segunda-feira, 5 de maio de 2014

Post lamechas no rescaldo do Dia da Mãe

Ao contrário do que possa remotamente dar a parecer, eu adoro isto de ser mãe. Porque a parte fofinha e cutxi-cutxi que todos (espero) sabem que existe assim de repente não figura lá muito neste blogue, mas apenas porque tenho muito mais tendência para a parvoíce. E pouca para a fofurice. Em sede de blogue, bem entendido, porque em casa e com eles sou uma lamechas de primeira. Assumida e despudoradamente derretida com as suas tiradas deliciosas e comentários inocentes (e alguns já não tão inocentes). Sou daquelas mães que se ri com qualquer palermice que eles fazem, até os traques valhamedeus, tudo tem piada, tenho frequentemente de sair de cena para manter a autoridade e não vacilar. Porque, pese embora me porte muitas vezes pior do que eles, não deixo de estar a criar e educar dois cidadãos, que no futuro farão refletir todos os ensinamentos que lhes tentei passar. 

Tento por isso que eles sejam, acima de tudo, crianças felizes. Não projeto as minhas ansiedades e sonhos neles, ajudo-os antes a encontrar os seus. E encho-os de mimo. Desconfio que não haja muita criança que leve beijos de 3 em 3 minutos como as minhas (mais o Máinovo que o outro já tem um certo nojo): como diz uma amiga minha, há dias que gostava de os engolir para garantir que não me fogem e que são - de novo - só meus. Porque isto de carregar criaturas dentro de nós tem muito que se lhe diga. Custa muito quando os passamos para o mundo e abdicamos da soberania sobre eles. Dói não lhe podermos acolchoar tudo à passagem, forrar a algodão todos os obstáculos que eles encontram ou fazer desaparecer cada contrariedade com que se deparam.

E as dores deles? Alguma vez imaginava que as pudéssemos sentir em dobro e em triplo, que me doessem mais a mim? A famosa frase que ouvia da minha mãe quando estava doente "Se eu pudesse trocava contigo", que na altura me parecia descabida, agora faz taaaaaanto sentido. Porque eu trocava: andava carregadinha de nódoas negras, arranhões na testa, lanhos no joelho e marcas de dentadas nos braços, se isso significasse menos uma dorzinha de barriga que fosse nas minhas crias. 

A melhor altura do dia? A meia hora antes de dormir, diferente em dois lados de um corredor: de um, cinco minutos de conversa sobre cromos repetidos, um beijo repenicado, um abraço quente e um "adoro-te, boa noite, dorme bem" e atravessando para o outro lado, e cinco anos para baixo, há mimo até virem as lágrimas aos olhos, canções, conversas sem nexo naquela língua só dele e que só eu percebo, muito mimo mesmo, e saudades por antecipação, por saber que não tarda nada ele cresce ainda mais e isto acaba.

Conheço pais que se anulam pelos filhos. Não sou assim, prezo muito os momentos só meus ou a dois. Todavia, quando os miúdos estão longe, parece que me falta um bocado, sinto-me esquisita, sei lá. E é isso. A vida sem eles seria apenas "esquisita".





P.S. Cá uma grande beijoca na bochecha de mãezinha, que às 8 da manhã do Dia da Mãe foi acordada por um mensageiro que trazia um ramo de flores da parte do filhote que está no Brasil. E abriu a torneira, claro.

2 comentários:

  1. sou completamente adepto de mimo aos filhos...quem não é mimado nunca saberá mimar, é a minha opinião!!!

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