quinta-feira, 30 de abril de 2015

Mãe sofre #66

- Mãe, p'lamordedeus puxa as calças para cima, estás com metade do rabo de fora!
- Ora francamente, estou em casa sentada no meu sofá, importas-te que eu esteja à vontade?!
- O problema é teu, só te estou a avisar.
(Afastando-se e sussurrando)
Mesmo badalhoca...

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lava as mãos oh porca!

Como abrir uma porta sem tocar na maçaneta, por sabermos que a pessoa que a abriu antes não costuma lavar as mãos? Foi esta a dúvida que me atormentou esta manhã, ao perceber que, para sair de onde estava, teria de botar a minha mãozinha imediatamente a seguir à bácora que, já topei, lava as mãos quando chega à casa de banho mas não quando de lá sai (WTF?!). Safou-me Compadre, que não tem cá pudores nem esquisitices (estou a tentar não lhe chamar badalhoco), que se atirou à porta e ma abriu, ao ver o meu esforço para tentar abri-la, em vão, primeiro com um pé e depois com um cotovelo:
- Blagh pá, então eu não te disse que a gaja não lava as mãos depois de ir ao xixi??! 
- Qual é o problema?! Eu não sou esquisito, não nego à partida uma patareca que desconheço.
- És nojento.
- There's no such thing as a bad patareca.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Vendas de carros, romantismo e parto-te mas é a boca toda

Senhor meu Marido vai vender o carro que tem(os) há 12 anos. Este ato está carregado de simbolismo, uma vez que foi o primeiro carro novo que comprou, mais ainda porque o foi buscar no dia em que me pediu em namoro. Ou seja, o fanfarrão estava com o ego lá em cima, ah e tal agora estou bem montado num bólide novinho em folha, deixa cá tentar a minha sorte com a miúda também, faço assim uma espécie de dois-em-um. A miúda, que estava completamente caidinha por ele, não se fez propriamente de difícil e foi assim que, aos trinta de agosto do ano de sua graça de MMII, o homem ganhou uma namorada nova e um carro novo. O último mais novo que a primeira, mas isso agora não vem ao caso. Até porque o meu chassis era bem mais apelativo, if you catch my drift. Revestiu-se a data de tanta importância que foi também o dia escolhido para o casamento. 30 de agosto forever e não se fala mais nisso.

Mas novamente ao presente: o homem vai vender o carro e, numa atitude de saudosismo quase-romantismo assustadora, quem-és-tu-e-o-que-fizeste-à-criatura-insensível-feita-de-casca-de-árvore, pediu-me para, antes de entregar o carro, me tirar uma foto ao pé dele para ficar como recordação. Pena não nos termos lembrado do mesmo há 12 anos, tinha dado agora um belo "antes e depois". Fiquei deveras comovida com a atitude, embora estivesse morta que ele se visse livre da chocolateira, que não sou pessoa de me apegar a cenas com rodas que precisam de ser atestadas e lavadas e tal.

Que fofinho o homem, a puxar para o sentimento, com a idade está a amolecer.. ESPERA AÍ. PARA TUDO. O gajo vai empandeirar o carro e pediu para eu tirar uma foto ao lado dele... Tu queres ver... Não... Eeeerrrr... Será que...?

Bom, pelo sim pelo não, vou verificar se o OLX permite a venda de cônjuges.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Violência psicológica dos tempos modernos

Máivelho ameaça Máinovo que, se ele não retirar o "estúpido" que lhe chamou, incendeia o condomínio que lhe construiu no Minecraft.

Mãe sofre #65

"Mãe, quem te avisa teu amigo é, não entres na casa de banho nos próximos minutos. Quer dizer, horas. Olha, não vás lá antes do Natal, OK?"

sábado, 25 de abril de 2015

Pensamento de fim de semana #81

À pergunta "Que animal é aquele?" feita pelo teu filho, apontando para uma figura perto do teu marido, não respondas "É o teu pai!", se passados uns minutos tencionas dormir ao lado do animal homem. É possível que depois tenhas uma noite complicada.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Gente com valentes pancadonas #14

Cada vez se torna mais complicado tentar adivinhar os links onde esta gente foi parar... tentei, mas nem sempre consegui. Ou estou a perder qualidades, ou esta malta das valentes pancadonas está a ficar cada vez mais refinada.

