sábado, 31 de maio de 2014

Me happy #9 - edição especial festas da freguesia

A bela da sandes de coirato, da festarola
O belo do pão com chouriço, da festarola.
Nem tudo podia ser mau...

Festas da freguesia report

Sexta à noite. Filhos recambiados para casa dos avós, para não aturarem a confusão e o barulho e para o Máivelho descansar, que anda em testes. Marido vai chegar tarde, por isso enfio um batido de proteínas no bucho para não me sentir tentada pela certeza das entremeadas que estão a ser assadas ao fundo da rua. Sento-me ao computador para trabalhar (sim, bem sei, é deprimente numa sexta à noite, mas é a vida) e começam os acordes do primeiro concerto. Não faço ideia quem são as criaturas mas fazem covers dos maiores sucessos pimba. Ele é "Mas quem será o pai da criança" que juro que se devia ouvir no Parque das Nações semelhante o poder dos amplificadores, ele é "Apitócomboio" e afins. A melhor banda sonora para trabalhar, portanto.  

Mas faltava ainda o cabeça de cartaz: o Clemente. Iupi, pelo menos é um artista da minha terra, Setúbal. Entretanto queixava-me no Facebook e os meus amigos gozavam-me. Uns, de Setúbal, a aconselharem-me a pedir músicas só para mim, por ser conterrânea do senhor, outros de Lisboa, a queixarem-se por estar a ouvir música sem pagar e sem sair de casa, outros, no Rock in Rio, pura e simplesmente a tentar enxovalhar-me. Por falar em RiR, aconselho a experiência de ouvir os Linkin Park pela TV e o Clemente pela janela. É de uma esquizofrenia enternecedora. Ah, e fiquem sabendo que a bela música "Ese toro enamorado de la luna" cantado por uma pessoa que não sabe pronunciar devidamente os "l" é mágico… Deve ser por isso que me dói a cabeça hoje. Ou de ter dormido até às 12h15, não sei (muhahaha - riso maléfico). 

Só sei que Senhor meu Marido chegou pouco depois da meia noite e o que trazia ele nas mãozinhas, hein? Pois que pães com chouriço acabados de sair do forno e churros com chocolate. Ah, viver na província é mau, não é?? Inchem!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bora lá confraternizar?

Gostaria de começar este texto proferindo um chorrilho de impropérios e asneiras daquelas mesmo cabeludas, mas o pudor não me permite, nem a mãezinha. E desde quando isso é impedimento, sua malcriadona? Desde hoje. E não acredito que dure muito tempo, por isso é aproveitar. Aliás, vamos lá ver se consigo chegar ao fim deste texto sem arrear a giga. 

Ora sucede que chegámos à altura do ano que mais temo nesta vida: a das festas da freguesia, de que já falei no ano passado neste post. São as chamadas Festas de Confraternização Camponesa de S. Francisco de Alcochete e não me vou repetir em relação aos sentimentos que me provocam. Ide ler o post anterior, que foi para isso que pus o link ali em cima, e já ficam contextualizadinhos. Reitero apenas que as ditas festas despertam o que de pior há dentro deste corpinho, e tenho pensamentos que envolvem motoserras, catanas e o ocasional martelo pneumático.

Comecemos pelo nome: Festas de Confraternização Camponesa. Ora, já não há (ou há poucos) camponeses, por isso, já mudávamos o nomezinho imbecil, não? Eu proponho Festas de Azucrinação da População, ou Festas em que uma Cambada de Desocupados Perturba o Sossego de Quem Tem Filhos em Testes e Se Vê Obrigado a Recambiá-los para Casa dos Avós. Ou até Festas do Anda cá meu Cabrão que já te digo se Mijas à Porta da minha Garagem (eu disse que não ia aguentar, olha, durou dois parágrafos, é um recorde absoluto digno de ser festejado!).

Enquanto se muda e não muda o título da rambóia campesina, venho por este meio sugerir formas alternativas de confraternização camponesa, que não perturbem o meu sono de beleza e não me despertem instintos homicidas. A saber:
- mantenha-se as sandes de coirato cozido, as entremeadas, bifanas, churros, pães com chouriço, algodão doce e afins, mas abolindo-se as bebidas: ninguém vem vazar os conteúdos do estômago à porta da minha garagem, já os da bexiga é outra história;
- desde já me voluntarizo para partir todos os dedos da mão direita (ou esquerda se o gajo for canhoto) ao fdp que larga os foguetes de alvorada às 8 da manhã. E à pessoa que teve a ideia. E à pessoa que comprou os foguetes. E já agora, a quem os produziu, que assim dá-se cabo de toda a cadeia de produção, distribuição e consumo final, cortando-se o mal pela raiz. O desgraçado do Máivelho acordou em pânico com a saraivada de foguetes a perguntar se eram granadas e tiroteios de terroristas;
- carrosséis: isto de se pagar 2 euros e os putos serem chocalhados 17 segundos e se queres mais arrota mais dinheiro tem de acabar;
- largadas de touros: aqui é que deveria haver confraternização da boa, senhores, não era estarem todos escondidinhos a cutucar o touro assim de longe com um pau de 3 metros. Aqui é que deveria haver cafuné e xi-corações ao bovino, para ficarem todos bem moídos e irem para a cama cedo;
- proponho uma troca com o Rock in Rio no que ao cartaz concerne, já que são certames geminados, uma vez que se realizam na mesma altura: troco o José Malhoa pelos Rolling Stones na boa, receberia de bom grado o Justinzinho Timberlake (yammi ande cá à sua Boneca que eu não o aleijo) em meus aposentos, que agora me lembro poderiam servir de camarim pessoal ao jeitoso, e recambiava para a Bela Vista os ranchos folclóricos e a pimbalhada toda que vai desfilar à porta de minha casa este fim de semana.

Prevejo uns próximos dias difíceis, por isso aviso desde já, se sois pessoas sensíveis, afastai-vos temporariamente deste barraco, porque o nível de vernáculo vai aumentar em direta proporção com a minha privação de sono.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mãe sofre #22

(Silêncio completo na casa quando se ouve um grito desesperado)
- MÃE!!!! MÃAAAAAAAAAEEEEE!!!!!!
(Subo as escadas a correr, a pensar nas piores desgraças)
- O que foi??!! O que aconteceu???!!
- Tenho a sensação que me caiu um olho. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

ROOOOONC

5h48 e eu acordo com um barulho ensurdecedor e absolutamente assustador. Uma espécie de grito desesperado, que me gelou até à alma. Dei um salto de meio metro, arreei com a cabeça na parede (desvantagem de não ter cabeceira de cama), processo o facto de o homem - desgraçado - já ter saído para trabalhar e olho para a câmara do intercomunicador. O Máinovo dorme a sono solto, de cabeça para baixo na cama como de costume. Corro para o quarto do Máivelho e lá está ele, de boca aberta, todo enrolado nos lençóis, ou seja, normal.

