quarta-feira, 2 de abril de 2014

Tentativa de vazamento de olho

Um filho. Na verdade, dois. Uma mãe. Uma chuva. Assim do tipo bué. Vários guarda-chuvas. Uma escola com feira do livro, confusão, livros muitos, dinheiro trocado, imensa gente. E a chuva a cair lá fora. Torrencialmente.

Abre-se a porta, uma rabanada de vento leva o guarda-chuva mais pequeno, corre uma criança para o apanhar. Criança encharcada, mãe corre atrás do outro que foge para debaixo da chuva e para dentro de poças de lama. Chapinha, enlameia-se, está feliz. A mãe nem por isso. Volta o guarda-chuvinha, a mãe agarra na criança ao colo, a outra vem atrás de si, colada à sua traseira, a pisar-lhe os calcanhares. A outra que está ao colo insiste em levar o guarda-chuva aberto, na mão, enquanto prende as varetas no cabelo da mãe, que até há uns minutos estava preso num rabo de cavalo. Agora está enleado no guarda-chuva. A criança, irritada com a perturbação, dá um esticão no guarda-chuva. Boa parte do cabelo da mãe é arrancado, fica pendurado nas varetas, parece um chapéu de sol com uma saia havaiana, que bonito que fica.

Abre-se a porta do carro, a criança quer entrar com o guarda-chuva aberto. E entra, efetivamente, e também a chuva. E a chuva entra também pela folga entre a roupa e o pescoço da mãe, e escorre pela espinha abaixo até praticamente ao rego do ass, enquanto ela tenta fechar o cinto de segurança da cadeirinha do miúdo e o guarda-chuva que ainda está a aberto e a provocar estragos e inundações dentro do carro. 

A mãe arranca o objeto à força das mãos do filho, que chora e esperneia, fecha-o, a chuva a escorrer pelo cabelo, pelas costas, pelas pernas, o filho a contorcer-se e a tentar puxar o objeto do demo das mãos já cansadas da progenitora. Com a agitação, a criaturinha carrega no botão de abertura do guarda-chuva. Que é automático. E este abre, de supetão, num olho da mãe. A mãe chora. Muito. Verifica se tem o olho ainda preso à cara. Tem. A vareta errou por 3 milímetros.

A mãe põe o carro a trabalhar, arranca e vai para casa. Com as lágrimas a escorrerem cara abaixo e os filhos a cantar "O carro do meu chefe tem um furo no pneu" em si bemol.

12 comentários:

  1. Eu também estou a chorar.... mas é de tanto rir!!!!!!
    Ai deixe lá, daqui a uns aninhos eles já andam bem comportados e aí já consegue manter a compostura.
    Eu sei o que isso é...

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    1. tsss tsss a rir da desgraça alheia... ;)

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  2. Boneca... vais ser a grande responsavel por eu nunca vir a ter filhos! :P

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    1. Isso é que não! Aconselho ver a Mixória de Temáticas da Comercial denominada "As crianças são desagradáveis, porém fofas", para ter uma ideia das vantagens e desvantagens. :)

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  3. Pequeno terrorista, é o que digo...começam assim :p

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    1. Daqui a uns anos estou a levar no lombo.

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  4. Tadinha da Boneca... Mas eu confesso que me ri (muito...)... Desculpe, vou tentar ser uma pessoa melhor...

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  5. Tal e qual, com a diferença de não ter ainda nenhum/a criança que não seja de colo e com a agravante da pequena monstrinha achar delicioso tirar o carapuço da sua cabeça e, por uma questão de igualdade, também o chapéu que a mãe traz.
    Resumindo: a mãe deverá estar apta a agarrar um chapéu de chuva, levar/agarrar a pequena terrorista de 13kg ao colo, ao mesmo tempo que abre/fecha porta do carro, mantém o carapuço na cabeça da terrorista e não deixa fugir o seu próprio chapéu...
    Tudo culminando na posterior ida para o trabalho com o ar de assassina e cabelo de quem levou vários choques eléctricos quando entrou na banheira...

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    1. Muita solidariedade daqui deste lado!

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  6. Depois de ler isto, acho que o meu útero secou... =P

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    1. HAHAHAHAHAHAHAHA! Credo, tb não é preciso, tudo isto é muito divertido e fofinho! :p

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