casas das buneca: fofinha esta pessoa. Não sei que mais diga. Link? Sei lá eu.
maminhas: tout court, só assim, sem mais nada. A seco. Bumbas. E veio cá ter. E não é a primeira vez. O mundo é um lugar estranho. Poderá ter ido parar aqui.
onde lanchar num domingo margem sul: adoro fazer serviço público. Onde se lancha mesmo-mesmo bem é na minha casa, mas por razões logísticas não vos posso convidar.
mulher sex de vasinha fiu detal: vou tentar ignorar os erros, o que para mim - e quem me conhece bem sabe - é um exercício dificílimo. Ora, vamos por partes: mulher sex deve ser mulher-objeto. Mas esta tem de vir dentro de um vaso feminino e pequeno. Portanto, uma planta. O fio dental é para lavar os dentes. Já sei! Planta carnívora!! Acertei? Acertei?  
o arrumadinho e a pipoca mais doce: devem estar lá em casa deles, sei lá eu.
bolo boneca sevilhana: mas um bolo com uma boneca por cima? Isso não é uma piroseira? Eu cá tive foi uma boneca sevilhana para forrar um rolo de papel higiénico, feito pela Avózinha. Isso sim, é bem giro.
bonecas do tadas que so comem cu de monheres: tentando (dificilmente) esquecer os erros e concentrando-me apenas no objetivo desta busca, apraz-me apenas dizer o seguinte: BLAGGGHHHHHH. Nem vou tentar adivinhar o post onde isto foi parar.
pipis e pilas vídeo: olá, pá! Há tanto tempo que não vinhas cá parar à procura de vídeos de pipis e pilas, que saudades tuas, SEU TARADO DE MERDA! (será que este gajo foi ter ao famoso post do bidé?) 
- o que preferias: não sei, quais são as escolhas? Agora são 16h05, talvez lanchar. Em sendo 20h talvez jantar. E assim sucessivamente.
30 janeiro de 2015 21% desculpa telemóvel ficar sem bateria: aaawww, piqueno energúmeno que queria mandar um SMS, mas em vez disso googlou a mensagem e ainda foi ler um bloguezinho! Cá beijinho repenicado nessa testa que muito provavelmente alberga uns óculos de sol assim a meio caminho entre os olhos e o cabelo e boné de ladecos!

Quem escagaçou a Bimbe?

Declaração de exoneração de responsabilidade: mães que se apoquentem e/ou enojem com facilidade, membros da Comissão de Proteção de Menores e pessoas do clero, afastai-vos daqui e voltai noutro dia. Ou ano, vá.

Quem botou like em página facebookiana bonecal terá ontem reparado na foto que ilustra este post, onde figura Bimbe máilinda de sua proprietária coberta de uma nheca preta que mais parece cocó de pessoa que anda a tomar suplementos de ferro. 

Sucede que esta Vossa serva adquiriu uma pasta de azeitona gourmet bem supimpa cujo único inconveniente é vir dentro de uma bisnaga tipo pasta de dentes. Ora à primeira espremidela saiu (acompanhado com um som de, vá, peido) um esguicho de gosma preta e gordurosa que me deixou a Bimbe (nome carinhoso com que batizei a bicha) no estado que se vê.

Então e como capitalizar semelhante desgraça? Aproveitando para praticar um dos meus desportos favoritos, o "faz pouco dos teus filhos". Vai daí:
- Tiago, olha o que o teu irmão fez à Bimby!
- Nãaaaaoooo??!!! O mano fez cocó na Bimby??!!
- Sim, ele não está bem da barriga, coitado!
Ato contínuo, saco de um pedaço de pão, raspo na gosma e zinga, enfio aquilo na boca com ar satisfeito e mastigo, emitindo onomatopeias em conformidade. 

Nem que viva 100 anos vou conseguir esquecer e descrever a cara que a criança fez a olhar para mim a deglutir - o que ele pensava ser - caca no pão. E nem depois de eu, quando acabei de rebolar a rir, ter tentado explicar-lhe o que era, dando-lhe a cheirar a bisnaga, incentivando-o a provar e dizendo que era super saboroso, consegui que ele se aproximasse a menos de 2 metros do aparelhómetro.

Que falta de sentido de humor, não sei a quem este puto sai, francamente.


Palpita-me que daqui a 2 anos ainda vou encontrar bocados
de pasta de azeitona nos entrefolhos da Bimbe.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Conversas parvas comócatano #23

- Epá, quando estava a vir do Cais do Sodré torci um pé!
- Claro, porque se estivesses a vir do Terreiro do Paço tinhas torcido um braço.

