domingo, 3 de maio de 2015

"Vou fazer uma surpresa à mãe"

Pus o alarme no meu iPod para acordar às 10, para lhe fazer o pequeno almoço. Entretanto adormeci, sorte a minha, porque ela anda cheia de sono e ainda era capaz de me arrear. Enfiei-me entre os espaços das escadas para ela não me ouvir a abrir a cancela de segurança e percebi que já não tenho 3 anos e por pouco não fiquei entalado. Ora bem, ela disse-me que o seu pequeno almoço favorito eram torradas com galão. As torradas sei fazer, já a máquina do café, não faço ideia como funciona. Catano. Bom, vou cortar pão para as torradas. Ups, muito grosso, não cabe na torradeira. Vou cortar a meio. Ups, desfez-se tudo. Vou começar de novo. Bolas, aí vem ela com o minorca. Fui apanhado. Mas se calhar é melhor pedir ajuda. Vou dar-lhe as prendas que trouxe, pode ser que não perceba a porcaria que fiz com o pão. Olha, ficou com lágrimas nos olhos com o texto. E agora está a rir-se, não percebo os adultos. Ui, que acabou de ver o chiqueiro do pão no chão, mas entretanto o mano também está a dar-lhe coisas e ela já se esqueceu do que fiz. O mano ofereceu-lhe uma porcaria feita com uma caixa de ovos, mas ela adorou aquilo. Deve ser porque tem uma foto dele e ele disse-lhe que estava a segurar num "culachão". Ela fica toda derretida por ele não saber falar em condições. Mas ele não lhe fez um diploma de melhor mãe nem disse que ela era uma boa bailarina de kizomba. Entretanto, já que não lhe fiz o galão, ajudo-a com o mano e levo-o a fazer xixi (mas a minha pontaria não é assim tão melhor que a dele e não tarda quando ela precisar de ir ao WC vai constatar isso mesmo). Tentamos não gritar muito porque hoje é dia de o pai dormir até mais tarde. Ontem e anteontem foi a mãe, que parece uma ursa a hibernar. Deixo-a a ler uma revista e a comer: as torradas que eu fiz e o galão que ela fez, no tabuleiro de cortiça que eu construí na escola. Vou brincar com o mano para a sala. Fazemos um cagaçal tão grande a brincar à porrada que passado uns minutos ela já está com os nervos em franja e aos berros. Feliz Dia da Mãe!




P.S. Não, não foi o Máivelho que escreveu isto.

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