terça-feira, 30 de junho de 2015

Dos banhos

O banho é um momento fofinho e carinhoso, de partilha, de comunhão. Isto numa casa normal. Na minha casa, que já se percebeu é disfuncional, é um momento de caos, tsunamis e amonas.

Primeiro, porque são dois selvagens dentro da banheira. Depois, porque se inicialmente os gajos vão tipo "burro carregado de porrada", hiper-contrariados, mal se apanham dentro de água é o cabo dos trabalhos para de lá os arrancar. Em suma: choram para entrar, choram para sair.

O último banho que lhes dei (prefiro mil vezes que seja o pai a tratar deste assunto, porque dar banho de joelhos é coisa que me aleija) foi particularmente atribulado, uma vez que o Máinovo, que gosta sempre de fazer o seu xixi num bacio antes, resolveu subir para num degrau e fazê-lo para as costas do irmão, que já estava dentro da banheira a lavar-se. O outro - felizmente - nem deu conta e continuou alegremente a esfregar-se. O pequenito, não contente, jogou também o bacio para dentro da banheira e tentou jogar-se a ele próprio logo de seguida. Já o apanhei em vôo e foi a sorte dele, porque o irmão já estava com o chuveiro em riste para lhe arrear uma traulitada na tola por se ter apercebido do que tinha acontecido. 

Estou mortinha que sejam ambos auto-suficientes em sede de banho, que os meus nervos não aguentam tanta agitação.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma certa casta de automobilistas

Debruçar-me-ei hoje (em sentido figurativo, porque Deusmalivre que me debruce fisicamente sobre esta gente) sobre uma determinada casta de automobilistas com que, estou certa, também os mui estimados leitores se cruzam numa base diária: refiro-me aos carinhosamente designados por "anda lá, atravessa lá a passadeira, mas isso rápido, tens exatamente 5 segundos, depois dos quais te passo a ferro sem pudor"

Pois bem, tenho para mim (como eu adoro esta expressão, embora a ache imbecil e sem sentido) que esta malta sofre de uma patologia grave: quando eram miúdos os paizinhos ofereceram-lhes um kart pelo Natal e só podiam andar no corredor entre a sala e a cozinha, ou assim. Só pode. E eu bem sei também que há velhos pessoas que testam a paciência de um santo e demoram tanto tempo a atravessar que daria na boa para a malta sair do carro, fazer um xixizinho, limpar e voltar. E ainda esperava. 

Acontece que a duração de atravessamento bonecal é normalzinha, não procrastino, não hesito, ainda que às vezes envergue uns saltos que me abrandem ligeiramente a velocidade. Por isso, é com um misto de irritação meets raiva meets estupefação que, ainda eu vou a meio da passadeira e já oiço o acelerador nervoso do javali que vai ao volante, percebo-lhe o nervoso miudinho e, 2 segundos depois, o oiço arrancar com os pneus a chiar, vociferando e fazendo o ar deslocar-se em perigosa ameaça a quem vá de saia fluída e calhe a ter o rabo saliente. 

Como combater este flagelo? Tenho várias ideias, mas todas envolvem carregar uma catana, e nem sempre o tamanho da mala o permite. Assim sendo, proponho que, mal oiçamos a aceleração que antecede o arranque com chiadeira, nos sentemos no chão num género de medição de forças a ver quem ganha. 80% de certeza que eles não terão coragem de nos abalroar. 

Experimentem lá e depois contem-me como correu. Depois experimento eu, prometo. 

domingo, 28 de junho de 2015

Mãe sofre #72

À noite, antes de dormir:
- Vá, deita-te, que depois de eu te pôr o creme nos olhos não os podes abrir mais.
- NUNCA MAIS??!!!!!!

sábado, 27 de junho de 2015

Pensamento de fim de semana #86

O pânico com que eu entro, a tatear, numa divisão escura da minha casa é diretamente proporcional à quantidade de horas que os meus filhos lá estiveram a brincar.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eu, vinho, o Lidl e um cão

O que é que todas estas variáveis têm em comum? É ler a crónica desta semana na NiT, aqui. Pista: soltaram-me numa prova de vinhos e comportei-me como uma leide. Por falar nisso, ide ali ao link acima e leide o texto.

Tenho a mania que sou boa, mas sou mas é uma boa m#rda

Um dos meus grandes dramas (e, espero, de mais mulheres por esse mundo afora) é saber como lidar com os piropos mais hard core. Tenho bem presente que o princípio de base - porque no caso estamos a lidar com gente imprevisível e, vá, estúpida - é não ligar, mas com este meu feitio, sabe Deus que a maior parte das vezes é impossível ficar calada, não tanto para mandar vir, mas sobretudo porque gosto de dar troco a gente que acha que pode dizer o que lhe apetece sem consequência. 