Piadola provavelmente só percetível para quem sabe que tanto o Cais do Sodré como o Terreiro do Paço têm algo em comum, como os belos dos barcos. Ou mesmo para estes, isto não tem piadinha nenhuma. Olhem, eu ri-me que nem uma perdida. Mas eu sou parva. E a autora da segunda frase. Enfim, fica para uma próxima, sim?

Não é contigo, é com ele!

O meu diminutivo em casa é perigosamente parecido com o do Máinovo (Vi e Gui), sobretudo quando pronunciado com decibeis elevados. Ora, isto dá azo a situações deveras caricatas, como quando penso que o meu marido ensandeceu por dizer "Vi, vamos lavar esse rabo malcheiroso.", ou "Vi, vai já fazer xixi!", ou a eterna frase "Vi, deste pum?". É traumatizante, porque mesmo que não seja comigo, nunca deixo de pensar "Oh diabo, a ordem de lavagem de pila que acabei de ouvir será mesmo para mim?!"

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Filho afinal também sofre

Disclaimer 1: às 23h as crianças cá de casa estão a dormir há mais ou menos 2 horas, no andar de cima, bem longe de onde os paizinhos deles estão.
Disclaimer 2: eu estava deveras danada. Assim a atirar para o muitíssimo.

Boneca - Por que car€&%0 estamos em 3G, hein? Filhos da ... do Meo, pá, é sempre a mesma mer&&&, mais o Wi-Fi e a ... da prima deles às costas. Fartinha desta piiiiiiiiii oh piiiiii mais o piiiiiii!!!

Estranhando o silêncio, viro-me para trás e vejo uma criança com um olho fechado, ar de pânico e um cantil de água vazio a olhar para mim:

- Eu só queria água, mas se calhar prefiro ficar com sede...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Das reuniões de pais

É um exercício antropológico de análise comportamental proceder à comparação de uma reunião de pais de crianças de 9 anos e de 4 anos. Na primeira, aborda-se de forma séria questões práticas de testes, fichas de leitura e comportamento, havendo sempre o ocasional pai, digamos, palhaço, que tenta monopolizar o tempo para i) impor as suas ideias pedagógicas; ii) discordar dos métodos da professora e impor as suas ideias pedagógicas; iii) aproveitar para oferecer cupões de desconto na livraria onde trabalha ao mesmo tempo que impõe as suas ideias pedagógicas; iv) tentar impingir vender, sempre em nome da arte e das suas ideias pedagógicas, os quadros que pinta no seu ateliê. 

Tem tudo muita piada, mas não chega aos calcanhares de uma reunião de pais de crianças de 4 anos. Aqui, passa-se para todo um outro nível: a avaliação de conhecimentos está em sintonia direta com o controlo dos esfíncteres e as palavras cocó e xixi surgem à razão de uma vez por frase. Aqui não se discutem parâmetros de avaliação, esmiuçam-se fluídos corporais. Há uma ânsia em tentar demonstrar que a própria cria está muito mais desenvolvida, nomeadamente pelo facto de conseguir comer a sopa sem a vomitar na cabeça do amigo do lado ou na sua própria franja. Reza a lenda que há pais a discutir a impossibilidade de limpeza de próprio rabo devido ao (curto) comprimento dos braços e, por conseguinte, a obrigatoriedade de os putos irem à segunda chamada desta prova ou mesmo à oral.

Com o Máinovo é fácil perceber em que nível este se situa: o termo técnico é "nível da badalhoquice". Este consiste basicamente em andar sempre com selo nas cuecas, a cheirar a lar de terceira idade na área central da roupa, joelhos esfolados, roupa estrategicamente rompida e tendencialmente a malhar em quem ouse passar-lhe à frente na fila para o escorrega. Marcas de dentadas são uma constante, deles nele e dele neles. À parte disso, "é uma criança simpática e meiga" e, pasme-se, "conciliador", que "demonstra já algum poder de argumentação" e "é um conversador nato" (I wonder...)

Feliz, portanto. Tenho um filho cagado, mas feliz. E é isso que neste momento me interessa. E que conte até 20, vá. E que, de caminho, deixe de dizer "dejajoito" (18, what else?!).