Pronto, sonhei, mas caramba foi mesmo real. Eis que, quando me deito de novo, uma vez mais oiço o barulho aterrador: ROOOOOONC. Pormenor: desta vez foi fácil localizá-lo, visto que estava acordada. Pois que vinha da minha barriga. Agora pergunto eu: haverá forma mais estúpida de acordar? A sério, alguém me diga. Com um ronco da própria barriga? Bom, a modos que a decisão se prendia agora com descer ou não as escadas para ir comer. Não. Dá muito trabalho. ROOOOONNC. Bem sei, estou cheia de fome, mas tenho mais sono ainda. Se adormecer a fome passa. ROOOONC. Já sei, vou contar carneiros. Carneiros se calhar não porque posso pensar em costeletas e isso não ajuda. Vou contar pincéis de maquilhagem. Isso. 

6h45. Um grito ensurdecedor perscruta toda a casa. Mas outra vez?! Não, não vou ceder. Tenho sono. De novo um grito. MÃAAAAAAEEEEEE!!!! Catano. Não há sossego nesta casa de manhã. Levantei-me e nem tentei perceber o que ele queria. Agarrei no puto e fui comer quiche de chouriço, que - em não havendo costeletas - era o que havia mais à mão. A outra criança, alheada de toda a rebaldaria, continuou a ter direito a dormir até às 8h15, como de costume, o sortudo.

Disfuncionalidade em toda a sua plenitude.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Intimidades à força

São disso apanágio situações várias no ginásio, das quais um excelente exemplo será, com certeza, aquele momento absolutamente constrangedor em que, no balneário, depois de uma aula, todas suadas, estamos todas descascadonas e - inadvertidamente como é óbvio - a nossa mão roça no rabo da mulher nua e transpirada que está no cacifo ao lado.

E o que fazer, após este momento akward de intimidade? Tecer um elogio ao rabo alheio? "Desculpe, mas deixe que lhe diga, tem um belo béfe"?

Sucede que no caso em apreço apalpei uma badocha com um pandeiro que dava dois do meu. Neste caso, ao que se teceria loas? "Desculpe minha senhora, mas a dimensão do seu real pacote invadiu o meu espaço, mas olhe que sempre dará jeito se precisarem de aterrar um piqueno Cessna e o aeródromo de Tires estiver fechado para manutenção!" O que fiz foi mesmo um monumental esforço para conter no estômago o lanche consumido umas horas antes, balbuciei algo como "ai peço imensa desculpa" (as palavras que estavam a querer sair eram aaaaarrrrgggghhh blaaaaaaaagh"), agarrei no gel desinfetante com alguma discrição e esfreguei aquilo das mãos aos sovacos até praticamente arrancar pele. 

A minha imaginação, prodigiosa claro está, pôs-se imediatamente a pensar numa situação semelhante no balneário masculino, onde tradicionalmente há mais suor e mais pelo. E muito mais preocupação (ou não) em evitar tocar em rabos alheios, não vá isso configurar um convite inadvertido para o regabofe. 

Eu cá sempre disse, isto resolvia-se era com balneários mistos. Assim num sistema um para um, homem a mulher, tipo sandocha, cacifo feminino intercalando com masculino e assim sucessivamente. Por um lado, talvez criasse vergonha na cara de algumas orangotangas que insistem em andar com pelo a assomar para fora dos tecidos, por outro, criava-se um convívio salutar, inibidor de preconceitos e gerador de partilhas: ora empresta-me o teu gel depilatório aqui, ora agora apanha-me este sabonete acolá. E convenhamos que tocar no rabo do vizinho do lado de repente tornar-se-ia no momento mais aguardado do treino. Seria supimpa, não?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Curiosidades sobre mim #14 (faz de conta que tem interesse)

- Adoro bolsos, tudo o que os tenha. Já cheguei a comprar uma saia cujo padrão até nem achava fantástico apenas porque tinha uns bolsos lindos, super bem feitos;
- Adooooooro Sugus (sobretudo de morango): era menina para comer caixas daquilo. Varro uma embalagem em 4 minutos e meio;
- Detestoooo cheiro a tabaco, então se for numa pessoa tira-me do sério, de tão enjoada/enojada que fico;
- Não obstante, aguentei namorei com um fumador 8 anos, vá-se lá entender esta contradição;
- Tenho uma embirração particular com as marcas Desigual e Cavalinho;
- Aqui há uns poucos anos, lia imensos blogues: agora estou cada vez mais desiludida, parecem-me todos iguais, salvo honrosas exceções;
- Tiago, sai já daqui, já te disse que é falta de educação estares atrás da mãe a ver o que ela escreve no computador!!!
- Comprometi-me a fazer um desmame de Coca-Cola Zero aqui há umas semanas, e devo confessar que não consegui: o máximo que aguentei foram 3 dias…;
- Acho que estou a começar a acusar o peso da idade: pequenas atitudes, cuidados, que nunca tive e que começo a ter na vida. Estou a caminhar para os 40 e isso assusta-me um pouco. Por outro lado, se for verdade que são os novos 30, BRING IT ON;
- Assusta-me imensamente a ideia de perder o meu pai, cuja doença (embora me vão dizendo que ele está a reagir bem aos tratamentos) o transformou num esqueleto andante, de tão debilitado que ficou.

domingo, 25 de maio de 2014

Pensamento de fim de semana #45 - Especial Final da Champions

Adoro Lisboa, mesmo quando isto mais parece Madrid.

Terreiro do Paço, visto do Arco Triunfal da Rua Augusta
Rua Augusta cheia de hermanos (nesta altura ainda sóbrios)
Uma caravela no meio do rio, não faço ideia a fazer o quê,
mas que ficou giro, isso ficou
Mais uma, desta vez com o meu dedo no canto inferior direito,
a comprovar a inaptidão fotográfica


E a cor deste rio, senhores? Haverá coisa máilinda?!

Isto era tudo deles, como se pode ver pela bandeira ali no meio.
Pronto, já chega de rambóia, agora ide para casa, sim? 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Coisas que todas as mulheres deveriam saber e nunca ninguém lhes disse,pelo menos de forma assim tão bem sistematizada

Poderemos considerar este post um contraponto a este post, a que alguém simpaticamente aludiu como "serviço público" (cá beijinho, Rita!). E como esta vossa serva não quer outra coisa que o vosso bem, decidi proceder a uma análise rigorosa com o alto patrocínio de coisíssima nenhuma, tudo com o mui nobre objetivo de impedir que as minhas companheiras de sexo (ou género, como agora está na moda) não se envergonhem por essa vida a fora.

