segunda-feira, 20 de abril de 2015

Das reuniões de pais

É um exercício antropológico de análise comportamental proceder à comparação de uma reunião de pais de crianças de 9 anos e de 4 anos. Na primeira, aborda-se de forma séria questões práticas de testes, fichas de leitura e comportamento, havendo sempre o ocasional pai, digamos, palhaço, que tenta monopolizar o tempo para i) impor as suas ideias pedagógicas; ii) discordar dos métodos da professora e impor as suas ideias pedagógicas; iii) aproveitar para oferecer cupões de desconto na livraria onde trabalha ao mesmo tempo que impõe as suas ideias pedagógicas; iv) tentar impingir vender, sempre em nome da arte e das suas ideias pedagógicas, os quadros que pinta no seu ateliê. 

Tem tudo muita piada, mas não chega aos calcanhares de uma reunião de pais de crianças de 4 anos. Aqui, passa-se para todo um outro nível: a avaliação de conhecimentos está em sintonia direta com o controlo dos esfíncteres e as palavras cocó e xixi surgem à razão de uma vez por frase. Aqui não se discutem parâmetros de avaliação, esmiuçam-se fluídos corporais. Há uma ânsia em tentar demonstrar que a própria cria está muito mais desenvolvida, nomeadamente pelo facto de conseguir comer a sopa sem a vomitar na cabeça do amigo do lado ou na sua própria franja. Reza a lenda que há pais a discutir a impossibilidade de limpeza de próprio rabo devido ao (curto) comprimento dos braços e, por conseguinte, a obrigatoriedade de os putos irem à segunda chamada desta prova ou mesmo à oral.

Com o Máinovo é fácil perceber em que nível este se situa: o termo técnico é "nível da badalhoquice". Este consiste basicamente em andar sempre com selo nas cuecas, a cheirar a lar de terceira idade na área central da roupa, joelhos esfolados, roupa estrategicamente rompida e tendencialmente a malhar em quem ouse passar-lhe à frente na fila para o escorrega. Marcas de dentadas são uma constante, deles nele e dele neles. À parte disso, "é uma criança simpática e meiga" e, pasme-se, "conciliador", que "demonstra já algum poder de argumentação" e "é um conversador nato" (I wonder...)

Feliz, portanto. Tenho um filho cagado, mas feliz. E é isso que neste momento me interessa. E que conte até 20, vá. E que, de caminho, deixe de dizer "dejajoito" (18, what else?!).

Parece um pequeno homem,
mas não nos deixemos enganar.

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