Acontece que a malta nunca sabe a categoria do grunho, se é mansinho, espertalhão ou mesmo passivo-agressivo. No entanto, após anos de pesquisa antropológica, cheguei à conclusão que qualquer resposta que se dê desencadeia um mecanismo de reação contrária que faz com que, miraculosamente, o nosso sex appeal se transforme: começamos sempre por ser atraentes aos olhos do javali, mas se revidamos deixamos de o ser. 

Compilei uma série de situações ilustrativas, para vosso benefício. Só não posso jurar que não se passaram comigo... (emoticon a piscar o olho)


Situação 1:
- OH BOA, SÓ NÃO TENHO PÊLOS NOS DENTES PORQUE TU NÃO DEIXAS!
- (Silêncio)
- HEI??! PSHIU??! TÁS A OUVIR, OH?!
- (Silêncio)
- Tás armada em fina é? Deves ter a mania que és boa! És mas é uma boa m#rda.

Situação 2:
- OH ESTRELA, QUERES COMETA?
- E se o metesses aí no teu amigo?!
- Olham'esta piiii, anda cá que eu meto-te o piiiiiii mais a tua mãe e a tua prima e aviava a família toda. Deves ter a mania que és boa! És mas é uma boa m#rda.

Situação 3:
- OH GOSTOSA, CONTIGO ERA ATÉ ACHAR PETRÓLEO!
- Devias achar grande coisa tu, está mas é calado, que devias era ter vergonha de abrir essa boca nojenta.
- Anda cá, que eu mostro-te! Queres que eu mostre é? Deves ter a mania que és boa! És mas é uma boa m#rda.

Situação 4:
- OH BOA, VAIS A COMER UM GELADINHO É? CHUPA MAS É AQUI!
- Antes morrer uma morte agonizante.
- HÃ?!
- Nem que fosses o último homem na Terra.
Tás armada em fina é? Deves ter a mania que és boa! És mas é uma boa m#rda.

Situação 5 (lembram-se?):
- O QUE EU DAVA PARA CHAFURDAR NESSAS MAMINHAS...
- E se fosses chafurdar nas da tua mãe?
- Na minha mãe?! Respeitinho com a minha mãe, oh, porca de m#rda, lava mas é a boca para falares da minha mãe! Deves ter a mania que és boa! És mas é uma boa m#rda.


E assim sucessivamente... 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

E o que tens por aí no telemóvel, Boneca? #13

Porrada, mas de cor de rosa.

Dress code no trabalho.
O Máinovo e a minha nora ;)
Máinovo acompanha a atualidade.
Máinovo, o explorador sanitário.
Máinovo, o abarbatador de guarda-chuvas alheios.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Algumas frases potencialmente embaraçosas com que as crianças nos brindam em público

E com cara de santinhos. Estas criaturinhas do demo, sementes de Satanás, têm o condão de nos envergonhar nas mais diversas situações e fazem-no com a maior inocência e desfaçatez. E sem um pingo de remorso, pois repetem-no à primeira oportunidade.

Convém ter em conta que as frases da lista abaixo são sempre gritadas, o que aumenta exponencialmente o seu potencial de embaraço. E proferidas apenas quando há uma putativa audiência de mais de 4 pessoas.

- A minha pila está grandeeee!!!! Olhaaaa!!
- Di um pum! (di=dei; contexto: onde quer que seja);
- Mãe, cheiras mesmo mal (no dia, tinha bebido ginjinha, mas poderia bem ser um perfume que não lhe agradasse, ou algo igualmente inócuo);
- Por favor não me dês outra vez banho de água fria (quando faz xixi nas cuecas lavo-o no bidé com água fria, sim, chamem a Segurança Social);
- O cocó já saiu do meu rabo (que é como quem diz, já acabei, venham cá limpar);
- Por favor não me feches outra vez na casa de banho (castigo, para pensar na vida depois de ter pintado o sofá);
- Mãe, dá-me aqui um beijo na pila! (Esta foi no meio do supermercado. Contexto: ele pede beijinhos nos sítios onde se magoa...)
- Não me obrigues a comer o que vomitar (juro que nunca concretizei esta ameaça)
- Deixa ver as tuas maminhas;
- A mãe agora não pode vir à porta, está a lavar o rabo.
- Mãe, olha aquelas tuas coisas do pipi (junto aos produtos de higiene no supermercado).



Lista em atualização

terça-feira, 23 de junho de 2015

Vão-me apanhar ali ao Tejo hoje, sim?