E quem pensas tu que és, ó lambisgóia, só porque tens um blogue pensas que sabes tudo e és a dona da verdade? Sim, é isso. Não quereis, dai de frosques e ide ler outro barraco qualquer.

Ficasteis? Liiindas meninas. Então bora lá esmiuçar algumas características femininas que, se me tiram do sério a mim, fará aos homens.

Mamocas de fora. Amigas: ele há mamaçais que nos entram pela vista adentro e nos acrescentam dioptrias sem pedir autorização. Meeeenos, tapem lá isso, não há necessidade.

Leggings. Esta temática fala-me particularmente ao coração, uma vez que frequento transportes públicos. E há uma espécie endémica dos transportes que teima em usar leggings sem nada a tapar as partes pudendas. E minhas caras: ele há detalhes que não são agradáveis em NENHUMA circunstância. Trust me. Mesmo que ali seja tudo perfeito, escondam lá isso com algum tecido ófaxavor. Ah, filhotas, e quem diz leggings  diz calças puxadas para cima até valhamedeus, que só não põem a voz mais fininha, porque não tendes testículos: mais uma vez, há pormenores que não são para ser partilhados com o mundo, tsá?

Cigarro no canto da boca a la taxista. Muito pouco feminino, e já nem vou falar do hálito.

Sapatos de salto alto sem os saber usar. A sério: conheço quilos de mulheres que usam sapatos (lindos até) de salto alto, mas depois parecem umas patarecas, o que, convenhamos, dilui todo e qualquer propósito de elegância. Admitam a vossa ignorância no assunto e treinem em casa antes de saírem à rua. Façam um favor a todos e sobretudo às vossas articulações. Repetir comigo este mantra: sabrinas / salto de 5 cm / salto de 8 cm / e acabou-se, volta à casa de partida sem passar pelos saltos de 10 cm.

Cabelo oleoso. Nem vou entrar por aí. Blhéque pá.

Unhas carregadas de bonecada se tiverem mais de 12 anos. Decidam-se: ou bem que são mulheres, ou bem que são gaiatas.

Base-Nutella: oi? O que é isso? Vão dizer-me que nunca viram estas moças? Com o pescoço branquela e a cara morena como se a tivessem enfiado num frasco daquela gosma deliciosa? Raparigas, se se querem maquilhar e não sabem, bora lá procurar conselhos de quem saiba, sim? E convenhamos que desperdiçar Nutella nas trombas é até pecado.

Mulher-alcandório, também conhecida como Árvore de Natal: ele é brincos, ele é fios, pulseiras, ganchos, toda a quinquilharia que tenha lá em casa é para botar em cima. Depois estranham que pareçam sempre mais gordas. Pudera, só 5 kg são em merdongas de pxisbeque. Less is more, bitches.

Mulheres com hormonas histéricas. Queremos (eu e os homens) cá saber se estão com TPM ou LCD ou RPM ou o catano. Ou bem que estão bem-dispostas ou bem que fazem como eu: assumam que estão (são) insuportáveis. Decidam-se. Não há cu para bipolaridade hormonal e menstrual. Canojo. Ah, e que as hormonas não vos sirvam de desculpa para andarem tipo orangotango: farfalhudice só mesmo nas sobrancelhas (e bem delineadas!) e no cabelo, sim, está combinado?

Mulheres asneirentas. Falta de elegância!

Espera! Pára tudo! Então mas tu que és a criatura mais malcriadona da blogosfera tens a lata de dizer que as mulheres não devem dizer asneiras? Pois com certeza. Se for eu, é só fofinho e cutxi-cutxi. Porque eu sou uma Boneca, ou esqueceram-se?! Car€&?#, pá.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Eles não gostam delas intelectuais?

Sucede que houve dois dias seguidos em que passei pelo mesmo sítio e me cruzei com os mesmos homens, com uma diferença na minha indumentária: num dia levava óculos, no outro não. Pois que no primeiro dia as criaturas desfiaram um rol de badalhoquices que amável e altruisticamente procederiam para com a minha pessoa, algumas delas bastante imaginativas até. No segundo, nada. Olharam para mim e nem um ai. Oh diabo, até pensei voltar atrás e dar nova voltinha, mais bamboleante, mas se calhar seria "cutucar a onça com vara curta". 

O que se conclui daqui, pergunto eu, plena de preocupação e com um ego ferido de morte ante a perspetiva de o meu ar pseudo-intelectual poder desagradar a uma categoria de homens tão importante como os que constroem as infra-estruturas para a final da Champions?! Os homens não gostam delas intelectuais? Ou deverei apenas considerar mudar de armações uma vez que estas me põem assim feiinha? Será o ar de quem lê, ou o medo desta gente de, convidando-me quiçá para beber uma jola, eu do nada desatasse a recitar Kierkegaard? Ou que no auge da maluqueira eu gritasse pelo Umberto Eco? Ou pior, que a minha ideia de noite bem passada fosse na secção de autores niilistas da Fnac?

A minha estratégia para os próximos dias vai ser desfilar naquela área, sempre com óculos, mas envergando outfits diferentes, para testar a resiliência dos bichos. Ou então a ideia é péssima, ainda não decidi. O que é certo é que estou aporrinhada com a questão, pois gostaria de confirmar se de óculos sou mesmo um grande estafermo de mulher, ou se o grau de pitosguice é inversamente proporcional ao sex appeal.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Passaram-me fugazmente pelas mãos uns sapatos de €€€€€

Assim muito fugazmente. E eu, que sou absolutamente louca por sapatos (que mulher - normal - não é?), fiquei com alguns sintomas de doença. A saber: suores frios, taquicardia e dores assim na região dos cotovelos. 

Passo a explicar: por razões que agora não vêm ao caso, comprei (de forma intermediária) uns sapatos para uma amiga minha. Assim dito, parece normal. Acontece que são "os" sapatos. Aqueles que eu adorava ter, mas que não fui capaz de dar um balúrdio por eles. E que forma mais imbecil de auto-tortura esquizofrénica haverá que comprá-los, pagá-los e depois deixá-los ir, rumo a outra dona, mais abonada e que seguramente os fará mais feliz, porque não andará a queixar-se que os filhos vão comer apenas arroz com fios de chouriço nos meses seguintes (que é o que teria acontecido se eu tivesse comprado os sapatos para mim). Assim, tive a transitória ilusão de ser proprietária dos sapatos máilindos de sua Boneca, recebi-os com todo o carinho no meu regaço, dormiram cá em casa uma noite, dei-lhes muitos beijinhos (sem grandes encostos para não me afeiçoar) e deixei-os partir, de coração dilacerado, mas na certeza de que vão ser muito bem tratados.

