terça-feira, 31 de março de 2015

Etiqueta no Facebook

Não sei muito bem como lidar com a tristeza partilhada nas redes sociais, sobretudo em sede de likes. O que quero dizer com isto é que nunca sei se - para mostrar comiseração e "estou a acompanhar-te à distância neste momento", ou "cá abracinho apertado" - deverei botar um like quando vejo uma notícia triste partilhada. Pessoalmente não sei se seria capaz de partilhar a morte de alguém próximo, ou um estado de alma mais depressivo, talvez, nunca se sabe. Compreendo que seja uma forma rápida e bastante eficaz de se chegar a mais gente, e que poupe bastante tempo e trabalho. Agora, a dúvida com que me deparo sempre é: faço like? Para mim, like significa "gosto" (duh), "olha que fixe", "caguei-me a rir com isto, pá", ou até "és mesmo imbecil, mas liko-te assim mesmo, estrupício máilindo de sua Boneca". Não significa, de todo, "muita força neste momento", ou "os meus pêsames". 

Surge uma publicação que nos informa que a pessoa está de cama, doente. Eu gosto disso? A julgar pelos likes que contabilizo, parece que há quem goste. Pior, quando a pessoa anuncia a morte de um familiar, ou muda a foto de perfil para um laço preto. Boto like?! Não, não, não consigo! Mas depois reparo que toda a gente botou. E agora? Parecerei um criatura insensível feita de casca de árvore?! 

A sério que estou aporrinhada com isto, juro que não sei mesmo qual a etiqueta facebookiana a seguir. Assim sendo, opto sempre pelo bom senso e não "gosto" de publicação triste nenhuma. "Fulana está a sentir-se deprimida" (seguido de um bonequinho a chorar): 49 likes de amigos. WTF? "A missa de sétimo dia do meu tio realiza-se hoje pelas 11 horas na Capela x": bumbas, 70 likes. Epá. Não. Não mesmo. Recuso-me.

Perdoem-me os mais sensíveis, mas não consigo distribuir gostos em posts sobre desgraças com a mesma leviandade com que os distribuo (com todo o amor) nas fotos dos filhos dos meus amigos, em vídeos de pessoas a esbardalharem-se em passadeiras de ginásios ou gatos fofinhos, ou frases idiotas do Nuno Markl, por exemplo. 

Posto isto, e em caso de dúvida, o melhor mesmo é agarrar no telefone e ligar à pessoa, digo eu. Era o que se fazia dantes, não?

35 comentários:

  1. E quem diz ligar, diz também ir pessoalmente dar um abraço apertado e um beijinho. A Boneca sempre em altas no que toca a teorizar. Acho que podes ir compilando estes posts e fazer o tal livro de boas práticas ou boa vizinhança no Facebook. Estou só a dizer de forma fofinha, não te ponhas já a oferecer-me porrada, está bem? Cá beijinho * MR

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  2. Ora lá, Boneca! Deparo-me sempre com a mesma questão, mas penso tal e qual como tu e acabo por não 'likar' nada... É bem melhor assim :)

    http://thegirlofdreams.blogs.sapo.pt/

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    1. É o que eu faço, e não quer necessariamente dizer que não me solidarize com as pessoas.

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  3. Anónimo que veio numa tentativa de bate-boca destilar pontos de exclamação: sabes tudo menos assinar o teu nome, não? Se acordaste com o rabo fora da cama hoje, podes dar meia volta e dar de frosques lá para o teu bairro, que eu tenho mais que fazer. Democracia para nos portarmos como parvinhos não existe aqui. É um pardieiro, mas é o meu. Sente-te à vontade para voltar num dia em que tenhas consumido menos ansiolíticos e que queiras esgrimir argumentos de forma mais racional. Nessa altura, responder-te-ei com todo o gosto.