Imaginem uma pessoa até bastante bem resolvida. Imaginem que essa pessoa não tem complexos de maior, a não ser uma certa, digamos, autoconsciência de que, tivesse ela sido brindada com um maior volume mamário, seria mais feliz. Imaginemos agora que essa pessoa passa por umas obras. Ora, os nativos dessa zona são, como é comummente sabido, conhecidos por serem particularmente contundentes na análise anatómica e fisionómica feminina, não sendo, no entanto, criteriosos, distribuindo as suas recensões críticas de forma relativamente generosa e abnegada, a todas as fêmeas sem exceção. 

Imaginemos que os próprios trolhas ao enumerarem a panóplia de atividades que perpetrariam para com essa pessoa em sede de javardeira calham a incluir no pacote de diversão as "mamINHAS" da dita. Referidas assim, no diminutivo.

Pois.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sarcasmo, ironia, escárnio e outras cenas bué fixes

Porque é uma figura de estilo incompreendida, a meu ver erroneamente tida como arrogante, venho por este meio fazer a apologia do sarcasmo e, ao mesmo tempo, queixar-me por não o conseguir praticar condignamente junto dos meus filhos. 

O sarcasmo exige algum requinte, senão configurará apenas parvoíce. Posto isto, admito que as crianças não serão o melhor público-alvo, mas quando passamos muito tempo com eles e sentimos aquela necessidade premente de exercer um sarcasmozinho, não havendo mais ninguém por perto têm mesmo de servir. 

Ora, com um pirralho de 4 anos é impossível perpetrar sarcasmo de qualidade. Assim sendo, na seguinte situação:
- Onde ponho estas cuecas sujas?
- Se calhar é na minha cabeça.

... é bom que eu fuja mal acabe a frase, porque a criaturinha virá direita a mim para, obviamente, me enfiar aquilo tola abaixo.

Por outro lado, com um miúdo de 9 anos já se pode fazer umas brincadeiras supimpas, testando a sua perspicácia, em paralelo com os limites da sua paciência. Há inclusive jogos giros para adultos, tentando adivinhar quantas frases sarcásticas conseguimos proferir até pôr o puto a chorar. Hipoteticamente falando, claro, que eu nunca seria capaz de levar a cabo semelhante distração num domingo à noite quando não há kizomba no B.leza e me estou a sentir entediada.

- Posso comer quantas bolachas?
- O pacote inteiro. De caminho come todos os chocolates que houver no armário, sim?
- ... Jura?!
- Com certeza! Se precisares que tos dê à boca, chama, porque eu estou cá para te servir.
- Oh mãe, fala lá a sério!
- Estou a falar a sério, experimenta acompanhar com um copo de ginjinha que até dormes melhor.
- Estás a ser irónica, não estás?

E é nesta fase que percebo que assim também não tem grande piada, porque é bom sarcasmo desaproveitado, o miúdo esmiuça o meu comportamento e aproveita para testar o recém-obtido conhecimento das figuras de estilo da língua portuguesa. 

Assim sendo, continuarei a fazer uso destes recursos literários contra terceiros, o que me vale a fama de mau-feitio, arrogante e tal, da qual muito me orgulho, mas que envergonha Mãezinha que gostaria de ter parido um ser fofinho e amoroso. Saiu-lhe isto. Mais o palerma do meu irmão. E isto não é sarcasmo, é mesmo verdade.


Depois penso que preciso de
fisioterapia, só que não.

sábado, 20 de junho de 2015

Pensamento de fim de semana #85

Percebes que não bates bem da bola quando passas a beber exclusivamente um lote de Nespresso porque a cápsula tem uma cor "muita gira", que até combina com uma pulseira e uns sapatos teus.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Eu, hipocondríaca, me confesso

A minha crónica desta semana na NiT narra a dificuldade que tenho em conter os meus ímpetos consumistas numa farmácia, esse antro pleno de cenas boas e apetecíveis. Tudo explicadinho com todo o carinho aquizinho.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Festa de final de ano