Parece um pequeno homem,
mas não nos deixemos enganar.

domingo, 19 de abril de 2015

Ouvido no aniversário

Máinovo recebeu, de uma assentada, de umas tias, umas meias, um polo e um boné. A olhar para aquilo tudo junto, grita:
- Então e as calças?!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O meu amor pequenino

Chamo "amor pequenino" ao bebé à criança que faz hoje 4 anos (ou 61 - xexentaum - se lhe perguntarmos...). Ele não gosta, atira imediatamente com um "xou gande!", mas o que é certo é que é o último ser do sexo masculino (não lhe consigo chamar homem) por quem me apaixonei. Vai ser, quase seguramente, o meu último bebé, o portador das últimas fraldas que mudarei, o responsável pela linguagem mais fofa que ouvirei nesta casa, pequeno canhoto de sua Mãe babada. Foi da boquinha dele que ouvi, estupefacta, "coisa mais boa do seu filho", é a única pessoa que crê em mim e nas minhas capacidades de tal forma que acha que eu consigo arranjar uma banana que ele partiu a meio. Tem tanta confiança no próprio charme que chega a enfiar um pão inteiro na boca só para ver a minha cara de zangada, sabendo de antemão que acabo por me escangalhar a rir. Nunca pensei poder gostar tanto de alguém que 68,5% do tempo cheira a aterro sanitário, que não sabe pronunciar os "s" nem os "r", que nunca está penteado nem limpo, que arreia no irmão de 5 em 5 minutos e que nunca me obedece.

Este é o primeiro ano em que ele efetivamente está a viver a magia do aniversário em toda a plenitude. Já pediu prendas a toda a gente, convidou toda a população do Montijo e Alcochete para a festa na casa dos avós e esteve 5 meses em contagem decrescente. Ontem chegou da escola e perguntou: "Hoje é dia de amanhã? Já é o meu dia, mamã?"

Raça do puto, estou aqui a escrever sobre ele de lágrima no olho, no que ele me tornou... 

4 anos de gente que me fez bi-mãe, 4 anos deste amor pequenino.

Parabéns, meu Gui!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O que fazer quando falta a inspiração?

Quem tem um blogue e até leva isto a sério (na medida do possível pela parte que me toca) teme o dia em que lhe dê um writer's block, forma pomposa de dizer "mas que car&@€0 é que hei de escrever hoje?!". Já tive vários, mas como decidi que este pardieiro enveredaria pela linha editorial da estupidez, tal permite-me, como sabeis, escrever sobre as temáticas mais estapafúrdias e, vá, imbecis. Se me apetecer num dia compor uma ode a uma beterraba fá-lo-ei. Se estiver virada para um texto sobre esfregões da loiça e a sua correlação direta com a TPM, nada me impedirá de o levar a cabo. Aliás, se me apetecer escrever um post inteiro sobre os níveis mínimos atingidos pelas taxas de juro aplicáveis às operações principais de refinanciamento do Banco Central Europeu, sempre quero ver quem me vai impedir. 

E onde quero eu chegar com isto? Dizer apenas que quando não tiver nada para dizer provavelmente inventarei uma parvoíce qualquer? Não. Ou sim, depende da disposição. Bottom line: tenho-me desiludido com alguns blogues que seguia mas que a partir de certa altura qualquer traque que se dê vai a texto, qualquer situação, por mais inócua e desinteressante que seja, é publicada (Ai hoje vieram cá os meus primos e jantámos todos. Foi tão bom, nham nham!), e isso cansou-me. Sim, ter 23 textos por dia deve dar origem a muitas visualizações, mas, caramba, o que é demais enjoa. Vai daí, foi uma razia de blogues por estes lados que até cheirou a borracha queimada. 

Sim eu sei, obviamente que, se se pretende apresentar um diário, tendencialmente surgem as experiências pessoais, o que fazemos, onde vamos, mas, bolas, será que quero mesmo seguir assim tãaaaaao de perto a vida de alguém? Sei que eu não. 

Por isso, hoje que estou sem inspiração e não me lembro de parvoíce nenhuma para escrever, não vou dizer nada. Não há post para ninguém hoje, tsá??

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eu atraio maluquinhos #20

Numa loja de produtos naturais, Boneca Maria de Deus faz algumas perguntas à empregada. Senhora de ampla volumetria procede a abalroamento bonecal e interrompe a conversa com as suas próprias perguntas. A empregada, simpaticamente, diz-lhe que a atenderá quando acabar de me responder. Senhora de vasta volumetria e carregada de suplementos para emagrecer, diz que só quer saber as calorias de cada um dos 300 frascos que carrega. Não sem antes arrear uma traulitada com seu amplo traseiro em BMD, que com o impulso dá 2 passos para trás e - ainda que contra a sua natureza quezilenta - apenas diz:
- Ai a minha vida...
- AI A SUA VIDA? AI A SUA VIDA? Queria ver se tivesse a minha vida!!!! Não posso ter perguntas para fazer, é??!!! 

