos em todas as frases. Todas.

domingo, 6 de abril de 2014

Mãe sofre #14

Teste de português do Máivelho:
O que é o mar? Dá a tua opinião.
"O mar é grande e dános sal. O mar é salgado e é por isso que eu tenho muita pena dos cardumes sempre a engolirem sal, quando a gente sabe que o sal, é um veneno para a saúde"

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O rebarbado corajoso

O rebarbado corajoso (nome científico: Nojentus badalhocus) é um espécime endémico das salas de espera dos barcos para o Montijo, onde é encontrado regra geral ao pé do bar. Funciona em matilha e sai para caçar apenas quando devidamente escudado pelos pares e quando o grupo é em número superior a 3. Esta criatura de porte atarracado, tez macilenta, em regra coberto por densa e gordurosa pelagem, que contrasta com o cabelo ralinho, e dentes asquerosos, tem por hábito tecer comentários imbecis às fêmeas com idades compreendidas entre os 10 e os 60 anos. No entanto, fá-lo apenas quando tem a certeza que terá validação dos pares, que grunhem de satisfação ante as investidas do amiguinho com o sexo oposto. E a psicologia contrária é o que mais diverte a matilha, ou melhor, a cáfila (pesquisadores começaram a sequenciar o genoma do dito bicho e descobriram vários genes compartilhados tanto com os canídeos como com os camelídeos): quanto mais enojada se sentir a fêmea objeto da investida, mais satisfeitos se sentem piquenos camelos. Esta espécie, hélas, é pouco ameaçada em termos de extinção: enquanto houver ajuntamento de pessoas em salas de espera de transportes públicos, sobreviverá.

Ora, o rebarbado corajoso, preferencialmente carnívoro mas cuja dieta se baseia em minis e bolos de arroz, possui a sua própria fêmea, vá-se lá saber por que golpe de ironia do destino. E é aqui que se dá uma interessante inversão no seu comportamento. Quando acompanhado da dita, o RC perde todas as suas características predatórias e amansa. Baixa a garupa. Não levanta cabelo. Não arrota postas de pescada. E assim de repente não tenho mais expressões sinónimas. Quando fora do seu habitat natural e acompanhado da patroa, o bicho assim a modos que eunuca, se é que existe o verbo. Aparentemente, os companheiros guardar-lhe-ão cuidadosamente os testículos numa caixa, ele só os podendo usar na sua presença. Ao pé de sua senhora não tuge nem muge, chegando inclusivamente a comportar-se de forma normal, circunspecta até, com o olhar em baixo em forma de submissão, e sem proferir um único dos seus urros característicos.

Anseio agora pelo dia em que uma certa fêmea que eu cá sei que já vivenciou (verbo que me irrita profundamente mas que utilizarei a bem da prosa) os impropérios do dito rebarbado, se passe da marmita e resolva confrontar o animal em frente à sua esposa e perguntar-lhe se não se importará de repetir as frases com que a costuma brindar quando cheio de coragem ao pé dos amiguinhos para que ambas em conjunto e ao mesmo tempo possam usufruir da sua poesia.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Curiosidades sobre mim #10 (faz de conta que tem interesse)

- Sou uma pessoa que não transpira. Posso fazer a aula mais louca no ginásio e nada. Isto provavelmente deve-se ao facto de detestar beber água e ter por conseguinte estes poros todos completamente entupidos (blhéc);
- Embirro particularmente com o André Sardet e o João Pedro Pais. Não sei explicar porquê, mas não me importava de os encher de tabefes;
- Fiz campanha eleitoral pela Maria de Lurdes Pintasilgo quando tinha 10 anos. Só que se esqueceram de me avisar que não ia poder votar (eu estava plenamente convicta que sim). Quando me disseram que não tinha idade caiu-me o mundo ao chão. Ainda hoje sou uma revoltada;
- Baldei-me das escadas da minha casa abaixo grávida do Máinovo: mania de chinelar de havaianas por todo o lado. Safou-me a minha senhora da limpeza, que amorteceu a queda; 
- Quando era bem pequena, num casamento de uma tia, tive de ser levada em braços para fora da igreja, por ter desatado a gritar "PUUUUUUT@!!!!" a plenos pulmões (cheira-me que as tiradas dos meus filhos que me envergonham são uma espécie de castigo divino por isto...);
- As traduções mais, digamos, estranhas que tive de fazer até hoje (e só conto 15 anos disto) foram um relatório médico em que se detalhava a diarreia crónica e os "hábitos intestinais" de um paciente, e a definição de "peso limpo de carcaça", que é exatamente, para quem esteja interessado, "peso em frio do corpo do animal de abate depois de esfolado, sangrado, eviscerado e depois da ablação dos órgãos genitais externos, das extremidades dos membros ao nível do carpo e do tarso, da cabeça, da cauda, dos rins e das gorduras envolventes dos rins, assim como do úbere".