Pois que lá se passou, no último sábado, a festa de final de ano da escola de filhos bonecais, em que uma pitosga como eu corre o risco de olhar para putos que não são seus, por não ficar sentada na primeira fila de um anfiteatro tendencialmente às escuras. Talvez por isso o tema anual tenha sido A Luz, a ver se eu conseguia enxergar os meus filhos ao longe. Consegui, pois botaram uns suspensórios com luz no Máivelho e um polvo com lâmpadas nos tentáculos na tola do Máinovo. Ainda assim, os meus pais (que junto com os outros convidados foram desterrados para o balcão, bem mais para cima) estiveram a atuação toda do Máinovo a olhar para um desgraçado que chorou do início ao fim e cheios de pena do neto, coitadinho. Só que o neto por acaso estava duas filas atrás, a dançar e a berrar que nem um louco a Canção do Mar da Dulce Pontes. Valha-me Deus, que já não aguentava as últimas semanas de ensaios em casa. Ainda assim, consigo lembrar-me de duas ou três canções vencedoras de Festivais Eurovisão bem piores, mas nunca se sabe do que aquela malta se lembra para o ano. Só sei que o gajo deu um polvo bem giro, meu rico filho, que se voltas a cantar Dulce Pontes te encho de azeite, cubro-te de batatas, enfio-te uma azeitona no rabo e jogo contigo no forno a 220 graus.

O pior foi mesmo a parte puxada ao sentimento de entrega dos diplomas dos finalistas do Primeiro Ciclo, contextualizada por uma música de ir às lágrimas, acompanhada por fotografias deles durante o ano. Pronto, abriu-se-me a torneira (fui apanhar lágrimas, rímel e ranho ao queixo) e não mais parou até me terem enfiado uns rolos de sushi goela abaixo à hora de almoço. Valeu-me que houve mais ranhosas e não destoei. É como eu digo, os filhos põem-nos tã-tãs, parvinhas (não, não havia homens a fazer figuras tristes), capazes de bater palmas e curtir ver os nossos rapazes de suspensórios luminosos a dançar Deolinda e achar cutxi-cutxi caranguejos, pirilampos e outras criaturas a bambolearem-se ao som da Xana Toc-Toc.

Felizmente para o ano não estará nenhum dos meus na berlinda e comportar-me-ei condignamente. Ou não, suponhamos que me põem as crianças a cantar o Amor de Água Fresca: seguramente não conseguirei conter o choro.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A caminho do 2º Ciclo

Aí vai ele. Portou-se muitíssimo bem nos Exames Nacionais, teve belas notas, agora é brincar, brincar, ir à praia e descansar. E pelo meio, alguns trabalhos de férias, que esta malta tem memória de peixe e se não nos pomos a pau chega a setembro e já nem da tabuada se lembra.

Não me sinto mãe de um matulão do 2º Ciclo, talvez porque me lembre bem dessa fase da minha vida e de achar que já sabia tudo, que podia fanar as moedas de 25 escudos do pote da minha mãe para comprar caramelos aos velhos que tinham umas bancas à porta da escola, que podia jogar ao bate-pé atrás do pavilhão (nunca faturei, era um trambolho, bem, ainda sou, mas estou a fugir ao tema), que já tinha direito a responder torto, etc. etc. Mas o que é certo é que ia sozinha a pé para a escola, que ficava a uns 10/15 minutos da minha casa. Hoje em dia, é impensável deixar o miúdo fazer o mesmo, ainda que a escola até esteja mais perto. E, caramba, só na semana passada é que ele deixou de precisar do assento elevatório no carro (que conquista para ele!).

Não me sinto mãe de um matulão com 9-vai-para-10 anos (para ele 9-vai-para-12-aos-12-já-posso-ir-de-bicicleta-sozinho-ao-pão?), o pseudo-pré-adolescente que já não gosta assim tanto de beijos repenicados e menos ainda de manifestações públicas de mimo. E que, tivesse eu cedido às súplicas, já teria Facebook (não, não e não!)

Só me sinto mesmo mãe de um matulão quando o comparo com
o irmão mais novo e me apercebo que até já este, com 4 anos, é muito senhor do seu nariz (embora um mariquinhas chorão de primeira água), que já quer tomar banho sozinho, embora o comprimento de braços ainda não lhe permita alcançar o próprio rabo, mas que ainda adora muitos beijos e amassos, a qualquer hora do dia.

Posto isto, tenho mesmo de me convencer que tenho 3-homens-três em casa e resignar-me ao esquecimento do cor de rosa, das lantejoulas e dos brilhantes com os quais sempre achei que gostaria de conviver. Resignar-me aos joelhos esfolados, à roupa imunda, aos traques venenosos, à porrada e gritos a toda a hora e ao tiro ao alvo à minha bijuteria. Não obstante, e apesar dos queixumes, não trocava isto por nada neste mundo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Expressões que nunca vou compreender (mesmo que já mas tenham tentado explicar)

(lista em atualização: sintam-se à vontade para contribuir)