O cúmulo do auto-flagelo foi mesmo tê-los ido eu entregar em mãos à sua nova mãe. Custou a separação, estive vai-não-vai para fugir com eles e fosse o que Deus quisesse, mas depois lembrei-me que calço o 36 e os gajos eram umas traineiras 38,5, onde eu seguramente conseguiria enfiar os meus dois pés ao mesmo tempo. E com meias grossas. E deixei-os ir, de lágrima no olho. Ide, bichinhos, e pensai nesta vossa mãe biológica com carinho, que fez o que era melhor para vós, para vos dar uma vida mais condigna. Talvez daqui a uns anos voltemos a encontrar-nos e vocês me perdoem. Tudo de bom para a vossa vida.

Snif.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Para o Cacá

O meu grande amigo Cacá:
- faz anos hoje;
- é meu amigo há mais de 20 anos e foi meu colega de carteira no secundário;
- odeia que lhe chame Cacá, diminutivo da adolescência que o assombra até hoje, apenas relembrado por meia dúzia de pessoas que ele gostaria de matar por esse facto;
- fez-me tantas patifarias que um diminutivo panisgas não chega para retribuir (bigodes nos ídolos musicais que me forravam os cadernos é só assim das piores que me lembro);
- tinha uma paciência de santo para ouvir os meus desabafos amorosos, que eram imensooooos;
- no entanto, só dava conselhos de trampa, era uma verdadeira nódoa como conselheiro sentimental;
- juntos, dávamos com a professora de Alemão em doida, que chegou a ter de nos separar para conseguir ter sossego na aula;
- era louco por Queen, não se aguentava o homem sempre a cantar as músicas e a imitar (mal) o Freddy Mercury. Quando ele morreu eu fartei-me de gozar com ele: hoje em retrospetiva percebo que vou para o Inferno por isso; 
- é a única pessoa que conseguia ter as unhas ainda mais feias do que as minhas (eu deixei de as roer, ele ainda rói), arrisco mesmo dizer que os dedos dele pareciam os de um sapo;
- ia fazer claque por ele aos jogos de andebol, embora odiasse;
- ele ia aos meus treinos de natação, embora não achasse piadinha nenhuma;
- a correria da vida afastou-nos durante um par de anos e foi precisamente nesses entrementes que ele se lembrou de ter um filho e eu de casar. Resultado: foi a única vez que não nos acompanhámos numa fase importante das nossas vidas e tenho muita pena disso;
- felizmente retomámos contacto em força novamente a tempo de eu ir ao seu casamento e de "ver" outro filho dele nascer, o que me deixou muito feliz;
- tem um grau de parvoíce perigosamente parecido com o meu, talvez seja por isso que nos damos bem até hoje;
- já deu aulas de Body Combat em cima de um palco ao lado de Senhor Meu Marido: foi estranho vê-los, parecia o meu passado e presente e futuro juntos aos pulos feitos macaquinhos;
- demora em média um dia a responder a mensagens, quando responde;
- temos ambos casas de férias perto da Comporta e todos os anos é certinho que lá nos encontremos uns diazinhos para praia e petiscos;
- teve uma vez a lata de me responder à pergunta "tens lido o meu blogue?" "claro que sim, rio-me mais do que contigo, que ao vivo não tens piada nenhuma!";
- é um gajo famoso, mas continua parvo e simples, sem manias e amigo do seu amigo;
- escreveu-me uma dedicatória no seu livro que sintetiza uma bonita amizade: "Não vale a pena falar dos 58.313 anos que levamos de amizade. É mais importante saber que, com isso, nos mantemos na vida um do outro, admiramos os sucessos um do outro, partilhamos brincadeiras com os filhos, estamos lá quando importa. Porque nos importamos. É isso, a amizade. Gosto muito de ti";
- é meu Amigo e eu gosto muito dele.

Parabéeeeeeens (Ri)Cacá(rdo)!!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Das entregas de prémios à portuguesa

Serei eu a única criatura no mundo com imaturidade suficiente para congeminar discursos imbecis de agradecimento que gostaria de ouvir em galas de atribuição de galardões do tipo das votadas por pessoas que lêem revistas do coração? Ontem dei por mim a ver en passant uma dessas cerimónias e a agradecer a um público imaginário "Obrigada por este prémio, sou uma grandessíssima galdéria mas cá estamos, é disso que o meu povo gosta. Não gostaria de agradecer a absolutamente ninguém, aliás no que depende de mim gostaria que explodissem todos, vocês mais os vossos sorrisos amarelos, que estão todinhos a roer-se de inveja. Bem feita, grandes filhos da p€&@." Ai sou mesmo só eu a brincar a isto? Mais ninguém se diverte ao serão assim?! 
Ups.

sábado, 17 de maio de 2014

Pensamento de fim de semana #44

Será que alguém do BES explicou ao Ronaldo o que quer dizer inércia, ou ele achará mesmo que é o nome da personagem da Rita Blanco?

Mãe sofre #21

(A pôr máscara nas pestanas, ao lado do Máivelho)

- Mãe, que pestanas enoooormes!!
(Uau, penso eu, rímel fantástico, até o miúdo nota)
- Pareces mesmo um monstro!!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A minha relação com objetos cortantes

Eu noutra vida devo ter sido faquir, tendo esgotado nessa encarnação passada toda a capacidade de manusear objetos cortantes, a julgar pela falta de jeito que exibo com facas, lâminas e afins (folhas de papel incluídas). Já cortei a cabeça do dedo mindinho com uma faca de cortar queijo. Isto até nem foi nada, considerando que encostei um quarto de flamengo à barriga e cortei o queijo na direção da mesma. E o que faz uma pessoa normal ao ter praticamente arrancado uma falange e estar quase-quase a desmaiar? Liga para sua mãezinha (que mora a 30 km) a avisá-la que está a esvair-se em sangue da cabeça do dedo e vai desmaiar e desliga. 

Senhor meu Marido não me deixa mexer em facas em casa, porque a probabilidade de eu me cortar é elevadíssima, uma vez que basta eu enfiar a mão na gaveta dos talheres para me cortar. Aliás, eu enfio a mão dentro da mala e corto-me com post-its. Ou com aqueles papelinhos para cheirar perfumes que dão nas lojas. Ou nas amostras de perfumes que tenho à meia dúzia dentro da mala. Ou no fecho da mala.

Mas cortas-te mesmo com tudo, Boneca Maria de Deus? Eeeerrr, sim. Até com garfos. Aaah, parvalhona, isso não configura um corte! Configura, configura, foi um furinho, eu é que sei. E corto-me na agenda cada vez que a abro. E corto-me com fechos da roupa. E com batatas fritas. E com etiquetas da roupa. E com tesouras. Ah, mas isso é normal sua estupidona! Não com as tesouras rombas de bebé, eu é que sei!

