sexta-feira, 13 de maio de 2016

Da fé

A propósito do 13 de maio, dei por mim a pensar na minha relação com a fé, com as crenças e a religião num sentido mais lato e devo fazer um mea culpa em relação à treta de se ser "católico não praticante". É uma forma bem preguiçosa de nos esquivarmos aos deveres. Pela parte que me toca, assumo a preguiça: tenho uma pequena capela do outro lado da rua, mas ao domingo (embora oiça tocar o sino) sabe-me bem é ficar a jiboiar na cama. Tal como andei na Catequese (onde fiz muitos e bons amigos), também o Máivelho lá andou, mas contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que o levei à missa. Dá-nos jeito solicitar ajuda divina quando um filho arde em febre às 3 da manhã ou quando o marido vai a uma entrevista de emprego que pode mudar o rumo da nossa vida, mas quando as coisas nos vão correndo de feição nem nos lembramos de, por exemplo, se acreditarmos, agradecer a Quem o proporciona.

Posso dizer que acredito em Deus. Quer dizer, quero muito acreditar em algo que nos transcende e que vela por nós lá do alto, para quem nos podemos voltar - ainda que de forma intangível - em momentos de aflição. E contra quem nos possamos revoltar em momentos de injustiça. Porque, aí sim, perante grandes adversidades e catástrofes, somos lestos a acusar "Se Deus existisse mesmo, isto não era possível".

A minha relação com a fé é sui generis. Não sinto necessidade de entrar numa igreja, nem de ir à missa, mas quando o faço, é com respeito que absorvo todo o ritual, de que me lembro como se ainda ontem tivesse saído da missa das 10 na paróquia de S. Paulo em Setúbal. Foi com o maior respeito que fiz questão que fosse o padre que me dava a missa em adolescente a casar-nos e tenho o maior respeito por quem acredita, embora por vezes eu duvide que acredite verdadeiramente.

E com isto chego ao assunto Fátima. Fátima não se explica, sente-se. E é por sentir sempre algo inexplicável de cada vez que me aproximo do Santuário que não poderei nunca afirmar que não tenho fé. Porque fé deve ser isso mesmo: um apelo que se sente bem cá dentro, que não se consegue traduzir em palavras, uma força que sentimos que emana daquele sítio, tão carregado de energia e que acreditamos, com todas as nossas forças, que tem um qualquer poder - quase mágico - que nos faz prostrarmo-nos de joelhos e rezar. Mesmo que às vezes já não nos lembremos bem como se faz.

10 comentários:

  1. Olha, este assunto fica para o nosso almoço. ;)
    Mas posso dizer-te que foi a S. Paulo que fui ontem depois do ginásio.
    Beijo grande!

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  2. Eu sou o oposto: fé, só no ser humano (o que é muito parvo, eu sei) e, contudo, adoro tudo quanto sejam crenças, rituais, religiões (nas suas qualidades e defeitos), templos. ❤️

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    1. Fé no ser humano, sim também tenho muita. Mas só em algumas pessoas. Pensando bem, nas minhas, sobretudo :)

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  3. O ser católica praticante (até porque existe outra forma?) é virar a vida do avesso. E isso é do caraças.
    Patrícia

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    1. Verdade. E há quem não esteja disposto a isso, é preciso... abnegação, "to say the least".

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  4. É verdade o que dizes... Ser praticante dá trabalho e é mais fácil dizer "eu tenho cá a minha fé e não preciso de Igrajas para nada"...
    Não tenho nada contra... Se estas pessoas depois não usarem os templos de culto (qualquer que seja a religião)para as festas que gostam de fazer (casamentos, baptizados, etc...).
    Ir a uma Igreja, a esta ou a outra fé, é importante se for importante para a pessoa... Mais importante é ter Fé! É um importante aliado para aguentar as pancadas que a vida às vezes nos dá...

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    1. Sim, às vezes é a única coisa que as pessoas têm a que se agarrar.

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  5. Apesar de ser agnóstico (não acredito mas também não nego que possa, eventualmente, existir algo superior), acho incrível a energia e a força que as pessoas encontram nas suas crenças, sejam elas quais forem.
    E não percebo muito deste assunto, mas não me parece que por não seres praticamente sejas mais ou menos que alguém praticamente. Tenho para mim que cada um tem o seu modo de prestar culto e tudo mais, só há que respeitar.

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    1. Para mim, a fé é algo de privado que cada um pratica como quer. Muito mais que isso é ruído.

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