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    1. Ia dizer que és a maior pelo texto.
      Fica só a minha vénia: costumo dizer que a democracia e a liberdade de expressão só existe nos espaços onde não mando eu - e bardamerda para com o que os outros acham disso.
      (Eu também não liko, btw. :) )

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    2. É que era o que me faltava. Aceito que discordem da minha opinião, agora, façam-no sem serem símios. Na minha caixa de comentários reina uma meritocracia, tout court. Beijos à nortenha favorita.

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    3. Haters gonna hate. Just shake them off. :)
      Quanto ao assunto, acho que um comentário é sempre preferível a um like, caso não se tenha o número de telefone da pessoa em causa e/ou essa pessoa esteja demasiado longe para lhe irmos dar um abraço. Ou uma mensagem privada.

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    4. Boneca, a propósito do Facebook e da Internet em geral, há dias vi num dos episódios de Mentes Criminosas (salvo erro) duas frases que não resisti em tomar nota.Penso que ilustram bem estes e outros casos. Deixo-a aqui: "A Internet é a primeira coisa que a Humanidade construiu, mas que não compreende. É a maior experiência de anarquia que algum dia tivemos." (Eric Schmidt) Bjs MR

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    5. Haters aqui não têm tempo de antena, simple as that. Quanto ao assunto, estamos em perfeita sintonia.

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    6. MR, acho que vi, lembro-me dessa frase. E de ter pensado "tão verdade"...

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    7. Ai eu divergências também aceito, mas educadinhas e fundamentadas. As outras aprovo-as só para poder gozar larguete com elas. Há quem tome drunfos, eu descarrego em cima de gente parva, pronto.

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    8. Ai tão bom, uma alma gémea. <3

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  4. Este blog não é Charlie!!!!!!!!!!!..........

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    1. Poinão, Carlitos, coisa máilinda. Este blogue é Doll!

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    2. Ou melhor, "la Bonéque" :D

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  5. Isto estava tudo muito bem, mas se já tens uma nortenha favorita vai haver porrada e olha que não és tu a dar!



    Brincadeirinha, sei que sou a centro-nortenha preferida, ahah x)

    Quanto ao Facebook, hmmm... lança lá o livro que tenho me deparo por vezes com estas dúvidas existenciais x)

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    1. Aiopá, cenas de ciúmes, adoro! <3

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    2. Quanto ao lugar da "miúda favorita do centro do país" fica já reservado para mim, a partir deste momento, combinado Boneca? Só para que não haja cá usurpação de "funções" e confusões que tais :P Bjs MR

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    3. Vou ter de fazer um ranking, está visto. ;)

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  6. Boa ideia :) E eu vou mas é arranjar conta do blogger. Quer-me cá parecer que é o melhor ;) MR

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    1. Moderniza-te mas é, mulher! Assume-te, sai do armário! :)

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    2. Pronto! Já está. E afinal já tinha saído do armário em 2007, tumba! :P MR

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  7. Penso como tu Boneca!
    Isto de fazerem likes em desgraças não ta com nada!
    Carla M

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    1. É lá com eles. Mas comigo não. Não mesmo.

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    1. Obrigada, Cândida (e bem-vinda a esta humilde caixa de comentários)!

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  9. Anónimo, vou explicar-te muito devagarinho a ver se percebes: não sei que tipo de amigos tens que te deixam entrar por casa deles adentro aos gritos e a partir para a ignorância. Aqui, na minha cas(inh)a, entras com respeito. Queres "dizer-me umas verdades", fá-lo com educação. É o mínimo. Esperneia praí, que me estou a cagar (lá está, os palavrões, como tu dizes). Aqui não tens tempo de antena. Conselho: abre um blogue, e poderás fazer aquilo de que me acusas: dizer o que queres.

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    1. Ainda continua? Ele há pessoas...
      Deixa pra lá. Concentra-te mas é no texto novo que vais fazer sobre o habitat dos gambozinos.

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    2. Estou feita. Pronto, já tenho o cérebro a funcionar.

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    3. olhá-virgem-ofendida! ah ah ah ah ah!

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    4. vês? assim amorosa já gosto de ti! cá beijinho.

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