Então e para que serve este post? Olha, para nada, que caraças.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Mulher moderna

Levanta-se duas horas antes de sair. A cara tem muita manutenção, tal como as extensões que lhe cobrem a cabeça. Há o anti-rugas, muita base, o corretor de olheiras, o creme despigmentante, há que tratar das pestanas falsas com cuidado, não vá uma vazar-lhe a vista, ou pior, fazer deslocar as lentes de contacto coloridas que lhe dão aos olhos de outra forma castanho simples uma tonalidade de mar. Depois as extensões, que ainda são umas 200, colocadas pela cunhada, estavam em promoção, não faz mal se são três tons abaixo e deixam bocados de cola no cabelo, o que interessa é uma longa crina a tocar no fundo das costas, isso é que é mesmo bonito. E o pó para assentar toda a maquilhagem, bastante pó que uma cara quer-se é com aspeto de reboco, e que aguente sem derreter até ao final do dia. Blush nas bochechas, para dar aquele ar saudável de quem acabou de sair do ginásio e já está.

Ajeita a roupa, por debaixo dela um soutien push-up bem almofadado, uma cinta modeladora bem apertada para disfarçar as gordurinhas e uns daqueles collants que levantam o rabo, fazendo-o parecer mais redondo e rijinho. Verifica as unhas postiças, que brilhantes lindos parecem jóias, e conclui que está pronta para enfrentar mais um dia. 

Tem um encontro marcado mais logo, mas começa a ficar nervosa, tentando congeminar de que forma se verá livre de toda esta parafernália, caso a situação penda para o lado das vias de facto. Precisará seguramente de uma boa meia hora para arrancar a roupa e acessórios, mas não chega para raspar tudo da cara. Se calhar é melhor desmarcar. De novo. E marcar, por exemplo, para um dia com menos manutenção. Mas e depois? Ele perderá o interesse? Mas isso quereria então dizer que só se interessa pelo físico. Realmente, a conversa de "o interior é que conta" é só mesmo para nos levarem para a cama. Os homens são mesmo uns falsos.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Coisas que todos os homens deveriam saber e nunca ninguém lhes disse, pelo menos de forma assim tão bem sistematizada

Ou major turn-offs nos homens. E porquê só nos homens? Porque quero cá saber nas mulheres. Ou então fica para uma próxima.

Comecemos portanto pela temática odores corporais, vulgo chulés e outras fragrâncias. Body Odour só é permitido em 3-circunstâncias-três, a saber: i) depois de um dia inteiro de um trabalho que envolva algum esforço, e em que não houve oportunidade de se tomar uma bela banhoca; ii) depois do ginásio e imediatamente antes da bela banhoca; iii) depois de efetuar o amor e imediatamente antes da bela banhoca. De resto, banhoca sivuplé.

E quem diz BO diz traques e arrotos. Não, não têm piadinha nenhuma. Os concursos que faziam com 13 anos também não eram apreciados pelas miúdas nessa altura. Nunca se questionaram por que nunca foram para trás do pavilhão de Educação Física com nenhuma? Pooois. Claro que se formos nós a dar um arroto depois de um belo golo de Coca-Cola é muito fofinho e até sexy.

Homens agarrados à saia da mãe. Big no-no (desculpai os anglicismos hoje). Fiquem por lá então alapados, queremos distância de criaturas da vossa laia. É que nem sei bem como hei de explicar, de tão contra-natura que isto me parece. Olhem, ide ao Google e pesquisai "sou um choninhas".

Homens cheios de si. Daqueles que, por muito giros que sejam, só apetece encher de tabefes. É assim: nós é que ditamos se vocês são giros ou não. Se vocês se acham sem ninguém vos ter dito nada, então fiquem praí a brincar sozinhos, a ver se gostam. Se forem uns valente estafermos, mas nós até vos acharmos gostosos, tanto melhor, n'est-ce pas? (para desenjoar do inglês). Mas nós é que sabemos. Estamos entendidos?

Homens que utilizam a expressão "já comi pior e nunca me fez mal". Epá, a sério? Não, agora a sério? Mesmo?!

Homens que usam fios ao pescoço. De pele, de prata, de ouro, quanto mais nobre for o material, mais turn-off é. O custo da peça é diretamente proporcional ao grau de afugentamento da fêmea.

Homens que lêem blogues como o meu. Hahaha, estava a brincar. Vós estais todos cá dentro do meu coração, coisas máilindas de sua Boneca. E eu sei que andam aí, porque embora não gostem de admitir e não comentem e tal, eu lá vos vou apanhando em falso. Vá lá, não reprimam isso que até vos faz mal. Abraçai esse vosso lado, que prova quão ecléticos sois. Aliás, estou aqui a lembrar-me de uma bela pick-up line: "Sabes, eu leio a Boneca." Ui. 

Homens chatos. Não há cu para homens chatos, pardon my French. Explica lá isso, Boneca Maria de Deus. Epá, não estou com grande vontade, tenho coisas marcadas. Mas trata-se sobretudo de homens que não nos espicaçam o intelecto

Homens que não estejam dispostos a fazer determinadas coisas para agradar, como tudo o que tenha a ver com automóveis. Lavar, atestar, mudar o óleo e outras cenas técnicas que envolvam palavras esquisitas como diferencial, embraiagem e travões. E se puderem fazê-lo em tronco nu, tanto melhor.

Homens que não nos achem deusas. Váláver, a todas ao mesmo tempo não, seria uma valente salganhada. Mas o homem tem de achar a sua gaja uma deusa SEMPRE. Se assim de repente olha para ela e só lhe ocorre a palavra cavalgadura, está o caldo entornado.

Homens com mais de 30 kg que nós. É coisa que deve aleijar, só por isso, nada contra, assim no geral.

Homens-Tony Ramos. É fugir deles como o diabo da cruz, minhas amigas. Uma massagem (consta, nunca experimentei) rapidamente se transforma num encontro imediato de terceiro grau entre as nossas mãos e uma grosa. Não, obrigada.

Mas! Homens que depilem as sobrancelhas. Oh meus amigos, depilem-se para aí, mas na cara só a barba mesmo. Bom, e eventuais tufos que assomem do nariz ou das orelhas (blhéc). Mas sobrancelhas delineadas?! Apenas e tão-somente se albergarem na zona supraorbital assim uma espécie de gaivota farfalhuda. De resto, deslarguem a pinça ó faxavor.

Assim de repente não me lembro de mais, mas se tal, depois aviso.

Agora repitam todos comigo: Obrigado Boneca fofinha, por estas pérolas de sabedoria que tiveste a nobreza e altruísmo de partilhar conosco, seres menores e pouco merecedores, porque totós. Se não fosses tu andávamos por aí aos caídos e ninguém nos pegava.