E desata a desfiar um rol de queixas e que não consegue emagrecer e que a vida é injusta e que as mulheres são umas desgraçadas porque são elas que têm os filhos e engordam e a eles não lhes acontece nada e ainda largam as mulheres quando estas já não lhes agradam e o diabo a sete. Por fim, decide parar o chorrilho de lamentos e remata com:
- Depois vêm estas gajas magras a queixar-se da vida! Um dia que tenhas filhos logo vês como elas te mordem!!!

Passou-me assim uma luz azul à frente da vista, mas respirei fundo e apenas ciciei: 
- Mas quem lhe disse a si que eu não tenho filhos?! ("sua badocha de merda" - era assim que gostaria de ter acabado a frase, mas não o fiz)
- Eu tenho dois!!! Dois!!! E nunca recuperei!
- Pois não recuperou mesmo, nem a figura nem o juízo.

E virei costas e deixei-a a falar sozinha. Mas em verdade vos digo, isto de tentar contrariar a nossa natureza abestalhada não tem piadinha nenhuma, e não proporciona fins jeitosos para posts. Devia ter-lhe chamado chanfrada descompensada, gorda chalupa, o que me viesse à cabeça. Assim fiquei frustrada, deveras irritada e como se não bastasse acabou o stock das minhas barritas de chocolate e tive de voltar para casa de mãos a abanar. Catano.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Conversas parvas comócatano #22

Dois colegas meus descobrem satisfeitos que vão estar ao mesmo tempo a trabalho em Cabo Verde:

- Epá, espetacular, podemos organizar aí umas cenas porreiras, tipo ir ver um concerto da Cesária Évora!
- Isso se calhar vai ser um bocado complicado tendo em conta que a mulher já morreu...
- Aaaahhh... Se calhar é melhor não irmos a esse concerto, então.

Esse flagelo chamado "snooze"

Ele assola casas portuguesas e a nível mundial. Ele atazana a vida conjugal. Ele perturba a paz. Ele dá cabo dos nervos, em particular, de uma certa moça de Alcochete, conhecida pelo seu temperamento sui generis porém fofinho, que nutre por ele um ódio visceral, daqueles que se lhe nasce no âmago das suas entranhas e sobe vertiginosamente até lhe atingir as orelhas e a ponta do nariz.

O snooze é - segundo os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat - responsável por 46% dos divórcios a nível da zona euro. Eu estou prestes a juntar-me a essas fileiras e venho por este meio comunicar que estou a atingir o limite das minhas forças.

Para quem não sabe, o snooze é aquela estratégia do demo que inventaram para os preguiçosos dormirem mais 3 minutos e meio e, nesse processo, destruírem a vida aos que lhes são mais próximos, com especial destaque para quem dorme ali ao lado. Senão vejamos:
1. Toca o alarme.
2. O preguiçoso (doravante designado por besta desprovida de sentimentos, "BDS") dá-lhe uma marretada e carrega no botão que nos minutos seguintes fará em frangalhos os nervos de quem está nas redondezas.
3. Míseros minutos depois, aquilo toca outra vez.
4. Nova marretada da BDS.
5. Mas o despertador insiste, não desiste.
6. A BDS também não: bumba, mocada.
7. Triiiiiiiiim.
8. Pantufada.
E assim sucessivamente até que o farrapo de gente estendido mais à esquerda na cama e que apena tenta usufruir do seu direito constitucional ao sono: a) chora lágrimas de sangue, maldiz a vida e grita pela mãe; b) arreia um pontapé nas costas da BDS; c) ameaça que lhe introduzirá objetos pontiagudos no reto com requintes de fazer corar o Marquês de Sade; d) pede o divórcio*

Japoneses, se me estais a ouvir: para quando um qualquer zingarelho que pregue uma lambada / ministre descargas de 300 volts / introduza cenas no ânus a estes gajos que não se levantam quando o alarme toca, pá?! Eu era a primeira a dar para esse peditório. Crowdfunding já!!!

*Esta última técnica deixou de surtir efeito: aparentemente pedir o divórcio todas as manhãs é coisa que vai perdendo a carga dramática.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

É justificável uma mulher usar o WC dos homens?!

