sexta-feira, 13 de março de 2015

Hoje sinto-me nostálgica

Pus-me a pensar nos meus avós. Já não os tenho há nem sei quantos anos. A mãe da minha mãe nunca a conheci, morreu quando ela tinha 16 anos. Lembro-me de ter perdido o meu avô paterno (de quem era muitíssimo chegada) andava talvez no 7º ano, e os outros foram-se com o passar dos anos. 

A última foi a avó paterna, a tal que era modista, responsável por esta Vossa serva andar sempre na moda, sem grandes gastos. Copiava os modelitos mais trendy e eu andava sempre gira-gira. Recordo-me imensas vezes dela nos últimos tempos, porque dou por mim a repetir aos meus filhos as frases emblemáticas com que ela me brindava e que eu na altura achava absolutamente descabidas. Os melhores exemplos são mesmo as respostas que ouvia quando perguntava o que se iria comer (pergunta que oiço, em média, 8 a 10 vezes por dia): "ovos de porcos fritos e cosidos com linhas brancas" ou "línguas de perguntador". 

Oh avó Lucinda, imaginavas lá tu que eu, que olhava para ti com um ar estupefacto quando me lançavas estas tiradas, mais de 20 anos depois iria repeti-las aos teus bisnetos e eles fariam a mesma cara? Sabes, acho que eles teriam gostado de te ter conhecido.

14 comentários:

  1. Cá beijinho Boneca mailinda!
    Tantas são as vezes em que essa nostalgia me invade, também já cá não tenho os meus avós, é tramado. Sinto principalmente falta da minha avó paterna e ela tinha de estar cá para conhecer os meus filhos (que ainda não tenho). Isso da morte é uma grande treta!
    Engraçado que também repito uma expressão da minha avó materna, que é "na pita da coelha".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cá beijinho, Ritoca! Mas agora vais ter de me explicar o que é isso da pita da coelha, que me soa deveras badalhoco.

      Eliminar
    2. ahahah nada badalhoco.
      Digamos que uso sempre que me dá na real gana. A minha avó dizia isso quando lhe pedia alguma coisa absurda, muitas vezes dizia mesmo "olha, na pitinha da coelha". Mas aproxima-se a um "vais ter cá uma sorte!".

      Eliminar
    3. Acho que vou roubar ;)

      Eliminar
  2. Oh Boneca, agora fizeste lembrar-me dos meus avós. Também tive uma avó modista (com loja de modas em Lisboa, na Pinheiro Chagas, salvo erro) que não conheci, pois faleceu quando o meu pai tinha 16 anos. Do lado materno, o meu avô (do Fouto, Vila de Rei) era alfaiate. Foi o último a falecer e meteu nesta neta o gosto pela costura. Tinha sempre um pacotinho de bolachas de baunilha para me dar. Nunca me vou esquecer do colete e das calças à boca de sino que ele fez para mim quando andava no 6.º ano... Obrigada pela nostalgia. :) Beijinho MR

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De nada! Os avós são figuras incontornáveis em qualquer família :)

      Eliminar
  3. Os avós sabem tanto...que saudades que também tenho dos meus... e acrescento que a tua avó era muito à frente porque a dica "ovos de porcos fritos e cosidos com linhas brancas" tem muito que se lhe diga... não conhecia a expressão...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Era uma patusca, a Avó Lucinda. E o giro que é ver agora a relação dos nossos filhos com os nossos pais?

      Eliminar
  4. Felizmente ainda tenho duas avós. Mas o meu avó Manel faz-me tanta, mas tanta falta. Era a melhor pessoa que conheci até hoje. Tantas vezes nos lembramos de tiradas que ele tinha. A melhor era "Trabalhar para aquecer mais vale morrer com frio".O meu avô era sapateiro, e por isso não tenho culpa de gostar tanto de sapatos. Está-me no sangue ;)

    http://thesunnysideoflifeblog.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Belíssima tirada do avô Manel! :)

      Eliminar
  5. Perdi o meu último avô no início do ano: conheci-os todos e a mais três bisavós, tive muita sorte. Ainda hoje, até profissionalmente, repito expressões e loucuras de todos - e às vezes lá vai uma lagrimita (fora do trabalho, que a pessoa tem uma reputação de vaca fria a manter), porque tenho saudades estúpidas de todos: porque me ensinaram a ler e a nadar e aturaram-me os disparates e deixavam-me comer tudo o que a mãe não deixava. E porque cresci com eles e eles comigo (o avô a quem não passava pela cabeça que a filha saísse de casa sem casar construiu a primeira cama de casal para a neta quando, aos vinte e dois anos, ela foi viver com o namorado). Estão sempre por aqui, porque não deixo que me saiam da vida.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. <3 É que não podemos deixar mesmo. Raisparta, que deviam ser imortais.

      Eliminar
    2. Cat de Castromarço 14, 2015

      Se deviam... Dói o coração e a alma com tamanha saudade que os meus avós me deixaram. Mas entre aquela lagrimita que cai muitas vezes sem pedir licença vem sempre depois um sorriso de como fui tão feliz com os meus velhotinhos =))) <3

      Eliminar
    3. É esse e espírito, Cat.

      Eliminar