terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Kizombada

Faites attention, desenganem-se os mais incautos: kizomba não é para cardíacos, meus amigos. Não é mesmo: eu vi mamilos*, nalgas**, elaborados rituais de acasalamento dignos de um National Geographic*** e, acima de tudo, chusmas de gente que tem como programa de sábado à noite tarrachar até rachar. Ou kizombar, vá.

Comecemos por um breve disclaimer: Boneca Maria de Deus é uma naba em sede de kizomba. Vá lá ver, mexe as ancas com relativa desenvoltura quando é necessário e pese embora tenha nascido em Angola e tal e não seja completamente desprovida de ritmo e de coordenação, o que é certo é que não sabe (sabia?) os passos básicos da coisa e temia-se o pior. Sobretudo porque se fez acompanhar por um par de pros e o nabo-mor: Senhor seu Marido. Ora esta última criatura tem tanto ritmo naquele corpanzil quanto um mamute zarolho, por isso tratei de não o demover quando ele disse que ficaria sentadito apenas a ver. Isso, fica aí sossegado e não me envergonhes. Já os amigos profissionais, que pelo menos tiveram a decência de me levar a comer sushi antes, assim numa de "fica contentinha fica, que vamos humilhar-te não tarda", que papam as festas de kizomba todas, desataram a dar à perna e cá vai disto, olha para nós brancos a dar-lhe com alma, vês como é que se faz, pseudo-africana de m&rda, fica aí a olhar e é se queres. Olhem, filhotes, esta dama aqui é que não se quis humilhar, porque vieram logo 3-marmanjos-três "tirar-me" para dançar. É o termo técnico, tirar. Podia ser pior, digo eu. Podia ser estrafegar. Ou endrominar. Mas divago. 


Obviamente, fugi de perto da pista a 7 pés, achei que não estava alcoolizada o suficiente para me embaraçar. Assim-como-assim, se era para fazer figuras tristes que o fizesse com quem me tinha levado para ali. Por isso, o desgraçado - chamemos-lhe Pedro à falta de outro nome - teve de me aturar e atracar-se a mim. Pobre criatura. A papa-kizombadas - chamemos-lhe Rita à falta doutro nome - andava num corropio, dança para aqui, bumba para acolá, zinga para um lado e arrefinfa-lhe para o outro, porque é isso que para ali se faz, horas a fio, gente que percebe do assunto, outras nem por isso. E eu mais o desgraçado, passo básico, um para o lado, um para o outro, três para a frente e três para trás, coitadinho, estás cá dentro, já ganhaste um lugarzinho no céu, embora tenhas tentado envergonhar-me, levando-me para o centro da ação.


Em jeito de balanço, não pisei ninguém, que era o que eu mais temia. Cheguei à conclusão que há quem dance bem pior do que eu, mas isso não impede ninguém de se divertir. Com o fumo, saí de lá com a voz da Isabel Figueira (mas a conseguir pronunciar os "l", coisa que a senhora não faz) às duas e meia da matina, quando aquilo estava no auge. Mas a malta não vai para nova e já tinha abanado a bunda q.b.. Ah, e julgando pela forma como os béfes estão em evidência, meus amigos, com a vossa licença rebatizarei a bela atividade como Kuzomba.



* havia vestidos cai-cai que caíam meeeesmo
** havia vestidos justos que subiam consoante a proprietária se mexia, coisa esperta para quem ia dançar (ou estratégica)
*** movimentos pélvicos de fazer corar mesmo os mais desempoeirados como eu, que só pensava: o primeiro que tentar empernar assim comigo tipo cachorro tesudo fica sem dentinhos

 
Não podia terminar este texto sem proceder a uma recensão crítica abrangente e extensiva sobre as indumentárias de algumas criaturas que por lá andavam. Vou tentar ser pormenorizada na análise, para que se perceba inequivocamente com que tipo de outfits me deparei. Ora cá vai: FOOOOOOOOODAAAAAASSSSSEEEEEEEEE. 

11 comentários:

  1. tenho tanta, mas tanta pena do teu marido...
    a sorte foram as mini saias e cai cais.... senão coitado do rapaz. eu compreendo-o pois sou tão boa a dançar quanto ele....

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    1. Devias era ter pena de mim, que tinha lá ficado não fosse por ele!

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  2. ora associando este post e o do bidé, do mesmo dia, diria que pelo menos dá a sensação que a noite acabou bem :)

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    1. HAHAHAHA. Ora aí está uma bela associação, de que eu própria não me lembrei.

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  3. Olha mas não é a outra que não diz os "éles"?! A S.A.?! Ass: Ai cocó.

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    1. Quem?! Esta não os diz, isso é certinho.

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    2. A Sílvia Alberto! Ass: Ai cóco

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    3. Ah, pois! Essa também!

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