Raros são os homens com bexigas hiperativas. Já entre as mulheres, rezam as estatísticas oficiais que 1 em cada 2,4 junta as coxas freneticamente e contorce-se ante o barulho de uma torneira a pingar ou de uma fonte pública. E não se aguenta se uma amiga engraçadinha fizer "chchchchchchchchch" ininterruptamente. 

Sucede que, pelos motivos supra, as casas de banho femininas parecem o 28 num dia de sol em hora de ponta. E quem está meeeeesmo aflitinha não consegue aguentar 10 minutos numa fila de mijonas sem fazer pelas pernas abaixo. É aí que vale tudo e, ou bem que nos valemos do treino de tríceps e fazemos o xixizinho no lavatório (já vi...), ou acionamos o Plano B, bem menos vergonhoso e socialmente respeitável: invadir em raide o WC masculino, que assim como assim está quase sempre vazio, ou, pelo menos, não alberga hordas de gajas semi-incontinentes.

O pior é que os gajos se sentem muito ofendidos com a intrusão no seu território, como se de uma violação de privacidade se tratasse e não, tão-somente, um suprimento de necessidade urgente que, de outro modo, os obrigaria a andar de braço dado com uma mulher a cheirar a lar de terceira idade.

Assim, pergunto aos homens: preferis uma acompanhante pinguenta ou uma que trata do assunto, se preciso for, de perna alçada no urinol? É ou não é buéda cool a malta, mesmo não possuindo sistema de disparo, conseguir fazer pontaria a la sniper e, bumbas, acertar em cheio no sítio certo, coisa que para vocês chega a configurar física quântica? Meus caros, e fazemo-lo de salto alto e sem deixar rasto.

Posto isto, já percebi, o vosso problema não é que vos ocupemos a casa de banho, é que façamos o nosso xixizão com muito mais estilo e mestria!

Puto, veste-te, calça uns sapatunfos de salto alto
e depois a malta conversa, tsá?

sábado, 11 de abril de 2015

Eu só queria dormir mais um pouquinho...

- Meninos não façam barulho para a mãe dormir mais um pouco.
- TIAGOOOOO!!!!! NÃO FAÇAS BARULHOOOOOO!!!! A MÃE ESTÁ A DORMIIIIIIIIIR!!!!!!!!!
- EPÁ, NÃO GRITEEEEESSS!!!!!!! VAIS ACORDAR A MÃE!!!!!!!!!!
- HÃ????!!!!!!!!!
- VAIS ACORDAR A MÃAAAAAEEEE!!!!!!!!!!!
(Entra-me Máinovo quarto a dentro)
- Mamã, estás a dormir?
- Estou.
- Vou para a natação. Podes ficar a dormir, está bem?
- Sim, meu amor, beijinhos.
(Ainda dentro do quarto)
- TIAGOOOOOO!!!!!! A MÃE VAI FICAR A DORMIIIIIIR!!!!!! 
- ESTÁ BEM!!!!!!!!!!!!! EU NÃO FAÇO BARULHOOOO!!!!!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Mãe sofre #64

- O que é o jantar?
- Bifes.
- Posso pôr mostarda?
- Podes.
- És a melhor mãe do mundo!!!
- Sou a melhor mãe do mundo porque te deixo pôr mostarda nos bifes?!
- Oh, claro que não.
- Ah bom, estava a ver.
- Às vezes também me deixas pôr ketchup!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Tadinha da Mãezinha

Com a abertura em Setúbal do ginásio onde Senhor meu Marido trabalha e tendo ele ido para lá, Mãezinha máilinda de sua Filha não podia perder a oportunidade e inscreveu-se, com grande expetativa de ir fazer as aulas do genro. O que Mãezinha não imaginava é que o homem é um sádico do pior, que vibra com o sofrimento alheio, busca a tortura dos demais, grita e ameaça as pessoas com porrada e sevícias afins.

Sucede que a Senhora achava que ia ter algum tipo de margem de manobra ou desconto por ser "a Sogra". Pois que não. Quando muito consegue uns berros estrategicamente mais bem localizados nos tímpanos e frases simpáticas como "DEVE ACHAR QUE ESTÁ NO INATEL, NÃO, SOGRA?" Mas ela é rata, e não se deixa atemorizar. Aliás, soube por fonte segura que está a pensar que comida lhe fará no próximo almoço, que o ponha a correr para a casa de banho de 5 em 5 minutos, ou tantas vezes quantas ele a mandou encher na última aula de 3B. 