- Estar com a prima
- O (preencher com equipa à escolha) ignorou o meio campo do (idem)
- Vai na volta
- Isto é assim (no início de uma frase)
- Ele há coisas que
- Olá! Estás boa ou não queres dizer?
- Bom dia, era um café. / Era ou é?
- Bom dia, queria um café. / Queria, já não quer?
- Tás aqui tás ali
- Cagari cagaró (cuzinho da tua avó)
- Deves pensar que como gelados com a testa
- Zona mista homem a homem
- Bons olhos te vejam
- Ele que vá mas é ter filhos pela barriga das pernas (esta é especial da Mãezinha)
- Desatar a correr
- Os anjos não têm costas (onde estão presas as asas então?)
- Lançamento em profundidade para o corredor esquerdo
- Então vá

E é este tipo de coisas que me aflige pela manhã. Podia ser pior, podia estar aqui a chorar...

... com o último episódio de ontem...

... da Guerra dos Tronos...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Há mais gente que atrai maluquinhos

Quem atraiu o maluquinho de que se fala hoje foi a minha amiga yAna. E não, não é o nome dela, mas é assim que a malta lhe chama e ela até gosta. E pensando bem, se a yAna atrai maluquinhos e eu ando com ela, também a atraio e então acabei por ser eu a atrair. Faz todo o sentido. Menos a parte de eu atrair a yAna, que isso já só me parece blhéque. Com todo o respeito, que ela até é uma rapariga lavadinha.

Isto passou-se um destes dias, em que ela estava a arrumar o carro e é ajudada por um carocho puto com não mais de 10 anos de idade (ela a contar-me isto e eu só pensava no meu rico filho nesta vida, deusmalivre). A moça sai do carro, já contrariada a antecipar ter de dar um ou dois euros ao chavalo, ao que ele revida:

"Não é preciso dar-me dinheiro, eu só estou a fazer isto pelo gozo!"

WTF??! PELO GOZO?! Havia de ser meu filho, a arrumar carros pelo gozo, arreava-lhe com cada nalgada que até andava de lado. É que o punha a esfregar o chão da casa de banho com as sobrancelhas! E se mesmo assim estivesse aborrecidinho e sem soluções haveria sempre a atividade educativa e zen de chupar um prego até este se transformar num pionés. Que tal?


QUERES ARRUMAR O QUÊ?!

sábado, 13 de junho de 2015

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As noivas de S. Francisco de Alcochete

Para se ser noiva de S. Francisco de Alcochete é preciso preencher os seguintes requisitos: i) fazer parte da comissão organizadora de arraiais que envolvam largadas, entremeadas e bejecas até às 4 da matina e achar que isso é bué fixe; ii) ter menos de 30 dentes na boca (pontos extra se a ausência dentária for à frente), buço bem preto e unhas de gel com o símbolo da junta de freguesia; iii) torcer pelos Benjamins C do Alcochetense aos sábados de manhã, munida de buzina ensurdecedora, leggings justas (daquelas que permitem a cartografia à área pipizal) e impropério pronto a sair na direção do árbitro; iv) dizer "Montije", "Modele" e "Fripóre"; v) estar disposta a casar com um forcado rabejador com problemas de gases (por já ter levado uma cornada - ou várias - no bufunfo). 

Os casamentos de S. Francisco de Alcochete têm lugar no meio da praça de touros e os noivos envergam barretes verdes e cajado, o qual serve, não raramente, para arrear traulitadas nos colegas, regra geral devido a rivalidades antigas por discrepâncias de ganadaria. O próprio padre é aficionado e faz saber que se não houver silêncio na cerimónia fará a sua magia com as bandarilhas. É que aquilo é malta barulhenta e hiperativa, não como os de Santo António, que ao pé destes são uns meninos de coro.

Esta é uma festa pitoresca e tão digna como as outras lá de Lisboa, não entendendo eu, por isso, por que razão não é igualmente transmitida em direto. Discriminação geográfica é o que é. Só dizem que isto é Grande Lisboa quando é para virem às promoções no Fripóre, seus velhacos.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

À guerra!

Trago-vos desta vez na NiT um guia prático para quem quer atacar em raide lojas com vários pisos e secções. Um manancial de táticas militares para enfeiranços bem-sucedidos com método, astúcia e, acima de tudo, planeamento estratégico. Ide aqui. E não precisam de agradecer, voltem sempre que eu estou cá é para vos servir. Para isso e para enfardar cerejas.

Se virem alguém assim no Corte Inglês, digam-me
olá, não se acanhem!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sai à sua Mãe na Matemática

- Mamã, sabes que vou fazer 5 anos?
- Mas ainda agora fizeste 4, no dia dezassete de abril!
- Pois, e agora vou fazer 5, no dia "dezazoito"* de abril!