De nada, xuxuzinhos, voltai sempre. I aim to please.

terça-feira, 13 de maio de 2014

De não usar meias

Sou um bicho muitíssimo friorento. Sou capaz de dormir com edredão o ano inteiro, gosto de meias felpudas, pijamas polares, mantas, mantinhas, mantonas, pelo quentinho e afins. Todavia, este ano resolvi reformar os collants mais cedo no calendário do que o habitual: exatamente no dia 8 de maio, que por coincidência, segundo a Rádio Comercial (sou fã), era o dia de não usar meias.

Ora, aparentemente há homens que não usam meias nunca. NUNCA. E eu, que sou uma pessoa cujo cérebro anseia por food for thought deste tipo (eufemismo para "só penso em parvoíces"), pus-me a meditar sobre o assunto. Então e no inverno?! Isso não congela e vira estalagmites? Então mas anda-se de calças, sapatos e com o chispe descascado? E quando chove?! Anda-se a fazer criação de cogumelos nos refegos dos dedos? Não entendo. E no verão? Os pés ficam para ali a cozinhar tipo cozido das Furnas? O aroma deve ser supimpa, ao final de um dia, deve... Sim, sim, eu cá adorava ter um homem que chegasse a casa, tirasse os sapatos e cheirasse a Martim Moniz. Um valente turn-on, sem dúvida!

Quanto a mim, não quero relembrar esse memorável dia em que resolvi dar folga aos collants e vestir um vestido vaporoso (já contei a peripécia da bilha de fora, não vou bater mais no ceguinho), em que traumatizei meio Terreiro do Paço e uma Boneca inteira, mas meias agora só quero vê-las lá para outubro, ou no ginásio, vá, que sou amiga do ambiente.

domingo, 11 de maio de 2014

A Boneca também tem algo a dizer sobre a senhora de barba que ganhou a Eurovisão

Começo por dizer que sou do tempo em que - em havendo apenas dois canais - o Festival da Canção (já não se chama assim, né?) era um programa de serão supimpa. Lembro-me de vibrar com a nossa "seleção", de aguardar ansiosamente pela nossa vez de atuar, e depois de sentir que tinha passado demasiado rápido. Nunca ganhámos nada, mas até obtivemos boas classificações (lembro-me da Canção do Mar, por exemplo, da Dulce Pontes).

Ora este intróito não serve para absolutamente nada, uma vez que o que me apoquenta nesta edição do festival (para além da música imbecil que nos foi representar, mas eu já estou por tudo), é o facto de a maioria das pessoas ter votado numa senhora peluda. Partindo de um pressuposto inicial de que também houve homens a votar, oh meus amigos, pergunto eu com estupefação: então anos e anos de evolução para passarmos de macacas peludas a galinhas depenadas, para de repente nos atirarem à cara que o que é bom é pelo na venta, mas assim literalmente??!! Então mas quer isso dizer que (algumas de) nós andamos a esfregar cera quente sabe-se lá por que partes recônditas do nosso corpo para nada?! E a depilação a laser, senhores?! Choques desferidos pelos recantos mais sensíveis, absolutamente em vão?! E haverá forma mais cruel de nos transmitirem a mensagem?! "Oh filha, eu preferia mesmo era uma bigodaça a fazer-me cócegas no corpinho, não essa pele macia e por isso nojenta de bebé que fazes questão de apresentar. E decidi mostrar-te isso votando esmagadoramente numa criatura de cintura de vespa e barba de camionista. E que canta esganiçadamente Rise like a Phoenix." Like a Fóoooonix, catano!!!!

Pois bem, meus amigos, faço desde já aqui um apelo às mulheres deste país, que tal como eu, se viram forçadas a tornar-se adeptas de métodos de tortura tais como a depilação total, a virilha brasileira, o glúteo macio. Mulheres que tiveram de se pôr nas posições mais embaraçosas, de fazer inveja ao Kamasutra, apenas para atacar aquele pelinho perdido, que abdicaram por vezes de idas à praia apenas porque tinham 12 pelos e vergonha de os mostrar. Aliemo-nos nesta causa fraturante e deixemos tudo crescer e arejar como as nossas antepassadas, porque se é isso que eles querem, mais vale pouparmos umas centenas de euros e ir esbanjá-los em coisas mais úteis, como sapatos ou Coca-Cola Zero. Pelos ao alto (ou ao baixo, dependendo da localização dos ditos)! Rastas nas virilhas! Tranças nos refegos! Vamos cofiar estes buços como se não houvesse amanhã! Se é guerra que quereis, meus amigos, é guerra que tereis.

Conversas parvas comócatano #5

- Queres uma almofada da pachacha?
- Oi??!!!
- Um travesseiro da Piriquita!

sábado, 10 de maio de 2014

Mãe sofre #20

- Mãe, quando tinhas a minha idade escrevias com lápis ou com uma pena?

(...??!!!)

Dos vizinhos

Eu sou uma vizinha de trampa. Não sei o nome dos meus vizinhos, exceção feita ao da frente, que é conhecido da televisão, e ao nome do cão da vizinha de baixo, que ela berra a altas horas da manhã para mandar o bicho calar-se.

O que eu quero dizer é que hoje em dia já não há aquele espírito de vizinhança de antigamente. Lembro-me bem de, em faltando um qualquer ingrediente, era ir buscá-lo a uma das vizinhas, ou mesmo à porteira do prédio, que por sinal tinha uma horta e que era a fornecedora oficial de salsa e coentros. Nunca a mãezinha precisou de comprar salsa ou coentros no supermercado (na altura era mesmo minimercado o que havia), pois a porteira providenciava. E ovos também. Era todo um espírito comunitário aconchegante, de velhotes que olhavam por nós quando atravessávamos sozinhos a estrada para ir para o parque ou enquanto jogávamos ao elástico na rua, sem supervisão. Não havia cá telemóveis, se queriam saber de nós, assomavam a cabeça à janela e davam um berro, que logo havíamos de aparecer.

Hoje em dia, Senhor meu Marido já teve de sair duas vezes para ir comprar ingredientes para uma receita (sendo que a viagem tem de ser de carro, que o supermercado ainda é longe). Não se pedem ovos nem manteiga, nem um raminho de salsa que seja. Quando muito dá-se murros na parede para o parvalhão do vizinho do lado pôr a música mais baixo para não acordar as crianças, ou atira-se batatas à cabeça do cão que ladra a desoras.

Ainda no outro dia constatei que fiquei com o coração nas mãos quando o Máivelho desceu as escadas do prédio para ir para a garagem ter com o pai. Demorou mais 10 segundos do que era suposto e eu já estava a imaginar os piores cenários... Isto antigamente é que era!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mostrei o rabo a meio Terreiro do Paço

Ai foi sua Boneca badalhoca e sem-vergonha?

