sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Saudades dos tempos de faculdade?

Só quem frequentou uma faculdade de Letras sabe o ambiente que por lá reina. Sobretudo num curso de Línguas. Uma vintena de miúdas e dois ou três rapazes. Ou feios ou gays. Neste último caso, entram para o cômputo das miúdas, uma vez que são mais irritantes e histéricos. 

Mas o que pretendo com esta reflexão é confessar que, efetivamente, não tenho saudades nenhumas dos tempos de faculdade. Na verdade, ficou-me apenas uma grande amiga, daquelas que sei que posso contar com ela para a vida, ainda que passem anos sem que nos encontremos, apenas falando por telefone ou via Facebook. O motivo desta falta de apego a esses tempos foi ter estado inserida numa turma em que quase todos provinham de fora de Lisboa, da santa terrinha, onde não tinham liberdade nem para dar um traque e, apanhando-se à solta na capital, queriam mesmo era soltar... a franga. Eu, que ia e vinha de Setúbal todos os dias, tinha já bastante autonomia, sobretudo para sair, que era o busílis da questão, não tendo portanto a mínima vocação para motorista desta malta (também era das poucas que tinha carro). Vai daí, não granjeei muita simpatia. Alie-se a isso este feitio vencedor e temos mistura explosiva. 

A gota de água veio mesmo com a viagem de finalistas: uma minoria, eu incluída, gostaria que fosse cultural, no âmbito do curso, como por exemplo à Alemanha ou a Inglaterra (até porque excursão de maluqueira já teria supostamente havido no secundário, a Ibizas e afins), mas a maioria decidiu que seria... a Tenerife. Iu-huuu. Não preciso de explicar para quê, pois não?

Enfim, hoje bateu-me a nostalgia inversa, servindo o desabafo para reiterar o zero de saudades da faculdade. Não, não foram os tempos mais felizes, prenhes de festas e maluqueiras, amigalhaços compinchas e o catano. Aliás, de tal forma a minha marca foi indelével, mas ao contrário, que percebemos um destes dias (nós, as duas amigas que sobraram) que a malta da altura se junta para jantares e fins de semana e tal e finge que não se lembra que existimos (embora sejamos todos amigos de Facebook). Tivemos direito a convite num primeiro encontro e depois "olha, estamos cagando para ti de tal forma que escarrapachamos as fotos do encontro para o qual não foste convidada no Facebook. Ah, estás aí? Ups, não tínhamos dado conta". Cheira-me que tenha sido porque a organização passou a estar a cargo de uma tipa que me detestava na altura. Ora, portanto, estamos a falar de um curso que terminou em 1998, ou seja, é possível existirem pessoas, adultas, ao que sei mães de filhos, que guardam ressentimentos de, mais coisa menos coisa, 15 anos. É de meninos grandes, sim senhores. Good riddance.

9 comentários:

  1. Já somos duas, detestei andar na faculdade (de Letras do Porto). Pensei que era peça única, porque toda a gente diz que são os "melhores anos", afinal parece que não. :)

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    1. Bem, na verdade, para as outras hão de ter sido os melhores tempos. Enfim, sintamo-nos acompanhadas em discordar disso, não é? ;)

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  2. a minha viagem de finalistas 'oficial' à qual não fui, foi à ilha margarita, na Venezuela.. escusado será dizer que algumas apanharam uma bebedeira de tal forma que ficaram uma semana de ressaca.
    tendo eu um feitio também adorável, disse aos meus pais que não queria ir, deram-me o dinheiro e fui com quem me acompanhava emocionalmente na altura para NYC.... foi a melhor viagem de finalistas que uma pessoa podia querer...

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    1. "Que te acompanhava emocionalmente" hahahaha

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  3. Eu passei pela faculdade de Letras, o meu curso inicialmente tinha 2 cadeiras nessa faculdade. Já no meu curso tínhamos o oposto, um bando de rapazes para quase nenhumas raparigas, o que apesar de sempre me ter dado melhor com eles do que com elas, me tornava as coisas mais difíceis.
    Juntando depois o facto de eu ser meio acanhada, mais as poucas raparigas serem cabras para caraças, e não sei bem porquê a malta achar que eu tinha ar de arrogante, e fazer amizades tornava-se uma coisa complicada. Não adorei a faculdade, até porque não a consegui acabar e isso deu um desgosto em paizinho, mas sempre era um tempo em que não sentia tanto o peso da responsabilidade como hoje em dia. Ah, amadurecer (para não dizer envelhecer) é uma maravilha...

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  4. Estou na Faculdade de Letras de Coimbra. Mestrado de Tradução, que é muito calmo e civilizado. Mas durante a Licenciatura em Línguas Modernas, aquilo era algo (nada) digno de se ver. Também saí muito mas levava sempre aquele pacote de pipocas imaginário para apreciar os diversos espetáculos. E como no dia seguinte era das poucas que se lembrava dos detalhes todos, o poder residia em mim e na galeria de imagens do meu telemóvel.

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    1. Ui, tivesse havido smartphones na altura... (yes, I'm that old...!)

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