* soou a algo como "dejajoito"

terça-feira, 9 de junho de 2015

Não te encostes a mim!

Eu, com este feitio e esquisitice, deveria viver dentro de uma redoma, com luvas e máscara cirúrgicas, e não neste mundo normal, onde existe esse flagelo de seu nome transportes públicos, com criaturas de hábitos chatos, como respirar. 

Eu, esquisitinha, me assumo. Já fui bem pior, agora quase me consigo abstrair do facto de 800 pessoas já se terem agarrado ao varão do metro e até lá me seguro ocasionalmente, já não salto tipo mola quando sinto o assento quente (blagh) e não hiperventilo em hora de ponta, quando me sinto uma ova de conserva (coisa que bastante aprecio, sobretudo de sardinha ou cavala). 

Eu, não obstante, continuo a fugir a sete pés de pessoas autocolantes (expressão da autoria da minha amiga Sofe), aquelas que não sabem manter uma distância em que não lhes consigamos cheirar o refogado do almoço, a obturação do dente já a saltar ou o sovaco. Aquelas que, por mais que fujamos, acabam sempre grudadas a nós, em estrito cumprimento da Lei de Murphy segundo a qual só se encosta a nós quem cheira a bedum.
  
Eu, pessoa nojentinha, gostaria de lançar o repto aos deputados para que levem à aprovação do Parlamento legislação no sentido de se proibir as pessoas altas de se agarrarem com os braços levantados nos transportes, por conseguinte criando ali uma espécie de cantinho com efeito de estufa onde nós, os pigmeus, somos forçados a encaixar-nos e temos obrigatoriamente de respirar. Apelo às mais altas instâncias para que, a bem da solidez do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente ao nível das consultas de otorrinolaringologia, revejam o protocolo dos transportes públicos e invistam em detetores de odor nas estações, que apitem desalmadamente à passagem de pessoas fedorentas. É que com o aumento das temperaturas chego a passar mal com o fedor a nata azeda. E não é daquela boa que a malta consome na Alemanha com Cremetörtchen. Assim tipo Sahnehäubchen. Ou Schmetten. Ou Volskwagen Telefunken Merkel.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Mãe sofre #71

Depois de mais uma briga interminável entre irmãos, Máinovo aparece muito choroso ao pé de mim e diz-me:

- Mamã, o mano bateu-me!
- Onde? 
(Começa a olhar para si, nitidamente tentando encontrar o local mais grave do corpo, para se vitimizar convenientemente)
- Aqui, em todo o lado. 
- O que queres? Miminho?
- Posso voltar a entrar na tua barriga?
- Oh querido, agora já não cabes.
- Cabo, cabo - diz, enquanto me levanta a blusa - vês, tem espaço!

(Contactos de bons cirurgiões, anyone?)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Viagem de finalistas ou de como me estou a transformar em Mãezinha

E lá foi o rapaz, depois de uma semana a sofrer por achar que eu não o retirava do castigo que lhe impusemos por ter abusado do iPad e afins e que não iria mesmo à excursão de "finalistas" (eu sei, eu sei, só tem 9 anos, mas são modernices...). Doeu-me mais do que a ele, mas tive mesmo de o deixar marinar bem nas consequências dos seus atos. Mas adiante.

Foi dia de o deixar, pela primeira vez, fazer uma viagem que o vai tirar de casa 3 dias e 2 noites. A excitação foi tanta que pela primeira vez acordou sozinho e despachou-se, e ao irmão, pequenos almoços incluídos. As malas eram maiores que ele, muito por culpa da almofada e saco-cama exigidos, não sei bem como as vai arrastar. Nem como depois vai conseguir compor o Tetris de roupa e sapatos arrumadinhos. Nem como vai conseguir enroscar as tampas dos frascos para não voltar sopa de gel de banho e champô no necessaire.

A conclusão a que chego de todo este exercício é que me transformei na minha mãe, aliás fiz (em plena consciência) precisamente aquilo que me fazia morrer de vergonha quando era a minha mãe a protagonista: entrei autocarro a dentro (até porque a fora seria deveras difícil) a exigir um beijinho (o gajo entrou a correr com os amigos e nunca mais se lembrou de mim). Ele teve precisamente a reação que eu tinha. "OH MÃEEEE O QUE ESTÁS AQUI A FAZER DENTRO DA CAMIONETA PÁ?!" Enfim, quero cá saber, é a minha cria primogénita. Lá foi ele, meu rico filho.

Ah, e já que estamos numa de confissões, sim, eu sou aquela mãe que lambe o polegar para limpar alguma nheca que esteja nas fuças dos miúdos. E, sim, eles (tal como eu fazia quando a minha mãe me limpava com cuspo) também esperneiam e dizem "OPÁAAAA MÃEEEEE CANOJOOOO!!!"