Pois que sim, mas juro que foi sem querer. E palpita-me que terei traumatizado uns quantos cámones, coitadinhos, que apenas estavam na sua vidinha a aproveitar o sol de fim de tarde e a beber umas jolas. Imagino que não tenha sido agradável de repente serem confrontados com a inexorabilidade da condição humana, sujeita às intempéries meteorológicas, lembrança fugaz porém acutilante do quão transitória é a nossa existência. É assim mesmo a vida, num momento estamos em cima, noutro estamos em baixo, num segundo é o nosso espírito que se envolve neste turbilhão de emoções contrárias, noutro é o rabo, mais um turbilhão de vento de orientação sul/norte que assola por um vestido acima e cá vai disto. Mas para a frente é que é caminho. É apanhar os cacos e seguir sem olhar para trás rumo a um outro dia, em que não nos esqueceremos de consultar a aplicação do telemóvel que nos dirá que está um vento do catano e é melhor irmos de calças e âncora. E centrarmo-nos apenas e tão-somente no pequeno mas não discipiendo pormenor que pelo menos levávamos as nossas Dolce & Gabbana de renda. Flashing people but in style.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Se eu fosse rica

- Não tinha um único pelo no corpo, exceção feita ao cabelo e às sobrancelhas. É que nem os do nariz sobravam;
- Banhava-me em maracujá (é um fetiche, e então?);
- Comprava um vendedor de castanhas só para mim, estacionava-o à porta de minha casa para as ter quentes e boas sempre que me apetecesse, ou seja, de 20 em 20 minutos, mesmo no verão;
- Contratava um cientista que inventasse uma fórmula de castanhas que não dessem volta à barriga;
- Pagaria a alguém para me voltar a dobrar as bulas dos medicamentos depois de eu as ler;
- Tinha sanitas e bidés aquecidos em permanência;
- Já os assentos em transportes públicos, salas de espera e restaurantes estariam sempre fresquinhos para o meu real pandeiro;
- Nunca mais na vida mudava fraldas borradas;
- Trabalhava só meio dia: das 11h00 às 12h30, depois ia comer sushi, e das 15h às 17h30;
- Comprava um sushiman só para mim, pelos motivos óbvios. Ah, e já agora, que soubesse também fazer boas massagens;
- Tinha mais 4 filhos;
- Nunca mais cortava cebola na vida;
- Assinava contrato com a Coca-Cola para me entregarem garrafas de Zero em casa a todas as refeições;
- Os meus pais vinham viver para uma casa em frente à minha;
- Mandava deportar a Ana Malhoa, o José Castelo Branco, o José Sócrates e o meu vizinho do lado que resolve fazer bricolage ao fim de semana à hora da sesta do Máinovo;
- Comprava a Transtejo;
- Comprava a casa ao lado do Brad, da Angelina e da chusma de filhos deles;
- Comprava o Diogo Morgado.
Há muito mais coisas, que as há, então daquelas fúteis como a mala da outra, ui. Mas estas são assim as que de repente me apetece partilhar. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Curiosidades sobre mim #13 (faz de conta que tem interesse)

- Aprendi inglês com 5 anos a ver programas da BBC e desde miúda que dizia que quando fosse grande queria trabalhar numa empresa onde pudesse escrever em inglês. Não é que consegui?
- Ainda não tinha acabado o curso quando concorri para o sítio onde trabalho hoje. Felizmente esperaram pelas minhas notas finais e consegui o estágio. Trabalho lá desde então. Este ano faz 15 anos;
- Gosto tanto de umas calças da Massimo Dutti que as tenho em 8-cores-oito diferentes;
- Fiz ballet, ginástica desportiva, tumbling, dança jazz, natação, basquet, futebol, fitness, não me lembro de existir sem atividade física;
- Sempre me disseram que era parecida fisicamente com o meu pai. Com o passar dos anos olho para o espelho e vejo cada vez mais a minha mãe, o que me deixa deveras feliz, uma vez que é uma senhora muito bonita, benzádeus;
- Comecei a maquilhar-me todos os dias de trabalho apenas aos 35 anos;
- Criei conta de Facebook apenas há 2 ou 3 anos. Instagram é mais recente ainda e não tenho Twitter;
- Não tenho página de Facebook do blogue, acho que já digo parvoíces suficientes por aqui;
- Tenho os conhecimentos de matemática de uma criança de 7 anos e desenho como uma de 5;
- Sou dedicada à poupança de água: tenho um balde em cada banheira para apanhar todas as gotas que caem enquanto a água para os banhos não aquece;
- Uma das minhas maiores queimaduras aconteceu a dar murros a batatas. A fazer... batatas a murro, what else?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Incursão ao mundo dos gajos

Perante este título sugestivo, aposto como esperavam que vos contasse uma ida a, por exemplo, uma despedida de solteiro. Ou uma sex shop. Pois que não. Temo que foi a um sítio bem mais prosaico. A loja onde todos - ou quase todos - os homens se sentem como uma mulher numa sapataria com crédito ilimitado no cartão. Em êxtase como uma gaja na abertura dos saldos de 50%. Ainda não chegaram lá??! FUI AO AKI!!!

Ah, que interessante. Se calhar passamos a outro blogue com cenas giras e voltamos cá amanhã? Como quiserdes, criaturas ingratas. Mas devo dizer-vos que uma ida ao Aki pode ser uma experiência sócio-antropológica de grande valor. Assim sendo, procederei a uma recensão crítica desta viagem, que eu não perdi lá tempo apenas para ficar mal-disposta com tanta coisa pouco interessante. Algo de bom vai ter de sair da experiência, nem que seja um texto parvo.

Ora então, o que há naquele paraíso de parafusos, tapetes de plástico e material de jardim? O que aprendeste tu, Boneca Maria de Deus, que deves agora constituir uma deusa do bricolage?

Sucede que existem muitos coisos cujo nome não sei. Assim aos molhos. Senti-me perfeitamente imbecil, com tanta coisa que não sabia nomear.

Gostei particularmente destes paninhos abaixo. Não faço ideia para que servem, mas têm umas cores giras para o verão. Fazem pandã com diversas sabrinas que possuo. Talvez sejam para limpar cenas, digo eu, não sei bem o que é isso. Limpar.


