quinta-feira, 18 de junho de 2015

Festa de final de ano

Pois que lá se passou, no último sábado, a festa de final de ano da escola de filhos bonecais, em que uma pitosga como eu corre o risco de olhar para putos que não são seus, por não ficar sentada na primeira fila de um anfiteatro tendencialmente às escuras. Talvez por isso o tema anual tenha sido A Luz, a ver se eu conseguia enxergar os meus filhos ao longe. Consegui, pois botaram uns suspensórios com luz no Máivelho e um polvo com lâmpadas nos tentáculos na tola do Máinovo. Ainda assim, os meus pais (que junto com os outros convidados foram desterrados para o balcão, bem mais para cima) estiveram a atuação toda do Máinovo a olhar para um desgraçado que chorou do início ao fim e cheios de pena do neto, coitadinho. Só que o neto por acaso estava duas filas atrás, a dançar e a berrar que nem um louco a Canção do Mar da Dulce Pontes. Valha-me Deus, que já não aguentava as últimas semanas de ensaios em casa. Ainda assim, consigo lembrar-me de duas ou três canções vencedoras de Festivais Eurovisão bem piores, mas nunca se sabe do que aquela malta se lembra para o ano. Só sei que o gajo deu um polvo bem giro, meu rico filho, que se voltas a cantar Dulce Pontes te encho de azeite, cubro-te de batatas, enfio-te uma azeitona no rabo e jogo contigo no forno a 220 graus.

O pior foi mesmo a parte puxada ao sentimento de entrega dos diplomas dos finalistas do Primeiro Ciclo, contextualizada por uma música de ir às lágrimas, acompanhada por fotografias deles durante o ano. Pronto, abriu-se-me a torneira (fui apanhar lágrimas, rímel e ranho ao queixo) e não mais parou até me terem enfiado uns rolos de sushi goela abaixo à hora de almoço. Valeu-me que houve mais ranhosas e não destoei. É como eu digo, os filhos põem-nos tã-tãs, parvinhas (não, não havia homens a fazer figuras tristes), capazes de bater palmas e curtir ver os nossos rapazes de suspensórios luminosos a dançar Deolinda e achar cutxi-cutxi caranguejos, pirilampos e outras criaturas a bambolearem-se ao som da Xana Toc-Toc.

Felizmente para o ano não estará nenhum dos meus na berlinda e comportar-me-ei condignamente. Ou não, suponhamos que me põem as crianças a cantar o Amor de Água Fresca: seguramente não conseguirei conter o choro.

2 comentários:

  1. Mais filhos = Mais ocasiões para ir secar lágrimas em sushi :P
    Proooooonto, já parei!

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