De como a atualidade desportiva afeta as crianças

Máinovo ultimamente costuma acordar com a telha e não quer falar com ninguém. A minha empregada fica muito sentida porque gosta muito dele sobretudo porque ele costumava ser muito efusivo e carinhoso e agora anda armado em totó. Hoje, depois de mais uma nega quando lhe disse bom dia e ele não lhe deu resposta, diz-lhe:

- Sabes, Jesus fica muito triste com as crianças que não dizem bom dia aos adultos.

Máivelho:
- Pois, fica tão triste que até baza pro Sporting!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mãe sofre #70

(Gui, 4 anos)

- Mãe, não gosto desta comida.
...
Mãe, não gosto desta comida!
...
- Mãe, não gosto desta comida!!!!
- Olha, vou-te arranjar outra casa e outros pais e já vais poder comer outra comida, OK?
...
- O que é que o Diogo está a comer em casa dele hoje?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Carta aberta à Comissão Organizadora das Festas de Confraternização Camponesa de S. Francisco de Alcochete

Disclaimer: este post foi escrito bem a quente, exatamente às 0h57, imediatamente após uma saraivada de fogo de artifício + foguetes + música de Vangelis (o dito espetáculo "piro-musical", sendo que o prefixo piro deve ter a ver com o verbo pirar, as in "ensandecer" ou mesmo "fugir", que é o que eu queria). Desgraçado do Máivelho, que acordou em verdadeiro pânico, a perguntar de onde vinha o tiroteio.

Sem delongas, 

Caras pessoas que doravante carinhosamente designarei por "criaturas sem vida própria", ou CSVP*,

Venho por este meio manifestar o meu mais profundo repúdio pelo arraial que decidiram montar ao fundo da minha rua. CSVP, eu até sou uma vizinha da paz, exceção feita às cuecas que deixo cair em estendal alheio, a ocasional batata nas trombas do cão do vizinho de baixo quando ladra a noite toda, ou o furto das molas da roupa que caem à porta da minha garagem. CSVP, não vou voltar a repetir as queixas veiculadas neste post. Apenas quero acrescentar que tolero animação noturna com parcimónia e respeito pelo meu direito constitucionalmente consagrado ao descanso e, sobretudo, o dos meus filhos. E pela nossa sanidade mental: misturar Ivete Sangalo com Ágata com Master Jake com Delfins com a banda sonora do Fame não só perturba o cérebro de uma pessoa, como configura um atentado à lógica musical que culmina numa salganhada de sons insuportável.

Agora muito a sério, quem se lembrou de prolongar até terça umas festas que anteriormente iam de sexta a domingo em plena época de testes escolares deveria ser largado juntamente com os touros (FYI há largadas que começam às 2 e se prolongam até às 6. Da manhã!), para gáudio da população que, como eu, faz das tripas coração para manter a normalidade dentro de casa quando lá fora é a baderna.

Voltem a vir cá com o púcaro para eu contribuir para o peditório das festas, voltem, que são corridos a rajadas de Nerf. E olhem que há 3 cá em casa.

Assinado,
Uma vizinha com privação de sono 


*Ninguém me tira da cabeça que esta gente não tem mais nada que fazer nem filhos em idade escolar, porque senão já alguém tinha percebido a trampa de ideia que é a duração desta rambóia.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Há pessoas esquisitas

Confessem lá que não estavam a morrer de saudades de uma crónica mais séria, com menor grau de estupidez e imbecilidade? Pois que se faça a vossa vontade, que eu estou aqui para vos servir e para vos mentir descaradamente, com quantos dentes tenho (são para cima de 20, não tenho a certeza, há muito que não os conto). E saudadinhas da NiT? Muitas, não? Rebubilai, portanto, que voltou o site, agora renovado, restruturado e outras cenas acabadas em -ado, e diz quem percebe do assunto, totalmente responsive a dispositivos móveis. Não faço ideia do que acabei de dizer, só que soa bastante culto. E que depreendo que seja "já se consegue ler as crónicas máilindas no telemóvel sem se escangalhar o indicador para a esquerda e para a direita para se poder absorver todo o manancial de conhecimento que a moça nos proporciona".

E agora ao naco de prosa propriamente dito: todos nós temos aquele(a) amigo(a) que insiste em não experimentar a roupa nas lojas. Que depois nos faz sentir uns chatos por acharmos que é necessário experimentar tudo antes de comprar. Onde é que já se viu, comprar às cegas? Conhecem o tipo? É sobre este total desrespeito da experiência de consumo e enviesamento da viagem mágica que é comprar como se não houvesse amanhã que disserto hoje, aqui, na NiT, fresca que nem uma alface. Ide, ide e leide, Lady. Lêde. Coiso.