Estou a adorar este combate, porque, bem ou mal, enquanto ele arreia na minha Mãe não está a arrear em mim e eu vou andando sossegadita da minha vida. Mais flácida, mas sossegada.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Mas afinal porquê a atração das mulheres pelas fardas?!

Não consigo entender, devo confessar. Até porque não há nenhuma farda que me pareça particularmente atraente, exceção feita, pelos motivos óbvios, à farda de PT de ginásio (*faz um sorriso maroto e arrefinfa uma palmadona no rabo do marido, aleija a mão no processo e ainda tem de ouvir "sentiste a firmeza desse glúteo?"*).

Posto isto, não consigo descortinar nenhum sex appeal numa farda de bombeiro (e vou escusar-me à piadola esperada da mangueira e tal e coiso), à de polícia (piadola expectável do cacetete) ou de militar (se bem que estes em tronco nu ocasionalmente até me façam ter vontade de aprender a língua uga-buga com que comunicam). 

Proponho, assim, num exercício de subversão, que nos juntemos todas e consideremos admirar fardas alternativas que, quiçá, possam trazer alegria e outros sentimentos eufóricos à nossa vidinha de donas de casa entediadas (Fala por ti oh parvalhona! Pronto, está bem, não se enervem!) Disclaimer: as criaturas dentro das fardas terão sempre corpos de Adónis, que se é para pormos a imaginação a trabalhar, que seja em bom:
- farda de pasteleiro: calça branca borderline transparente, tronco nu cheio de farinha (este para mim ganhava, mas era mais por causa das bolas de Berlim que perspetivava traçar);
- farda de jardineiro: calça verde tropa, tronco nu cheio de relva;
- farda de vizinho: calças de ganga rotas, tronco nu com o pormenor de possuir algumas peças de roupa interior dele penduradas nos ombros para estender na corda;
- farda de informático: calças tipo chino, tronco nu e uma enorme vontade de nos afagar a placa gráfica ou recorrer ao velho truque do "sai e volta a entrar";
- farda de revisor oficial de contas: calças de fato, tronco nu e mãos cheias de notas de crédito em nosso nome;
- farda de seminarista que vai largar tudo para fugir connosco para Cabo Verde: calças, tronco nu só com aquela cena branca tipo coleira ao pescoço;
- pessoas, eu podia estar aqui o dia todo, mas tenho cenas marcadas. No entanto, acho que o algoritmo já está entendido, não? 

Sintam-se à vontade para acrescentar fardas alternativas. Menos a de deputado/político/funcionário de uma autarquia, que não há músculos nem fantasias kinky que compensem o turn-off que é esta profissão, Deusmalivre.

Agora vou ter de explicar ao marido por que tenho as seguintes buscas
no histórico: "sexy priests", "sexy men doing the laundry", etc...

terça-feira, 7 de abril de 2015

Mãe sofre #63

(Gui, o Máinovo, 3 anos)
- Mamã, o meu amigo Xavier não foi à escola porque ficou doente.
- Ficou em casa?
- Não, já te disse!! Ficou doente!

Linda por fora, podre por dentro

OK, a moça de que vou falar não é propriamente linda por fora, é normalzinha, coitada, mas digamos que por dentro é uma pequena pipeline de gás natural. Um gasoduto prestes a explodir ao mínimo contacto com a atmosfera quasi-rarefeita do WC do trabalho. Esta minha colega motorizada, para quem ainda não percebeu e me vai obrigar a ser mais gráfica, como direi, larga-se que nem uma louca na casa de banho. A mulher manda uns rateres de fazer inveja a qualquer carro quitado em plena corrida na ponte Vasco da Gama às sextas à noite. 

E quem calha estar sempre por perto para apreciar o espetáculo? Esta Vossa serva. Da primeira vez, já estava dentro de um dos dois casinhotos e a Zundapp (como carinhosamente a apelido) não deve ter dado conta que o do lado estava ocupado. E a modos que nunca ouvi uma duração tão freneticamente longa, impossível de repercutir, embora eu tenha tentado depois, junto de um grupo de amigos estupefactos e enojados. E como soube eu que era ela? Fiquei à coca a fazer-lhe uma espera, pois então, que a curiosidade é mais forte.

Da segunda vez não se preocupou com quem estava e achou que pressionar ininterruptamente o autoclismo abafaria a sinfonia em si bemol. Não, fofa, não abafaria coisíssima nenhuma. E quem teve de abafar o riso fui eu, que até transpirei com o esforço.

