terça-feira, 2 de junho de 2015

"Eles não te ouvem, quem te ouve sou eu, pá!"

Esta é uma frase que eu repito nos mais variadíssimos contextos, em resposta a Senhor meu Marido, enquanto este berra com pessoas que não o ouvem: (i) no trânsito; (ii) na televisão; (iii) que não existem. Ora, aquela coisa de vociferar com outros condutores todos nós fazemos, mas convém ter em mente que, quando gritamos com os vidros fechados criamos assim uma espécie de megafone dentro do veículo, capaz de rebentar os tímpanos à pessoa até então sossegadamente sentada ao nosso lado. Berrar "OH MEU GANDA PIIII É ASSIM QUE SE FAZ A ROTUNDA, PIIIII????!!!!" não só não atinge o interlocutor, como é coisinha que aleija quem está dentro do carro, que é quem leva a chapada sonora.

Os gritos com a TV (e outros meios audiovisuais) surgem na mesma senda e perturbam de igual modo, embora a situação se afigure ainda mais imbecil: estamos a tentar interagir com pessoas que sabemos estão bem longe, temos a certeza que não nos ouvem (bem ou mal no trânsito ainda podemos duvidar disto...), e que estão dentro de um aparelhómetro. Na maioria das vezes são árbitros. E apresentadores irritantes que nos convidam de 5 em 5 minutos a ligar para um determinado número para ganharmos barras de ouro. E mais uma vez quem sofre?! Quem está ao lado, e não quem nós mandamos, com todas as forças do nosso ser, introduzir as barras de ouro num sítio onde o sol não brilha. Ou a mãezinha do árbitro, que nem sequer aparece. Os cagaços e as taquicardias, esses ficam para quem está na mesma divisão da casa, ou, no caso da capacidade vocal de cônjuge bonecal, quem está no mesmo código postal (que belíssima rima saiu daqui). Há relatos de pessoas que, se o vento calha a estar de nor-noroeste, o ouviram alto e bom som na Azambuja.

A questão das pessoas imaginárias reveste-se de toda uma componente lunática e borderline "cu-cuuu", que roça, afirmemo-lo sem preconceitos, a insanidade. Quando gritamos com seres inexistentes, queixando-nos, por exemplo, do calor, ou das filas do supermercado, ou da comida que aquecemos em demasia, ou do Wi-Fi que não funciona, é esse o momento para quem está por perto dar de frosques e só voltar munido de um colete de forças e de uma maquineta para ministrar choques elétricos nas nalgas. 

Por falar nisso, só por curiosidade, onde será que se pode adquirir uma cena dessas?

10 comentários:

  1. Procura naquela papelaria que vende minis... E latas de grão... E collants... E outra coisa qualquer que agora não me lembro... :D Pode ser que haja lá.

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  2. Olha pah, eu grito com os jogadores na TV, com o árbitro, com os treinadores, com as apresentadores parvas, os comentadores estúpidos e os políticos ignorantes. Comigo não dá para ver futebol em silêncio, tenho de deitar tudo cá para fora.
    Alguma coisa contra? Puff...

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  3. Ó Boneca, um texto tão grande só para perguntares onde é que se vende uma "maquineta para ministrar choques elétricos nas nalgas"? Sinceramente...

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  4. O meu quando está a ver Nascar, Indycar, Motogp e afins também se põe a comentar e a reclamar com eles. Ja lhe disse q não me parece q o ouçam. É q aquilo além de ser na Tv, a maior parte das vezes foi gravado. Mas ele continua....

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  5. És demais Boneca! :)
    Carla

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