"Eles não te ouvem, quem te ouve sou eu, pá!"

Esta é uma frase que eu repito nos mais variadíssimos contextos, em resposta a Senhor meu Marido, enquanto este berra com pessoas que não o ouvem: (i) no trânsito; (ii) na televisão; (iii) que não existem. Ora, aquela coisa de vociferar com outros condutores todos nós fazemos, mas convém ter em mente que, quando gritamos com os vidros fechados criamos assim uma espécie de megafone dentro do veículo, capaz de rebentar os tímpanos à pessoa até então sossegadamente sentada ao nosso lado. Berrar "OH MEU GANDA PIIII É ASSIM QUE SE FAZ A ROTUNDA, PIIIII????!!!!" não só não atinge o interlocutor, como é coisinha que aleija quem está dentro do carro, que é quem leva a chapada sonora.

Os gritos com a TV (e outros meios audiovisuais) surgem na mesma senda e perturbam de igual modo, embora a situação se afigure ainda mais imbecil: estamos a tentar interagir com pessoas que sabemos estão bem longe, temos a certeza que não nos ouvem (bem ou mal no trânsito ainda podemos duvidar disto...), e que estão dentro de um aparelhómetro. Na maioria das vezes são árbitros. E apresentadores irritantes que nos convidam de 5 em 5 minutos a ligar para um determinado número para ganharmos barras de ouro. E mais uma vez quem sofre?! Quem está ao lado, e não quem nós mandamos, com todas as forças do nosso ser, introduzir as barras de ouro num sítio onde o sol não brilha. Ou a mãezinha do árbitro, que nem sequer aparece. Os cagaços e as taquicardias, esses ficam para quem está na mesma divisão da casa, ou, no caso da capacidade vocal de cônjuge bonecal, quem está no mesmo código postal (que belíssima rima saiu daqui). Há relatos de pessoas que, se o vento calha a estar de nor-noroeste, o ouviram alto e bom som na Azambuja.

A questão das pessoas imaginárias reveste-se de toda uma componente lunática e borderline "cu-cuuu", que roça, afirmemo-lo sem preconceitos, a insanidade. Quando gritamos com seres inexistentes, queixando-nos, por exemplo, do calor, ou das filas do supermercado, ou da comida que aquecemos em demasia, ou do Wi-Fi que não funciona, é esse o momento para quem está por perto dar de frosques e só voltar munido de um colete de forças e de uma maquineta para ministrar choques elétricos nas nalgas. 

Por falar nisso, só por curiosidade, onde será que se pode adquirir uma cena dessas?

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O mistério das colheres desaparecidas

Uma casa. Uma família de 4 pessoas. Um conjunto de 6 colheres de chá. Que servem para tudo menos para o chá: elas servem para comer iogurte, para servir molhos, para tocar bateria em cima da mesa e para rampas de bonecos Playmobil. 

Rapidamente as 6 colheres passam a 2, sem explicação aparente. Outras 6 colheres surgem em sua substituição e as 8 colheres a uso continuam a cumprir a sua função de servir para comer gelatina, para desentupir o ralo do lava-loiças, para arrear traulitadas na cabeça de irmãos, enfim, para tudo menos beber chá.

Novamente as colheres passam a 3, e de 3 passam a 2. Compram-se mais 6, desta vez ranhosas, porque já se sabe que daí a sensivelmente 2 semanas terão desaparecido para o limbo das colheres, uma espécie de Triângulo das Bermudas que se situa em S. Francisco de Alcochete, entre a Sociedade Recreativa e a Junta de Freguesia.

O homem da casa culpa a mulher, que despeja tudo com os pratos, a mulher culpa as crianças, porque são pequenos e totós, tudo discute, ninguém se entende, as colheres nem vê-las. Um inventário mostra que afinal também há garfos, facas e colheres de café desaparecidas. Só as de sopa se contabilizam miraculosamente todinhas.

Ontem, ao abrir o armário do caixote do lixo, dou por uma colher de pau gigantesca lá enfiada, com o cabo de fora. Donde se conclui que, se alguém (que esteve a comer ovos mexidos com bacon) enfia - SEM DAR POR ISSO - uma colher gigantesca dentro do caixote do lixo, fará com mini-colheres e outros talheres. Triângulo das Bermudas de Alcochete, my ass. É mas é o "Mãozinhas de Porco" lá de casa.