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mãe sofre #13

(Senhora idosa a atravessar a rua muuuuuuuito devagarinho e nós no carro parados à espera)

- Passa por cima da velha, mãe!
- Tiago, não estou a gostar da tua linguagem, não se chama velha às pessoas, francamente!
- Passa por cima da deficiente, mãe!

É que depois desta história já estou suficientemente traumatizada, obrigadinha sim?

Tentativa de vazamento de olho

Um filho. Na verdade, dois. Uma mãe. Uma chuva. Assim do tipo bué. Vários guarda-chuvas. Uma escola com feira do livro, confusão, livros muitos, dinheiro trocado, imensa gente. E a chuva a cair lá fora. Torrencialmente.

Abre-se a porta, uma rabanada de vento leva o guarda-chuva mais pequeno, corre uma criança para o apanhar. Criança encharcada, mãe corre atrás do outro que foge para debaixo da chuva e para dentro de poças de lama. Chapinha, enlameia-se, está feliz. A mãe nem por isso. Volta o guarda-chuvinha, a mãe agarra na criança ao colo, a outra vem atrás de si, colada à sua traseira, a pisar-lhe os calcanhares. A outra que está ao colo insiste em levar o guarda-chuva aberto, na mão, enquanto prende as varetas no cabelo da mãe, que até há uns minutos estava preso num rabo de cavalo. Agora está enleado no guarda-chuva. A criança, irritada com a perturbação, dá um esticão no guarda-chuva. Boa parte do cabelo da mãe é arrancado, fica pendurado nas varetas, parece um chapéu de sol com uma saia havaiana, que bonito que fica.

Abre-se a porta do carro, a criança quer entrar com o guarda-chuva aberto. E entra, efetivamente, e também a chuva. E a chuva entra também pela folga entre a roupa e o pescoço da mãe, e escorre pela espinha abaixo até praticamente ao rego do ass, enquanto ela tenta fechar o cinto de segurança da cadeirinha do miúdo e o guarda-chuva que ainda está a aberto e a provocar estragos e inundações dentro do carro. 

A mãe arranca o objeto à força das mãos do filho, que chora e esperneia, fecha-o, a chuva a escorrer pelo cabelo, pelas costas, pelas pernas, o filho a contorcer-se e a tentar puxar o objeto do demo das mãos já cansadas da progenitora. Com a agitação, a criaturinha carrega no botão de abertura do guarda-chuva. Que é automático. E este abre, de supetão, num olho da mãe. A mãe chora. Muito. Verifica se tem o olho ainda preso à cara. Tem. A vareta errou por 3 milímetros.

A mãe põe o carro a trabalhar, arranca e vai para casa. Com as lágrimas a escorrerem cara abaixo e os filhos a cantar "O carro do meu chefe tem um furo no pneu" em si bemol.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Todos os vegans cheiram mal?

Sim, o título é propositadamente provocador, e tudo porque este tema me mexe com o sistema nervoso. E com o respiratório, sobretudo.

É que o meu professor de alemão cheira meeeeesmo mal. Epá, que fedorento que o homem me saiu. Aparentemente ele é vegan e segue todo um modo de vida ecológico, sustentável e o catano, o que se traduz basicamente em ausência de carne, beijinhos a todos os animais e pouco banho. No caso dele, pelo menos, não se enervem.

E esta coisa de não se poder matar um mosquito que seja, hein? Eu um dia perguntei-lhe, no meu melhor alemão "Então e se apanhieren ein mosquiten mesmo mesmo no ato de chuparen o sanguen? Não lhe arreien porraden?" "Nein, Nein!" disse ele, "abano para ele se ir embora". Abanieren, portanto. Ora raistaparrten, pá. Soubesse ele deste meu episódio com a lagartixa Henriqueta e era banida das aulas para todo o sempre.

O corolário é mesmo o facto de ele vir de bicicleta para as aulas, o que faz sentido no contexto apresentado, mas que vem exacerbar o problema, sobretudo no verão, quando o homem me aparece a pingar suor e a cheirar a Camembert.

Ora eu que sou criatura esquisitinha no que toca a cheiros, sento-me a 3 km de distância dele, mas sempre com problemas de consciência de que ele dê conta que é por sua causa. Problemas esses que rapidamente se desvanecem ante a visualização da gota de suor que desce pela testa, viaja pelo nariz - em dias bons chega a roçar pelo queixo - e pinga para as folhas de papel. Blagh. Acresce pivete a tabaco, cabelo até aos ombros e barba farfalhuda. Tudo em bom, portanto. Ah, e camisolas grossas, mesmo quando está calor. Ui, que belo cocktail de bedum, que só me faz lembrar esta personagem de desenhos animados aqui em baixo, que eu amava de paixão quando era uma bonequita mái piquena: