domingo, 10 de janeiro de 2016

Dia de ventania

É dia madrasto para as extensões, que o diga a senhora que vai no barco que não se dá conta que já toda a gente percebeu que aqueles molhos de cabelo amarelos presos por gosma aos cabelos castanhos dela não nasceram propriamente ali. É dia lixado também, por outro lado, para os carecas que vão puxar 4 cabelos de trás de uma orelha até à outra e, de repente, não conseguem fazer uma divisão decente e ficam 3 para um lado e 1 para o outro, dependendo da orientação da nortada. É dia em que vejo mais rabos de mulheres do que gostaria. E que sei exatamente o sabor do meu shampô. E que tenho a trunfa colada à boca por causa do gloss. Ou os pelos do cachecol. É dia em que se não levo Máinovo pela mão, além de ele me voar, espeta-se contra as coisas por causa da franja nos olhos. É dia das galinhas da horta ao pé de casa andarem num alvoroço e a velha atrás delas toda descabelada gritar "AI QUE ESTÁ O DIABO À SOLTAAAA! AGARRA ESSA JUSTINOOOOO!!!".

Há dias de vento em que não sei como não levanto voo, tendo em conta as nalgadas de ar que me são arrefinfadas e que me projetam para a frente com movimentos pélvicos de fazer inveja a muita bailarina de salsa. Se tenho o azar de ficar em casa, pareço que vivo dentro de uma obra onde há um Coro de Santo Amaro de Oeiras composto por trolhas, semelhante a quantidade de assobios que oiço. Já fui apanhar um tapete no cimo de um candeeiro de rua. Só o cabrão do cão do vizinho de baixo é que nunca voou e se esbardalhou cá em baixo, corneta do catano, que já cheguei a tentar incentivá-lo (vai, salta, busca Piruças!) e o gajo nada. O vento só serve para chatear, portanto. Quando precisamos dele para matar cães, não colabora. Está mal.  

6 comentários:

  1. Já me puseste a rir que nem uma perdida com o "vai, salta, busca, Piruças!"! :D

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  2. O vento, como qualquer entidade masculina seja ela qual fôr, não faz senão falhar....

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    1. Agora é que tu disseste-ze-a, mulher!

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  3. Não fales nesse assunto, estou deveras chateado! Já não me lembrava de um dia assim, quanto mais dois... Entre ontem e hoje parti dois chapéus de chuva, fiquei sem um cachecol que, de mãos ocupadas, não tive como segurar e doe-me os ouvidos de tanto assobio das janelas (fico mais contente'zinho por não ser só cá em casa). Era de tal maneira forte que mesmo de janelas e estores fechados as cortinas se mexiam ligeiramente. Já para não falar que descobrimos que o portão da garagem não é assim tão bom e que, em condições adversas, deixa entrar água, toca a torcer panos quase de hora a hora. Posso arranjar mais queixas, se for preciso! ;)

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