quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Menos, paizinhos, menos

Este texto resulta de uma valente estupefação bonecal ante uma espécime que até agora lhe era desconhecida (embora já se tivesse cruzado com ela anteriormente, como aqui descrito). E vou parar de me referir a mim na terceira pessoa, porque é só estúpido.

Essa espécie são os paizinhos (e mãezinhas também, pasme-se) que vão fazer claque pelos filhos aos jogos da bola, faça chuva ou faça sol. E este sábado estava a chover como o catano, há muito tempo que não tinha tanto frio, maldita a hora em que o puto foi convocado. Mas fui, estoicamente, e ainda bem, pois em verdade vos digo há muita gente maluca cujos filhos jogam futebol e eu, acho que já perceberam, movo-me com relativo à-vontade no meio de malucos (nutrindo por eles um misto de especial carinho/pânico). 

Ora esta gente vibra com os jogos como se estivesse na final da Liga dos Campeões. Havia inclusivamente uma criatura que berrava tanto dando indicações para dentro do campo que eu achava que era o treinador. Afinal, era o pai do guarda-redes. Eles berram, eles achincalham os jogadores da equipa contrária, eles dizem tanta parvoeira que às tantas os putos ficam todos baralhados. Exemplo:

- Vai à bola, pá, não desistas!
- Passa mas é!!!
- Cruza!!!
- Chutaaaaa!!!! Não a largues!!! 
- Largaaaaa!!!

E andava o puto para trás e para a frente tipo barata tonta.

Às tantas um levou uma traulitada e ficou estendido no chão a chorar (lembro que eles têm apenas 8-10 anos):
- Levanta-te pá, não faças fita!!!
- Bora, já passou, és um homem ou quê?!!
- Vá, anda lá, faz mas é golo!!

O árbitro também é brindado com belas pérolas:
- Isso foi só um encosto, palhaço!
- Olha, atira-te pro chão no contra-ataque que já se sabe que esse gajo para o jogo!

Ou as melhores:
- Bora lá que já são 2 da tarde!!! (eram 11...)
- Ó senhor árbitro, vamos lá a despachar isto que não tarda é hora de almoçar e está um frio do car@$%o!

No único golo que a rapaziada marcou, salta-me das bancadas uma criatura com ar tresloucado, apenas três dentes à frente e brandindo uma coisa destas (mas em modo velho e estragado):
Manda semelhante buzinadela a festejar o golo que me prega um cagaço de morte e me rebenta o tímpano direito. A modos que fiquei o resto do fim de semana meia surda. Se é para isto, prefiro que os putos não marquem.

6 comentários:

  1. Estarás tu, Boneca Maria, porventura a chamar-me estúpida??? Hum???
    É que reza a lenda, que a Isabel se trata a ela própria, na maioria das vezes, na 3ª pessoa, sim???
    Vá, reformula lá...
    Cá beijinho natalício! ;)
    IF

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  2. Mais uma vez, dou graças pelo facto do miúdo cá de casa não gostar de jogar futebol (porque, se gostasse, é óbvio que o deixaria ir para o futebol, né?).
    É que nunca vi mais nenhum desporto (e se eu experimentei muitos!) com uma tão grande concentração de pais burgessos, mal formados e cruéis!
    (Ia para dizer "coitado do treinador, o que tem de aturar", mas depois lembrei-me do que aqui contaste há pouco tempo. Epá, não consegues mesmo arranjar um clube melhor para o miúdo?)

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    1. Mulher, é igual em todo o lado...

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  3. O meu namorado que jogou futebol diz que isto é assim há anos. Quando ele era pequeno, quem mais ia ver os jogos eram as mães e eram loucas, chamavam tudo e mais alguma coisa a crianças de apenas 7 ou 8 anos, só porque eram da equipa adversária. Um dia, o meu namorado farto de ouvir uma delas, ofereceu-lhe porrada.
    Pelos visto, a coisa não mudou. E ainda não apanhaste um jogo em que acaba tudo à porrada. Pais, treinadores, putos e afins. Um sério caso de estudo sociológico.

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    1. Anseio pelo dia em que aquilo dê porrada!!

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