terça-feira, 20 de outubro de 2015

Damn the pingas

E não são as que nos fazem rir muito e dizer parvoíces (na verdade nem as que às vezes fazemos quando rimos muito...), nem aquelas minhas conhecidas que pululam na sanita pelo facto de viver com 3 homens com problemas de pontaria. É mesmo as que, nesta altura em que começa a chover, nos aparecem à socapa dos mais variados sítios, as velhacas. 

Quem, como eu, tem o azar de ter de percorrer uma rua com passeios estreitos e completamente coberta por toldos (no meu caso, a rua do Arsenal, em Lisboa) sabe do flagelo de que falo. As p$tas das pingas aparecem de todo o lado, dos toldos, do espaço entre os toldos, de goteiras, de canos que despejam litradas de água para a rua, e que nos dão uma lambidela desde a franja, passando pelo nariz, mamocas (quem as tem empertigadas para a frente), só aterrando no sapato, fazendo, portanto, o maior estrago possível, e deixando um risco lambido e nojento não raramente no cabelo acabado de alisar.

No meu caso, ao passar pela dita rua, tenho de escolher o menos mau de vários cenários apocalíticos: (i) ou o duche das referidas goteiras no final de canos, que jogam em cascata constante hectolitros de água sobre quem passa e que nem os guarda-chuvas conseguem conter, aliás, fazendo ali um efeito de ricochete que até exacerba o pinganço; (ii) ou tentar a sorte por baixo dos toldos, com guarda-chuva (enfiando-o nos olhos de quem passa em sentido contrário) ou sem guarda-chuva, levando com o que nunca são pinguinhas, mas sempre gotas obesas de gordas, as tais que fazem mais estrago à passagem do que se levássemos com uma melancia na tola (às vezes nem as pestanas são poupadas à fúria gotícola!); (iii) ou, para fugirmos dos toldos e das molhas entre-toldos (ai que aqui debaixo não levo guarda-chuva, ora toma lá com uma litrada que passa mesmo no meio destes dois centímetros entre um toldo e outro), bora lá para o meio da estrada tentar não levar com a água das poças que os carros fazem sempre questão de projetar para cima das nossas calças, porque, obviamente o guarda-chuva é utilizado para proteger a cabeça e não os membros inferiores.

Toda esta panóplia de desgraças e peripécias pode acontecer num único dia, caso São Pedro e a minha sorte estejam de feição. E é por essas e por outras que, embora eu seja a criatura mais friorenta à face da terra, prefiro mil vezes frio de rachar a chuva.


P.S. Assim um aparte: e o cheiro com que os pés da malta ficam depois de um dia de galochas, hein?

17 comentários:

  1. Por favor, divulgue este pedido de ajuda que está em http://omeumundocorderosa2015.blogspot.pt/
    E se puder ajudar, agradeço!

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    1. Cuidado com este comentário Boneca, nenhum desses casos são verídicos (exceptuando, como é óbvio, os NIB's - porque será?) usaram imagens tiradas da internet de variadas crianças e nomes falsos para criar cartazes (por sinal muito mal feitos)

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    2. Epá, catano, a sério?!

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  2. Detesto o frio e a chuva, quero calor sff

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    1. Eu já só quero ausência de chuva.

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  3. Galochas são calçado de trabalho, para chafurdar na lama ou ir à pesca, no Inverno. ;)
    NUNCA noutras ocasiões, porque aquilo é feio, desconfortável e nojento!
    Quando muito, num dia de muuuuita chuva, vá. Mas só na rua. Quando se chega a casa ou ao trabalho, calçam-se uns sapatinhos normais.

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    1. Discordo: há galochas lindas (mas obviamente que não as trago para o trabalho)! Ah, e não são nada desconfortáveis, pá.

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  4. Experimenta vir aqui no dia em que cai a primeira grande chuvada do outono! Tens água até aos tornozelos em vários sítios, nomeadamente à saída da escola. E devo dizer que, este ano, quando cheguei ao carro, que por sinal também ficou em mal tratadito, tive que me descalçar e virar os ténis para despejar água de volta para o chão. E levei ainda com um esfregona que devia ter lixivia e me estragou um casaco lindo, de uma marca que detestas, por isso abstenho-me de a dizer.

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    1. Olha, filho, se é da Desigual, bem que podia arder. Ou afogar-se. Tanto faz.

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    2. Era, é a minha marca predileta. Desconfio que se algum dia me visses na rua, me regavas com gasolina e chegavas o fogo. (No mínimo!)

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    3. Não, qyue eu sou fofinha. Era capaz é de fugir a 7 pés (devias adorar a loja deles no Freeport)

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    4. Não seja ruim, faxabor... Tem coisas que se aproveitam, as que eu escolho, claro! (Já lá fui algumas vezes. [ter pais que de vez em quando percorrem o país dá um certo jeito] E agora que penso nisso, o facto de a loja estar meio pró isolada, só com ligação através da "ponte", deve querer dizer alguma coisa ;) )

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    5. Pois, é para não contagiar ninguém! :D

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  5. Por isso é que inventaram as galochas com cheirinho a limão! :)
    As galochas já não são aquilo que pareciam as botas dos trabalhadores do lixo! Completamente sem graça! Há galochas lindas e dão um jeitão em dias de dilúvio!
    Carla

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    1. Concordo, tenho aí umas 300 (nenhuma com cheiro a limão) e adoro-as a todas.

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  6. Falar em galochas faz-me sempre lembrar de umas que tive em criança com cara de sapo. :D Só as usava para ir "ajudar" a minha mãe para o campo (ou atrapalhar, melhor dizendo). :)
    Mas sim, também detesto os pingos de que falas.

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    1. Ui, não falemos das galochas que usávamos em criança... duas palavras: capuchinho vermelho...

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