E agora, perguntam vocês, o que temos nós a ver com isso, achas mesmo que deverias estar aqui a descrever os traques da outra? Então, mas gostava de saber se sou só eu que acho esquisito uma pessoa soltar um pum com a duração de 36 segundos. Podeis esclarecer-me? Assim se não tiverem nada de mais importante para fazer (trabalhar não vale).

Agradecida.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

As amplitudes térmicas são a prova que Deus não existe

Olhó-tema-fraturanteeee-fresquinhooooo!!!!!

Quem nunca se questionou sobre a existência de um ser superior, um ente divino omnisciente, omnipotente, omnipresente e outras tantas palavras a acabar no sufixo -ente? Quem nunca deu por si a tentar conseguir descortinar as manifestações da divindade em pequenas coisas como o sol a nascer, o riso de uma criança ou uma peça de sushi magnificamente bem enrolada? Mas mais do que isso, quem nunca deu por si a pensar "Se Deus existisse mesmo, tal e tal nunca teria acontecido!"? Estou a falar de injustiças gritantes como greves de transportes públicos, esgotamentos de stock de Coca-Cola Zero no Pingo Doce ou, como está neste preciso momento a acontecer, o flagelo que são as amplitudes térmicas absolutamente estúpidas. Sim, é este o termo técnico utilizado pelos meteorologistas: "amplitudes térmicas absolutamente estúpidas". Ora estávamos ontem enfardando amêndoas com 28 graus nos queixos, ora nos arrefinfam hoje com menos 10 graus e chuva (e trovoada, que já a ouvi!), numa bipolaridade climatérica de enranhosar o mais rijo sistema imunitário. E uma pessoa corre para ir buscar a roupa fresca e as sandálias, ai afinal não que vai chover outra vez, saca das galochas, ai espera aí que está outra vez um calor do camandro depila tudo, ai porra que afinal o pelame agora até dava jeito que aquecia as partes mais a sul, que estão a criar estalagmites, e AAAARGGGHHHH epá, decidam-se catano! 

Daqui se conclui que Deus não existe (ou se existe, é um sádico do cacete, a rir-se lá de cima a carregar em botõezinhos). Nenhum Deus normal mandava um tempo destes, que perturba uma 'ssoa. Já não se aguenta os narizes dos putos sempre a pingar e as tosses e tira pijama polar e bota lençóis fresquinhos, espera volta tudo novamente e se fossem brincar com as pilinhas hein? Não, pois não, não conseguem, não sabem se as hão de pôr de fora se as tapar, né? Olha, bem feita.

Damn right!

sábado, 4 de abril de 2015

Mãe sofre #62

- Mãe, o que é que eu faço com este autocolante?

Tiro-lho da mão e colo-lho na testa. Logo de seguida, puxo-o e posso ter arrancado um cabelo ou dois. O miúdo ri-se e grita:

- Fócking! Fócking my bitch!!!!!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Conversas parvas comócatano #21 Especial Páscoa

Conversa entre esta Vossa Serva (VS), respetivo compadre (C) e o colega inglês (B, de Bife), na Quinta-feira Santa:

B - FELIZ PÁSCOA!!
C - Não se diz Feliz Páscoa, mas Páscoa Feliz. Ao contrário do Natal, que é Feliz Natal, e não Natal Feliz.
VS - Ou boa Páscoa, também serve.
B - É muito confuso. E não devia ser feliz porque o Jesus morreu. E foi quando?
VS - Eeeerrrrr... Na quarta? Ontem? Quarta-feira de Cinzas, é isso?
B - Cinzas? Mas cremaram o Jesus?
C - Não pá, então não sabes que ele ressuscitou?
B - Quando? Na sexta?
C - Então, morreu no Carnaval e ressuscitou umas semanas depois. Numa gruta ou lá o que é.
VS - Eeeerrrr... 
C - É sim, o gajo ressuscitou, e até falou com várias pessoas.
B - Até havia um jardineiro que o viu, não foi?
VS - Eeeerrrr...
B - Cranky.

(Sim, andei na Catequese. Sim, tenho de rever a matéria. Mas há quem esteja pior, como se comprova pelo diálogo insano supra com dois heréticos e uma católica esquecida.)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sobre as pessoas sérias

Almoço de trabalho. Gente séria. 
Ouve-se:
- Descobri uns factos interessantes sobre o desenvolvimento da orla costeira acima de Aveiro.

Não consegui prestar mais atenção. Deve ser por isso que nunca serei uma pessoa séria.