terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Olha, vai-se a ver e fui kizombar outra vez

Da primeira vez foi assim: leiam, se tiverem paciência.

Como não quis dar parte de fraca, ante novo convite para, cito, "ir espalhar magia", não me fiz rogada e cá vai alho. Não sem antes ter enfiado um Xanax no bucho, empurrado com uma aguardente velha. Na verdade, apenas bebi um cafezinho às 11 e meia da noite, coisa que não fazia há... nunca.

Desta feita, já não fui ao engano, na-na-na! Já não me deixei endrominar e fui munida de técnicas para:
1 - Não perder a compostura perante as indumentárias de gosto duvidoso e assim a atirar para o "agarra-me aqui no ...";
2 - Não ser rude na hora do "Desculpe, não quero dançar com o cavalheiro que enverga um fato completo, uma rosa vermelha de plástico ao peito, uma capa tipo Batman e está tão suado que há uma probabilidade de 1 em 4 de eu lhe vomitar em cima" (Tática: a malta vê-os aproximar-se e vira-se disfarçadamente para outro lado. No meu caso, poderá não ter sido tão disfarçadamente assim...);
3 - Não pisar o par (Obrigada YouTube, estás cá dentro!);
4 - Aguentar até às 4 da manhã (QUÉQUEFOI?! Não vou para nova, sim?!);

E antes que alguém pergunte "Mas afinal por que é que vais, oh chouriça?!", eu respondo "It is slowly growing on me. E gosto de dançar. E vou igualmente numa perspetiva sociológica e antropológica que não é dispicienda." Feito este reparo, avanço para umas notas soltas: 
 
- Há poucas coisas mais perigosas do que, digamos, pessoas de volumetria abastada à solta numa pista a dançar kizomba: fui abalroada duas vezes e perpetraram-me valentes placagens outras tantas. Fiquei com pena de não ter umas luzes de râguebi, que tinham dado um jeitaço;
- Continua a haver mulheres que dançam com mulheres, e eu continuo a reservar-me o direito de achar essa prática algo estranha e, vá, estúpida (é muita mama junta, meus amigos);
- Há quem dance de blusão de penas, cachecol e boina e quem seja preterido como par por, cito, "Viste aquela camisola de lã?! Saía de lá cheia de comichões e transpirada!";
- Voltei a ir underdressed: aparentemente, com calças e uma camisa de ganga estava vestida de mais. Talvez por isso não tenha tido muitas solicitações. O que não foi necessariamente mau;
- Houve música ao vivo: e aqui é que a porca torceu o rabo. O Daduh King, negão matulão com Louboutin prateados com picos, corrente dourada pendurada no peito desnudo (e as ganas que eu tive de ir lá morder aquilo para ver se era ouro?), óculos pretos e dourados e um boné com "SWAG" em letras douradas, veio dar o ar da sua graça, juntamente com uma entourage de mini-Daduhs, versão skinny, branca e totó. Havia mulheres a gritar, a descabelarem-se e a cantar as músicas do princípio ao fim. Eu cá, mais os meus amigos, ficámos apenas a ver. Desconfio que não terá sido cool.

Daduh e sus muchachos. Arribaaaaa!!!
(ora atentai nos Loubies do bicho)

E pronto, de resto a coisa passou-se, basicamente a pessoa desloca-se a estes locais para dançar e foi o que fiz. Já apanhei o jeito à coisa, não me assemelhando tanto a uma pessoa com problemas graves nos membros inferiores. 

Resta-me apenas, em jeito de conclusão, partilhar a estratégia infalível dos organizadores/donos destes sítios para correr com a malta na hora do fecho: as criaturas de Deus, espertas que só elas, ligam todas as luzes. Credo, eu só me queria pirar dali para fora. É que se havia estafermos feios com toilettes assustadoras à média luz, aquilo ficou de fugir quando as luzes foram ligadas.

10 comentários:

  1. Hahaha, a-doro estes relatos!!! ;b

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    1. :))) ainda bem. Estou à espera de quem se pique e me queira dar porrada.

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  2. Óbalhamtosdeuses.
    (Se houvesse um manto de invisibilidade, como a JK Rawlins me andou a vender anos a fio, também ia, que isso deve ser bestial. Mas conhecendo-me como me conheço, não saía de lá sem uma arrochada.)

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    1. Eu tive de me conter: "eles" estavam em maioria. Mas aqui entre nós que ninguém nos ouve, gostei :)

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  3. Cada vez que leio os teus textos eu parto-me sempre a rir e desta vez não foi diferente. Escreves super bem e sempre com muito humor, pões todo o pessoal bem disposto.
    Eu venho sempre á procura de mais uma das tuas aventuras hilariantes e nunca me desiludo!
    Resumindo, és uma mocaaaaa!

    Cá beijinho da Tânia.

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    1. Obrigadaaaa! Ass: Boneca, a moca.

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  4. É impressão minha ou o Daduh tinha 3m da altura e a discoteca só 2m !? Ass: Ai cocó

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    1. Ah, ah, ah, de facto parece que está dobrado por não caber. Mas é somente uma questão de perspetiva! :)

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