Ao me deparar com estes númerozinhos fofinhos abaixo, não pude deixar de agarrar em dois e fazer badalhoquices e perturbar Senhor meu Marido que, com ar de entendido, vagueava pelos corredores à procura de determinados materiais para arranjar cenas lá em casa. Ante o espetáculo de sua rica esposa, a acenar-lhe com dois números que eu cá sei, fez um ar entediado, abanou a cabeça dizendo "só podia", não me ligou patavina e foi tratar de não sei o quê para uns estores. Que é algo que tem tanto interesse para mim como os inseticidas para tratar o bicho da batata. Fui brincar com os números mais um pouco, mas efetivamente só existe um par de números cuja combinação tem piada e rapidamente me entediei. 



Pessoas, afinal também há pulseiras giras no Aki. Oh para elas aqui em baixo. Não tinham era fecho, nem uns pinchavelhos para pendurar, daí que não tenha trazido nenhuma.


Ah, o regresso à infância: os tapetes de todos os balneários por onde passei. Soltei uma lagrimita e ainda pedi ao homem que levássemos uns para casa para pôr na casa de banho, mas fui ostensivamente ignorada.


E estes tapetes modernaços da cor da bandeira gay, hein? São "para os joelhos"… Oh senhores do Aki, mas quem diria, hein, seus danados para a trungalhunguice??! 


E eis-nos chegados à parte que me deu vómitos e tonturas. A dos parafusos e afins. Cheguei à conclusão de que não existem ladrões desta trampa. Aquilo está à vontadinha para quem quiser levar meia dúzia nos bolsos. Porquê? Porque ninguém quer aquilo, pois com certeza. O que prova a minha teoria de que os homens que gostam de bricolage são uns chatos. E não vale a pena apelar ao facto de haver umas quinquilharias que se chamam porcas. É que nem assim o assunto se torna mais excitante.


Não sei quanto aos vossos, mas em sede de Aki baixa ao homem cá de casa o espírito do Querido Mudei a Casa e fica-me insuportável, não havendo nada que o distraia. Eu bem tentei, penteando-me com uma escova de arame farpado ou enfiando a cara numa daquelas coisas que desentope as sanitas (sei lá como aquilo se chama). Nadinha. Nem um sorrisinho esboçou. Parecia inclusivamente que eu o estava a atrapalhar, vejam só. Restaram-me os outros clientes a quem alegrei a tarde, que olharam para mim com carinho. Ou então foi com medo ou quiçá pena, assim de repente já não me lembro muito bem. 

Post lamechas no rescaldo do Dia da Mãe

Ao contrário do que possa remotamente dar a parecer, eu adoro isto de ser mãe. Porque a parte fofinha e cutxi-cutxi que todos (espero) sabem que existe assim de repente não figura lá muito neste blogue, mas apenas porque tenho muito mais tendência para a parvoíce. E pouca para a fofurice. Em sede de blogue, bem entendido, porque em casa e com eles sou uma lamechas de primeira. Assumida e despudoradamente derretida com as suas tiradas deliciosas e comentários inocentes (e alguns já não tão inocentes). Sou daquelas mães que se ri com qualquer palermice que eles fazem, até os traques valhamedeus, tudo tem piada, tenho frequentemente de sair de cena para manter a autoridade e não vacilar. Porque, pese embora me porte muitas vezes pior do que eles, não deixo de estar a criar e educar dois cidadãos, que no futuro farão refletir todos os ensinamentos que lhes tentei passar. 

Tento por isso que eles sejam, acima de tudo, crianças felizes. Não projeto as minhas ansiedades e sonhos neles, ajudo-os antes a encontrar os seus. E encho-os de mimo. Desconfio que não haja muita criança que leve beijos de 3 em 3 minutos como as minhas (mais o Máinovo que o outro já tem um certo nojo): como diz uma amiga minha, há dias que gostava de os engolir para garantir que não me fogem e que são - de novo - só meus. Porque isto de carregar criaturas dentro de nós tem muito que se lhe diga. Custa muito quando os passamos para o mundo e abdicamos da soberania sobre eles. Dói não lhe podermos acolchoar tudo à passagem, forrar a algodão todos os obstáculos que eles encontram ou fazer desaparecer cada contrariedade com que se deparam.

E as dores deles? Alguma vez imaginava que as pudéssemos sentir em dobro e em triplo, que me doessem mais a mim? A famosa frase que ouvia da minha mãe quando estava doente "Se eu pudesse trocava contigo", que na altura me parecia descabida, agora faz taaaaaanto sentido. Porque eu trocava: andava carregadinha de nódoas negras, arranhões na testa, lanhos no joelho e marcas de dentadas nos braços, se isso significasse menos uma dorzinha de barriga que fosse nas minhas crias. 

A melhor altura do dia? A meia hora antes de dormir, diferente em dois lados de um corredor: de um, cinco minutos de conversa sobre cromos repetidos, um beijo repenicado, um abraço quente e um "adoro-te, boa noite, dorme bem" e atravessando para o outro lado, e cinco anos para baixo, há mimo até virem as lágrimas aos olhos, canções, conversas sem nexo naquela língua só dele e que só eu percebo, muito mimo mesmo, e saudades por antecipação, por saber que não tarda nada ele cresce ainda mais e isto acaba.

Conheço pais que se anulam pelos filhos. Não sou assim, prezo muito os momentos só meus ou a dois. Todavia, quando os miúdos estão longe, parece que me falta um bocado, sinto-me esquisita, sei lá. E é isso. A vida sem eles seria apenas "esquisita".





P.S. Cá uma grande beijoca na bochecha de mãezinha, que às 8 da manhã do Dia da Mãe foi acordada por um mensageiro que trazia um ramo de flores da parte do filhote que está no Brasil. E abriu a torneira, claro.

domingo, 4 de maio de 2014

Pensamento de fim de semana #43

Percebes que és "muito gaja" quando, ao tentares meter a sexta num carro que só tem até à quinta mudança, o teu primeiro pensamento não é "ai é verdade, estou a conduzir um carro diferente", mas "ai catano, já estraguei esta $#%#%!!!"

Mãe sofre #19

(Máivelho a fazer asneira atrás de asneira. Eu a tentar fazer a cara mais séria e zangada do mundo)
- Olha bem para mim. Estou a rir-me? Interpreta a minha cara!
- Ora bem, a tua cara diz "tenho um filho maravilhoso e lindo e vou-lhe dar 26 euros!"
- Já agora, explica lá porquê 26? Porque não 27 ou 30?
- Queres dar-me 30? Eu aceito. Eu aceito tudo. Quer dizer, porrada não.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mãe sofre #18

(Máivelho, olhando para mim com o ar mais sério do mundo)

- Mãe, qual dos teus filhos gostas mais?
- Gosto dos dois da mesma forma.
- Mas devias gostar mais de mim, porque me conheces há mais tempo.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Mãe sofre #17

- Mãe, o que se passa?
- Dói-me a cabeça.
- Andas a trabalhar muito! Eu não te disse que é muito melhor ser futebolista? A esta hora estavas a descansar!