terça-feira, 8 de abril de 2014

Boneca disserta sobre mais um tema fraturante

Hoje sinto-me na obrigação moral de partilhar uma angústia que me assola desde há anos e que regressa para me assombrar precisamente nesta altura em que o tempo fica mais ameno, o céu está azul e os passarinhos cantam.

Falo, como já devem ter adivinhado, não porque sois espertos (eu já disse o que achava do facto de virem aqui ler esta porcaria, mas vós insistis), mas porque eu fiz uma belíssima alocução introdutória, do facto de eu não suportar fazer refeições em esplanadas com pessoas que insistem em manter os óculos escuros e estes são espelhados.

Hã? Oi? 

Sim, é esse mesmo o meu flagelo desde há anos a esta parte: não suporto fazer refeições em esplanadas com pessoas que insistem em manter os óculos escuros e estes são espelhados. 

E pronto, já perdi meia dúzia deles. Pois, só quereis rambóia e parvoíce, não é? Quanto toca a falar de coisas sérias, temas mais eruditos e complexos, ala para outro blogue mais blasézinho! Tsss tssss. Bom, mas para os que ainda resistem, ávidos de conhecimento e cultura particular, faço desde já a ressalva de que esta problemática não se coloca quando se trata de óculos sem ser espelhados. 

E pronto, já perdi outra meia dúzia. Paciência, não posso agradar a todos os 36.

Sucede que, chegou a primavera, o tempo aquece, piu piu piu os passarinhos e está bom é para se esplanadar, não é verdade? Assim sendo, juntam-se amigos/colegas/pessoas desocupadas e almoça-se numa bela esplanada, solzinho na tromba a derreter a base que é o que se quer. O que não se quer é a cara engelhada e os olhos franzidos, sendo que aqui reside o verdadeiro problema: obviamente que a solução passa por fazer a refeição de óculos escuros, nada contra, que eu sou pessoa solidária com quem não quer rugas e pés de galinha, eu própria mantenho os óculos postos por isso mesmo, e também para não ser reconhecida (pshiu!). Mas a porca torce o rabo com as pessoas que usam óculos espelhados: ora não me costuma apetecer almoçar comigo própria, é prática que não me interessa, o meu narcisismo não vai além de umas quantas selfies no ginásio (fora do balneário, atenção) e de beijos nas montras quando passo por uma mais lavadinha e estou particularmente gira. Ah, e também já lambi o meu próprio sovaco, mas isso assim de repente não vem ao caso. Agora passar perto de duas horas a falar comigo própria e a comer à minha própria frente é coisa para configurar uma espécie de cena kinky connosco próprios. E eu não gosto cá dessas maluqueiras. Um-para-um com eu, mim e Boneca é badalhoco, um ato a roçar o masturbatório que dispenso, obrigadinhas. E um atentado à sanidade mental, porque conversa com uma pessoa de óculos espelhados depressa se torna num monólogo de maluquinhos: fazemos uma pergunta, no fundo para nós próprios, ficamos a olhar-nos calados a ouvir uma resposta, a aquiescermos com a cabeça e assim sucessivamente. E pancada já eu tenho, não preciso de agentes exógenos para a piorar. Eu e mim é suficiente.


Estou aqui a pensar e o próximo tema fraturante será uma dissertação sobre o facto de os casacos amarelos a três quartos se sujarem muito na zona do rabo. Depois não digam que não vos avisei.

4 comentários:

  1. vou mostrar esta 'coisa escrita' a uma pessoa que eu cá sei.. eu detesto oculos espelhados PONTO.

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  2. Lambeste o teu próprio sovaco? Ui, que maluqueira! Looool

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    1. Não vamos focar-nos em pormenores, sim?

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  3. Ahah, qualquer dia ainda estou a ser relatada cá no blog x)

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