terça-feira, 9 de junho de 2015

Não te encostes a mim!

Eu, com este feitio e esquisitice, deveria viver dentro de uma redoma, com luvas e máscara cirúrgicas, e não neste mundo normal, onde existe esse flagelo de seu nome transportes públicos, com criaturas de hábitos chatos, como respirar. 

Eu, esquisitinha, me assumo. Já fui bem pior, agora quase me consigo abstrair do facto de 800 pessoas já se terem agarrado ao varão do metro e até lá me seguro ocasionalmente, já não salto tipo mola quando sinto o assento quente (blagh) e não hiperventilo em hora de ponta, quando me sinto uma ova de conserva (coisa que bastante aprecio, sobretudo de sardinha ou cavala). 

Eu, não obstante, continuo a fugir a sete pés de pessoas autocolantes (expressão da autoria da minha amiga Sofe), aquelas que não sabem manter uma distância em que não lhes consigamos cheirar o refogado do almoço, a obturação do dente já a saltar ou o sovaco. Aquelas que, por mais que fujamos, acabam sempre grudadas a nós, em estrito cumprimento da Lei de Murphy segundo a qual só se encosta a nós quem cheira a bedum.
  
Eu, pessoa nojentinha, gostaria de lançar o repto aos deputados para que levem à aprovação do Parlamento legislação no sentido de se proibir as pessoas altas de se agarrarem com os braços levantados nos transportes, por conseguinte criando ali uma espécie de cantinho com efeito de estufa onde nós, os pigmeus, somos forçados a encaixar-nos e temos obrigatoriamente de respirar. Apelo às mais altas instâncias para que, a bem da solidez do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente ao nível das consultas de otorrinolaringologia, revejam o protocolo dos transportes públicos e invistam em detetores de odor nas estações, que apitem desalmadamente à passagem de pessoas fedorentas. É que com o aumento das temperaturas chego a passar mal com o fedor a nata azeda. E não é daquela boa que a malta consome na Alemanha com Cremetörtchen. Assim tipo Sahnehäubchen. Ou Schmetten. Ou Volskwagen Telefunken Merkel.

12 comentários:

  1. Duas perguntas: já andaste no metro em Paris? Se sim, há vídeos? =p

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    1. Sim, há 10 anos, grávida. Não sei se foi por isso que ninguém se encostou a mim: medo de contágio ;)

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    2. Aaaah, mas há que repetir a experiência, que de há dez anos para cá muito mudou!!! =p

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    3. Fica a dica, então!

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  2. Deixa estar que tenho uma no meu trabalho que peida-se (ou melhor, bufa-se) obrigando quem está lá dentro fazer das tripas coração para não vomitar. Porra é que nem te passa pela cabeça a pouca vergonha que é e a gaja não se manca quando vê o pessoal todo fugir.

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  3. Pessoas autocolantes! Adorei!! Eheheheh
    E ir em transportes públicos e ver aquelas pessoas que parece que fazem concurso de quem tosse ou expirra mais de boca aberta para o ar??? Isto mete me muito mudo!!!
    Carla

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  4. Maldito telemóvel! Queria dizer medo!!!
    Carla

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    1. Como podes ver acima, sou uma moça espertalhona! ;)

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  5. É impressionante a diferença de cheiros de um início de dia para um fim do mesmo. De manhãzinha vem tudo a cheirar a sabonete. À tardinha vai tudo a cheirar a... Uma série de coisas mal cheirosas que nem sei bem explicar. :D

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    1. Mulher, e quando logo de manhã já vão a cheirar a refogado?!

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