quarta-feira, 29 de outubro de 2014

As crianças e o armamento

Não dá para controlar o acesso das crianças a armas (estou a falar de brinquedos, obviamente). Por muito que uma pessoa queira que seja só paz, amor, gomas e flores em redor dos filhos, a propensão natural para a estupidez - e consequentemente para a porrada e brincadeiras a guerras e afins - é-lhes inata e não há nada que possamos fazer.

O Máinovo está na fase em que anda sempre a fazer onomatopeias de tiros, a tudo responde com barulhinhos de explosões e toda e qualquer traquitana é uma arma em potencial. Ontem cheguei à escola e a 20 metros da sala parecia que estava a entrar numa zona de conflito. Senti-me assim o Cymerman de Alcochete. Ele era tiros, granadas, explosões, tudo feito e exacerbado em pequenas bocas de criaturas de 3 anos que medem um metro. Entrei na sala irritada, mas que raio de brinquedos dão aos miúdos que anda tudo aos tiros?! 

E eis que aparece piqueno exército de minorcas, empunhando as metralhadoras mais imbecis da história das guerras mundiais: aqui devo defender o meu, que brandia um berbequim. Ora toda a gente sabe que a Black & Decker é uma poderosa empresa bélica. E que um berbequim parece mesmo uma pistola. Atrás dele, vinha um com uma régua. OK, aceito, pode ser uma arma. Que o diga o meu professor da primária que me arreava com a Maria das Dores todos os dias sem exceção, numa altura em que levantar as saias a uma miúda para lhe dar uns açoites não era considerado spanking. Logo a seguir vinha um com um fantoche. E se forem como eu, que tenho uma relação ódio-pânico com estes bichos, sentir-se-iam efetivamente ameaçados.

Atrás dos três primeiros guerrilheiros vinha então a milícia feminina. E aqui vos digo, as mulheres são as maiores, logo de tenra idade: elas empunhavam colheres de pau, um regador e frascos de shampô, que toda a gaja sabe é uma arma letal, sobretudo quando entra pelos olhos adentro e arde como o catano. Ainda para lá havia um cuja pistola era um cantil de água e outro um boneco zarolho, mas esses deviam ser os suplentes do pelotão, pois não metiam medo a ninguém.

Agarrei em piqueno combatente de sua Mãe, ainda a disparar, ptshiu-ptshiu-ptshiu (e percebo que ele dispara mais cuspo do que balas, mas é guerra é guerra), e questiono-me se ele estaria abastecido de munições para o dia seguinte ou se deveria ir a esse importante centro do exército que é o Aki.

2 comentários:

  1. Elas, de colheres de pau, um regador e frascos de shampô. Coisas de gaja, portanto. LOOOOOOL!

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