segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma certa casta de automobilistas

Debruçar-me-ei hoje (em sentido figurativo, porque Deusmalivre que me debruce fisicamente sobre esta gente) sobre uma determinada casta de automobilistas com que, estou certa, também os mui estimados leitores se cruzam numa base diária: refiro-me aos carinhosamente designados por "anda lá, atravessa lá a passadeira, mas isso rápido, tens exatamente 5 segundos, depois dos quais te passo a ferro sem pudor"

Pois bem, tenho para mim (como eu adoro esta expressão, embora a ache imbecil e sem sentido) que esta malta sofre de uma patologia grave: quando eram miúdos os paizinhos ofereceram-lhes um kart pelo Natal e só podiam andar no corredor entre a sala e a cozinha, ou assim. Só pode. E eu bem sei também que há velhos pessoas que testam a paciência de um santo e demoram tanto tempo a atravessar que daria na boa para a malta sair do carro, fazer um xixizinho, limpar e voltar. E ainda esperava. 

Acontece que a duração de atravessamento bonecal é normalzinha, não procrastino, não hesito, ainda que às vezes envergue uns saltos que me abrandem ligeiramente a velocidade. Por isso, é com um misto de irritação meets raiva meets estupefação que, ainda eu vou a meio da passadeira e já oiço o acelerador nervoso do javali que vai ao volante, percebo-lhe o nervoso miudinho e, 2 segundos depois, o oiço arrancar com os pneus a chiar, vociferando e fazendo o ar deslocar-se em perigosa ameaça a quem vá de saia fluída e calhe a ter o rabo saliente. 

Como combater este flagelo? Tenho várias ideias, mas todas envolvem carregar uma catana, e nem sempre o tamanho da mala o permite. Assim sendo, proponho que, mal oiçamos a aceleração que antecede o arranque com chiadeira, nos sentemos no chão num género de medição de forças a ver quem ganha. 80% de certeza que eles não terão coragem de nos abalroar. 

Experimentem lá e depois contem-me como correu. Depois experimento eu, prometo. 

16 comentários:

  1. Olha, quando me fazem isso, paro mesmo à frente deles e pergunto-lhes se está tudo bem com o carro ou se é preciso chamar o reboque.
    (Já te disse que eu é que tenho mau feitio.)

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  2. Em regra até atravesso bem depressa. Mas se me aparece um espécime desses abrando logo. Uma vez até fiz de conta que me esqueci de algo, virei para trás e voltei a virar-me para seguir o meu caminho. Os pneus até fizeram fumo quando o gajo arrancou! :D

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    1. Hás-de experimentar sentar-te, então.

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  3. Já me calharam alguns desses na rifa, como também já levei com os que param tão atrás que mal vêm a passadeira e também já encontrei dos mal-educadões que não param. Sendo que neste último leque existem 2 tipos, os que ainda levantam a mão num ato, inútil (só pq não me apetece desculpa-los) de pedir desculpa e os que fingem que não viram. Ora, estes fingidos de satanás levam logo com uma resma de sitios para irem/ para enfiarem a cabeça/ do que me apetecer na altura... Tudo isto em silêncio ou muito baixinho, sim, porque sou uma 'ssoa civilizada! ;) também tenho uma história de uma que malhou, à minha frente, abaixo dos saltos numa passadeira, posso partilhar essa também

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    1. Eu ia malhando uma vez. Ouvi "estava a ver que ainda tinha de te ir apanhar ao chão!" :D

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    2. Ora sucede que eu fui mesmo tentar ajudar a senhora, e tentar porquê? Porque a mal-criadona quase me atirou também ao chão enquanto proferiu um "largue-me" em modo miuda d'O Exorcista! Que nervos, pah!!
      Mas vá acontece a todas que se atrevem nuns saltos altos (giro, e muito, na minha opinião). Uma vez ainda apanhei a minha mãe já a meio caminho do chão, quando escorregou com uns daqueles altos, finos (agulha, né?), compensados à frente mas que nem tinham borracha, muito pouco estáveis portanto. E isto numa rua a descer com calçada à portuguesa....

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    3. Calçada portuguesa?! Não puxes por mim, homem.

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    4. Procura os meus posts antigos sobre esse tema. Até apareci na revista Visão, pá!

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    5. Tchiiii caganda falha!! Só comecei a ler o teu blog no inicío de 2014, por isso ainda não tinha tido acesso a (mais) estas 2 pérolas. Sem dúvida, terias a assinatura da minha mãe! E esse artigo da visão, está cá??
      (Tenho que me calar, os comentários comigo não têm fim....)

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    6. Caganda vergonha! O artigo não, só um post com uma foto. Vai dizendo coisas, eu assim como assim não tenho nada que fazer :D

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    7. Acho que também não vi esse post....

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    8. Pronto ok, com a simples pesquisa "revista", descobri. Pareceu-me muito bem! Só gostava de ler o artigo completo!
      E estou 100% solidário nessa de ter controlo para não avacalhar as conversas. Qualquer coisinha me serve para dizer disparate e a conversa descamba na hora.... Devo sofrer de algo ruím, portanto!

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    9. Sofres. Mas não sei mais nada sobre esse assunto ;)

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